Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

ROTEIRO 3: Janelão, o cartão-postal. E suas vizinhas

Cartão-postal do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, a Gruta do Janelão tem boca de 100 metros de altura

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 04h28

Sobre um montão de pedra e terra que desmoronou do teto da caverna milhões de anos atrás cresceu uma verde e robusta minifloresta. Mata Atlântica nas entranhas da terra, veja você.

A Gruta do Janelão é o cartão-postal do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Monumental desde a boca com 100 metros de altura, é um passeio de pelo menos 5 horas de duração (eu tive vontade de ficar o dia todo), uma caminhada de 5 km, ida e volta.

O trajeto é pesado porque são muitas subidas e descidas pelos degraus de pedra instalados dentro da caverna – numa das subidas, que nem me pareceu a mais longa, desisti de contar quando cheguei a 270 degraus. Por outro lado, esta é a melhor opção para quem tem fobia de cavernas: com muitas aberturas, bem iluminada pelo sol o tempo todo, nunca dá a sensação de estar enterrado.

Os paredões ora são marcados por linhas horizontais que indicam a deposição de sedimentos ao longo das eras, ora são salpicados de espeleotemas. Pontes de madeira e trilhas de pedras atravessam o Rio Peruaçu – sim, ele passa por dentro da Gruta do Janelão e é proibido encostar na água. Uma claraboia forma um coração perfeito que deixa ver o céu. Formações de rochas vermelhas monumentais lembram cogumelos, enquanto uma “tartaruga” guarda a entrada de um salão lá no alto, ainda inexplorado.

Paramos para o lanche em um ponto de descanso com bancos feitos de pedra da própria caverna. Mas ainda tinha muita Gruta do Janelão pela frente. Adiante, uma formação natural (uns dizem “bruxa”, outros, “noiva”) fica de frente para um paredão por onde a luz do sol de mais uma abertura no teto parece escorrer pelas paredes. Isso acontece só num horário específico do dia, que varia ao longo do ano. Os guias sempre sabem; na minha vez, foi por volta de 11 horas.

A maior claraboia da caverna está a uma altura de 170 a 220 metros. É a Dolina dos Macacos, que também tem acesso pelo lado de fora, mas aberto apenas a pesquisadores. Pendurada no alto, à esquerda, está a Perna da Bailarina, a maior estalactite do mundo segundo o Guinness Book, com 28 metros de altura.

A caminhada no interior da Janelão termina aqui. Ou melhor, a ida se encerra aqui, e começa a volta, subindo e descendo tudo de novo, pelo mesmo caminho. A caverna, no entanto, tem outros salões e caminhos para além da Dolina dos Macacos, fechados aos turistas. A Janelão tem cerca de 5 km de extensão total.

Por perto 

Visitei no mesmo passeio a Lapa Bonita, que tem a maior concentração e diversidade de espeleotemas. São branquíssimos, alguns têm pontos brilhantes e muitos ainda estão em formação, tanto que é possível vê-los gotejando com a ajuda da lanterna. No fundo dessa caverna está o Salão Vermelho, coberto de sedimentos dessa cor.

Janelão e Bonita esgotaram as forças nesse dia. Ainda ficaram faltando as Lapas do Índio, que tem pinturas rupestres em seu interior, Boquete, o sítio arqueológico mais estudado do parque, onde foram encontrados fósseis de quatro seres humanos, e Desenhos, onde está a maior diversidade de estilos de arte rupestre no parque. Juntas, estas três últimas somam mais 5 km de trilhas que partem também do Centro de Visitantes do Janelão. É o caso de acrescentar mais um dia ao seu roteiro no parque nacional.

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