Joshua Lott/The New York Times
Joshua Lott/The New York Times

Rota 66 reivindica sua contribuição à cultura e ao imaginário dos EUA

Fundo para as Preservações Históricas lançou campanha para dar status de Caminho Histórico Nacional à famosa estrada

Antonio Zavala, Efe

05 Julho 2018 | 14h38

Chicago (EUA) - A icônica Rota 66, a "estrada mãe" dos Estados Unidos que cobre os 3.939 quilômetros que separam Chicago do litoral californiano, está em perigo, segundo o Fundo para as Preservações Históricas (NTSP, na sigla em inglês), que lançou uma campanha para conseguir sua designação como Caminho Histórico Nacional.

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Para chamar a atenção sobre o estado desta via, considerada pela NTSP um dos 11 lugares históricos mais ameaçados do país, integrantes desta organização iniciaram uma viagem de um mês na qual compartilharão as histórias de uma estrada que guarda um lugar especial no imaginário e na cultura do país.

Caso consiga seu objetivo, o governo e outras entidades dariam mais apoio para restaurar lugares e comunidades ao longo desta via terrestre desde seu início entre os arranha-céus do centro de Chicago (Illinois) até chegar a Santa Mônica (Califórnia), após passar por Missouri, Texas, Novo México e Arizona.

Amy Webb, diretora de campo do Fundo Nacional para Preservações Históricas, a organização que busca preservar esta estrada, disse à Agência Efe que a Rota 66 tem muitos lugares que já foram restaurados, mas que faltam muitos outros que se beneficiariam com a designação de "histórica via terrestre".

"A Rota 66 teve belos lugares que foram restaurados nos últimos anos e isto inclui lugares que agora tiveram êxito, mas ainda faltam mais, como postos de gasolina, restaurantes, os chamados 'diners', e hotéis antigos, da década de 1950", explicou.

E esta estrada que conectou milhões de automobilistas do Meio-Oeste com a Costa do Pacífico desde 1926 é também extremamente popular entre turistas estrangeiros que buscam nesta estrada a verdadeira essência dos Estados Unidos.

Corredor vital até 1985, a Rota 66 sofreu com os efeitos do projeto de superestradas que o governo do presidente Dwight Eisenhower iniciou na década de 1950 e que levou muitos motoristas a utilizarem as novas vias paralelas à famosa rota.

Mas esta tem outra personalidade, mais rural e próxima da vida de milhões de americanos e do ato de "viajar mais devagar", de encontrar lugares diferentes e "desfrutar de seus cenários", acrescentou Webb.

Não em vão, a Rota 66 é em si mesma um ícone cultural. A rodovia é um tema constante da cultura pop, como na música Get Your Kicks on Route 66, interpretada por Chuck Berry e The Rolling Stones, entre outras, e em filmes como Easy Rider (1969) e na série de televisão na qual Martin Milner e George Maharis se envolviam em muitas aventuras enquanto viajavam de carro ao longo da rota.

A série foi exibida entre 1960 e 1964 e ajudou a consagrar esta estrada como reflexo fiel da realidade do país na mente dos motoristas americanos, assim como o livro On The Road, de Jack Kerouac.

"Dirigir pela Rota 66 era o supra-sumo da viagem americana por rodovias", disse Webb. "É a mais icônica, culturalmente celebrada e internacionalmente reconhecida estrada nos Estados Unidos", acrescentou.

Por isso, durante um mês será promovida a autêntica experiência de deixar se levar por esta estrada e, de quebra, ajudar a "preservar este querido ícone" e "reviver as economias locais de 300 comunidades rurais", que sofrem desde que seu trânsito caiu drasticamente e foi oficialmente eliminada do Sistema de Estradas dos Estados Unidos em 1985.

Um dos povoados que ela atravessa é a cidade de Pontiac, de 11.931 habitantes, onde a Associação Rota 66 de Illinois opera um museu sobre seu lendário atrativo.

"Estamos muito emocionados porque a designação, quando acontecer, trará muitas melhorias a esta famosa estrada", disse à Efe Ellie Alexander sobre uma proposta de lei já aprovada pela Câmara dos Representantes, mas que necessita ainda do sinal verde do Senado e da assinatura do presidente Donald Trump.

A diretora de Turismo de Pontiac disse que espera que a designação como Caminho Histórico Nacional traga melhorias, mas, sobretudo, acredita que isto atrairá ainda mais turistas.

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