TIAGO QUEIROZ / ESTADAO
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Roteiro pela Estrada Velha de Santos ganha melhorias e fica mais acessível

Passeio a céu aberto a 1h30 de São Paulo é boa opção para aproveitar o dia na Baixada Santista

Ana Lourenço, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2021 | 05h00

Uma das belezas de viajar está ligada ao fato de conhecer lugares novos. Mas revisitar lugares por onde já passamos também pode ser divertido. Enquanto na primeira vez o olhar aprecia cada canto – estamos atentos a tudo, tentando captar cada detalhe da aventura –, na segunda as mudanças se tornam mais evidentes, mas também ficamos mais relaxados.

Em fevereiro de 2020, fiz, a pé, o percurso de 9 quilômetros da Estrada Velha de Santos, que corta o Parque Estadual da Serra do Mar. Na semana passada, voltei ao local, que ganhou facilidades na visitação e agora está sob gestão da empresa Parquetur.

A Estrada de Santos, que já nos inspirava a cantarolar a canção de Roberto Carlos pelo caminho, oferece vantagens extras durante a pandemia: ao ar livre, sem aglomeração, pertinho de São Paulo (apenas 1h30 de viagem) e seu percurso pode ser feito com toda a família.

E se antes era preciso ter fôlego para fazer o trajeto a pé – com o perrengue extra de tentar conseguir um carro de aplicativo para voltar à entrada do parque –, agora um serviço de van auxilia os visitantes. “Isso está sendo muito bem-aceito e as pessoas estão curtindo muito mais o passeio sabendo que têm esse conforto”, conta o gestor do parque, Carlos Telecki, que assumiu o cargo em 16 de junho. 

O transporte, que custa R$ 20 por pessoa, funciona com horários de paradas em cada um dos oito pontos turísticos. Assim, não é necessário fazer reservas, mas, por ser algo de uso público, fica dependendo da disponibilidade de assentos. Você pode adquirir o cupom antecipadamente com o ingresso (que varia entre R$ 15 e R$ 50) ou acertar o valor após o uso, na bilheteria. De acordo com o gestor, o veículo é higienizado com álcool spray a cada viagem e suas portas e janelas são abertas para garantir ventilação. Além disso, todos precisam estar com máscaras – não só na van, mas ao longo de todo o percurso.

Na minha primeira vez no parque, em pleno verão, não demorou para minha garrafinha d’água secar. Agora estamos no inverno, mas a lanchonete Food Truck da entrada me permitiu garantir um lanchinho e água extra para a viagem – coisa que antes não existia.

“Em breve também iremos inaugurar uma loja de itens de necessidade e souvenir para o pessoal comprar filtro solar, repelente, bonés, enfim. Acho que até o fim de setembro essa funcionalidade deve estar instalada”, esclarece Carlos.

Com água e tíquete comprados, é hora de começar a trilha. A intensidade é moderada, mas a visão indescritível da Baixada Santista e a trilha sonora de pássaros ajudam a amenizar o esforço e transformam o passeio em um momento de tranquilidade para aquele que se atenta ao entorno.

Aos visitantes mais velhos, pessoas com deficiência ou com carrinho de bebê é indicado o roteiro Caminhada Leve pelo Planalto, uma trilha de três quilômetros com pouco desnível. Já para os mais aventureiros, recomendamos começar pela Calçada do Lorena. 

O caminho tradicional, que passa por todos os monumentos, é o ideal para quem é iniciante na visitação ao parque. Foi o meu trajeto em minha primeira visita, uma caminhada de cinco horas feita com tranquilidade e muitas pausas para fotos e admirar a paisagem.

As trilhas continuam disponíveis para aqueles que preferem explorá-las livremente. Mas, para quem deseja caminhar com explicações sobre fauna, flora e história do local, a empresa oferece visitas guiadas. Elas custam R$ 100 para grupos pequenos, de até cinco pessoas. “A experiência é muito importante, não acreditamos em grandes volumes de visitação”, diz Carlos.

Independentemente da escolha, guias ficam a postos em cada um dos oito monumentos do percurso (criados a mando do governador Washington Luís para celebrar o centenário da Independência, em 1922) para explicar sua história e tirar possíveis dúvidas.

A importância do trajeto é enorme, uma vez que foi por ali que D. Pedro I passou antes de bradar “Independência ou Morte” no Riacho do Ipiranga. A rota também era utilizada para escoar a produção de café de São Paulo em direção ao litoral. 

Mudanças. O plano de revitalização dos monumentos, que consiste em manter suas características originais, deve começar ainda este mês. “Queremos estar com tudo pronto para o bicentenário, o aniversário da Proclamação de Independência no 7 de setembro do ano que vem”, declara Carlos.

