Arnaldo Fiaschi/Estadão
Arnaldo Fiaschi/Estadão

Roteiro Irmã Dulce: o caminho da nova santa brasileira em Salvador

Instituição se juntou com empresas de turismo para criar uma rota turística em pontos-chave da vida da freira, que será canonizada dia 13

Levy Teles, Especial para o Estado

09 de outubro de 2019 | 06h00

Desde o anúncio do Papa Francisco em maio, a expectativa em Salvador é imensa para celebrar a canonização da primeira santa nascida no Brasil, Irmã Dulce, neste domingo (13).  Desde então, fiéis romeiros de todo o Brasil seguem caminho para a cidade para conhecer a vida e o trabalho da freira, nascida em 1914 na capital baiana.

Foi no Largo de Roma, na Cidade Baixa,  que Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, construiu sua vida. Lá estão as Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), instituição que realiza atendimento gratuito de saúde, e o Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, construído logo ao lado da Osid, em 2003.

Apenas do mês de maio para cá, o número de visitas ao memorial subiu em 300%. “Hoje a gente recebe cinco ônibus, de repente são 12, 18 — tudo sem avisar”, conta Rosa Brito, coordenadora de Turismo Religioso da Osid. Daí vem a iniciativa de começar a se pensar em novos roteiros para fiéis visitarem e conhecerem um pouco mais da vida de Irmã Dulce. 

O aumento do número de visitantes levou a Osid a criar um roteiro turístico para relembrar o caminho da obra e vida da freira, que sempre viveu em Salvador ao longo de seus 77 anos de vida. O Território da Fé, preparado em convênio com as agências Vitofap Tur e App Viagens, custa entre R$ 90 e R$170. O ponto de partida é a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia — igreja em que Dulce foi sepultada logo após sua morte, em 1992. 

De lá, segue para a  Igreja São João Paulo II, nos Alagados. Foi nesse bairro, em 1935, que Irmã Dulce começou seu trabalho de assistência aos mais necessitados. O lugar tomado por palafitas recebeu a ajuda da freira, que junto ao médico Bernadino Nogueira, atendia operários e moradores do entorno. Ali ela começou a ser chamada de Anjo dos Alagados

A Igreja São João Paulo II foi erguida em 1980, por causa da visita do papa João Paulo II a Salvador. Um ano antes, Madre Teresa de Calcutá também passou por Alagados - sim, o bairro recebeu a visita de três santos católicos. Coincidentemente, eles foram os que exigiram menos tempo para a canonização: 27 anos para Irmã Dulce, 19 para a Madre Teresa e apenas nove anos para papa polonês.

Encerrada a visita ao espaço, o terceiro caminho é para o Largo de Roma, para conhecer as Obras Sociais Irmã Dulce e o seu santuário. Lá está a Capela das Relíquias, onde repousa o corpo da santa — a qual foi reaberta para visitação em 18 de setembro.

A parada final é a Igreja do Senhor do Bonfim, a apenas 500m do Largo de Roma. Igreja mais visitada da Bahia, o Senhor do Bonfim é o padroeiro dos baianos e lugar onde milhares de pessoas depositam sua fé nas fitinhas, que podem ser presas na grade à frente da igreja. 

Caminho da fé

A canonização da freira ajudou a movimentar o investimento no trabalho das Obras Sociais Irmã Dulce, que enfrentava a pior crise financeira em toda a sua existência. Apenas para a cerimônia, estão sendo investidos mais de R$ 5 milhões em obras de requalificação urbanística do entorno do santuário, segundo a Secretaria de Turismo do Governo do Estado.

A Prefeitura de Salvador, por sua vez, investe no Caminho da Fé, uma obra de requalificação na via que liga o Bonfim pelo Largo de Roma pela Avenida Dendezeiros. A proposta é criar um espaço de oração para os fiéis, que poderão ver informações sobre a história do Bonfim e da Irmã Dulce nos 14 totens dispostos no trajeto. A caminhada leva 15 minutos — o tempo de se rezar um terço. A obra tem previsão de término para abril de 2020 e está orçada no valor de R$ 16,1 milhões.

A celebração

Em Salvador, a data já está marcada. Em 20 de outubro — uma semana após a cerimônia canonização no Vaticano — a Fonte Nova, estádio do Bahia, será o lugar da primeira celebração em nome da Irmã Dulce no Brasil. A partir das 12h30 começa a programação cultural e religiosa do evento, que contará com apresentações musicais, espetáculo teatral e missa presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. 

Entre as atrações, destaque para a participação dos cantores e Embaixadores de Irmã Dulce, Margareth Menezes, Waldonys, Saulo, Tuca Fernandes e padre Antônio Maria durante a encenação do espetáculo Império de Amor. A peça vai levar ao palco 650 atores, sendo 550 crianças e adolescentes do Centro Educacional Santo Antônio (Cesa) – núcleo de educação da Osid, além de idosos da instituição. Juntos eles vão contar a história da mais nova santa brasileira com números de teatro, dança e música. 

A previsão é de lotação na Arena, que tem capacidade para 55 mil pessoas. Os ingressos são gratuitos e distribuídos somente através das paróquias da Arquidiocese de Salvador.

Outros lugares marcantes

 

Bairro do Barbalho 

Foi na Rua São José de Baixo, 36, que a jovem Maria Rita passou boa parte do começo da vida. Perto dali fica a Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, onde ela foi batizada e fez a primeira comunhão.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia

A igreja centenária, próxima ao Mercado Modelo, foi o lugar que recebeu pela primeira vez o corpo de Irmã Dulce após a sua morte, em 1992. 

Mercado Modelo

Num dos principais pontos turísticos de Salvador, na década de 1950, Dulce fazia arrecadação de alimentos com amigos. Comerciantes a ajudavam com frequência - assim como ocorria na Feira de São Joaquim. Hoje, há uma rua interna no estabelecimento chamada Irmã Dulce.

Alagados

Foi na comunidade que Dulce começou a fazer os seus primeiros grandes trabalhos. Lá, criou um posto médico para amparar os residentes das palafitas e operários das áreas próximas.

Igreja do Bonfim

Após ter invadido cinco casas na Ilha dos Ratos  para acolher doentes, em 1939, Dulce foi expulsa do lugar e acabou indo para a principal igreja da Bahia. Lá, ela seria novamente expulsa por ordens do prefeito da época, Wanderley Pinho.

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