Roteiro gourmet para nenhum Pantagruel botar defeito

    Tudo de Mirabelle. Impossível fazer uma refeição sem que a frutinha amarela apareça        

Carla Miranda, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2010 | 02h29

 

Foi só por dois anos, lá no longínquo século 16. Mas Rabelais, criador do glutão e bon vivant Pantagruel, morou em Metz. E isso se tornou motivo suficiente para fazer do escritor patrono da rede que reúne os melhores restaurantes e produtores de Lorraine. Cerca de trinta deles fazem parte da Tables de Rabelais, convite adicional para provar os sabores da região.

O grupo promove visitas guiadas pela cidade, que mesclam arte, patrimônio e, claro, degustações. Os roteiros mais simples duram cerca de uma hora e meia, e podem ser agendados com o escritório de turismo de Metz (reservation@ot.mairie-metz.fr). Mas há opções de dia inteiro.

Seguir de forma autônoma, porém, não é nada difícil. Tanto que nem há necessidade de sair do Georges Pompidou para começar. Com cardápio que privilegia ingredientes frescos, recém-saídos do mercado coberto da cidade (visita gastronômica imprescindível, aliás), o restaurante La Voile Blanche é perfeito para a fome pós-museu.

Para a noite, reserve mesa no El Theatris, que fica na Place de la Comédie. De preferência, no salão principal, decorado com antigos espelhos e com vista para a Catedral de Saint Étienne. Ali, a cozinha segue o estilo Lorraine com algo mais, companhia adequada para uma garrafa de um branco Château de Vaux, de produção local (leia abaixo). Na saída, detenha-se na praça, dominada pelo teatro e sua bela iluminação noturna.

Com um carro à disposição é fácil continuar a rota gourmet nos arredores de Metz. O Les Tuileries, em Fey, faz jus à parada no caminho. O almoço vai começar com um drinque que leva champanhe e mirabelle, encontrado com pequenas variações em vários restaurantes de Lorraine. Também integrante do Tables de Rabelais, o Tuileries serve pratos como o salmão defumado sobre batata rosti, com toques de caviar.

Já que tanto se fala (e se prova) a tal frutinha amarela, o próximo pit stop deve ser na destilaria Maucourt, em Vezon, onde é possível ver a plantação de mirabelles - 70% da produção mundial sai de Lorraine - e, na sequência, fazer uma degustação de produtos à base da fruta. Vale compota, geleia, bala e, principalmente, a forte eau de vie, com 40 graus de teor alcoólico.

Não saia da região sem provar todos os queijos que puder (Lorraine está entre os principais produtores da França). De preferência, o munster géromé, com direito a denominação de origem controlada, o brouère e o brie de Meaux.

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