O projeto de acessibilidade nos monumentos está previsto para a partir do restauro. O uso dos locais, que hoje servem para simples contemplação e conhecimento, também pode ser mudado. 

O Pouso do Paranapiacaba, por exemplo, deve voltar a ser um pequeno restaurante ou um café. “No meio do caminho, a gente não tem muita infraestrutura de água e energia. Estamos distribuindo trailers de alimentação ao longo da estrada com bebidas, café, sanduíches naturais, enfim”, explica.

É importante relembrar a importância de trazer de volta todo o lixo que você produzir na trilha. Como manda a cartilha do viajante consciente, não retire nada do lugar – nem mesmo uma florzinha ou muda de planta – e também não deixe nada.

Planos. Para o futuro, o passeio também contará com outros atrativos, como novas trilhas e investimento nos esportes aquáticos e radicais. A trilha da Cachoeira da Torre, um ponto de muita atratividade para os visitantes do litoral de São Paulo, especialmente para a prática de trekking, é uma das mais esperadas.

O ponto chamado de Tríplice Fronteira, que divide a estrada em três caminhos – sendo um o início do passeio, o outro para a Casa de Visitas (que será usada para eventos e palestras) e um último para uma estrada que parte de dentro da Calçada do Lorena –, ganhará um atrativo extra. Por ali passa o Rio das Pedras, no qual os visitantes poderão praticar esportes como caiaque e stand up paddle, por exemplo. O projeto também inclui uma tirolesa de aproximadamente 600 metros que atravessará o vale do Rio das Pedras até o primeiro monumento do passeio, o Pouso de Paranapiacaba. 

A mudança permitirá que o visitante se refresque nos dias quente – apesar das cachoeiras do caminho, não é permitido se banhar nas águas – e transforme o passeio em algo maior do que as poucas horas de caminhada. Sempre garantindo a beleza e importância histórica e ambiental, pois apesar das novas atrações, o desmatamento está fora de cogitação.

Por enquanto, a entrada é realizada apenas por São Bernardo do Campo (Rodovia SP-148, Estrada Caminho do Mar, km 42). Por causa da pandemia, há monitoramento de temperatura de todos os visitantes na bilheteria e máscaras são exigidas em todo o passeio. No entanto, pelo fato de cada visitante seguir seu ritmo de passo, dificilmente aglomerações são formadas no trajeto. 

Não é permitido entrar no parque com animais de estimação, bicicleta, skate, moto ou carrinho de rolimã em nenhum ponto do passeio. “A estrada deixa de ser utilizada como rodovia e tem um uso turístico”, coloca Carlos. Os únicos veículos autorizados que podem entrar são os traslados do parque, além de veículos de apoio de emergência da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), da Petrobras, Transpetro, uma vez que essa é uma rodovia de acesso para situações de emergência e manutenção corretiva. 

Quanto a mim, não vejo a hora de voltar para a terceira visita, desta vez, com a tirolesa já em funcionamento para ter a visão das curvas de Santos não mais da estrada, mas sim de cima, e em alta velocidade – como se canta na música.

Serviço

Entrada por São Bernardo do Campo (Rodovia SP-148; Estrada Caminho do Mar, km 42). O parque funciona de qua. a dom., inclusive nos feriados, entre 8h e 17h. Os ingressos custam R$ 30 nos dias de semana e R$ 40 de sex. a dom. (inteira); Para crianças com menos de 3 anos a entrada é gratuita. Estacionamento a R$ 20; Compre em caminhosdomar.com.br .

Transporte

A viagem até o parque pode ser feita com transporte próprio ou traslados. Na Próxima Saída Viagens, por exemplo, a saída (R$ 170) dá direito a lanche, ingresso e transporte fretado de ida e volta. A saída é do metrô Vergueiro. A Arterra Turismo também faz o passeio por R$ 170 (viajantes com mais de 60 anos pagam R$ 150), preço que inclui kit lanche e fotografia profissional. No Aventura SP, o valor (R$ 156) inclui ingresso e parte do metrô Sumaré.

Destaques

Leve celular e máquina fotográfica carregados, mas vale também ter um carregador portátil para garantir. Atente-se para fauna e flora local. A sacada do Rancho da Maioridade é um dos bons pontos de observação. Já no Pouso Paranapiacaba, a janela pode servir de moldura.

 O que levar

Coloque na mochila repelente, protetor solar, boné e óculos de sol. Água, lanche e um dinheiro para eventuais compras são importantes, assim como um saquinho para trazer de volta o lixo que produzir. Lembre-se de utilizar calçados e roupas confortáveis para caminhar. E, por precaução, leve um band-aid e antisséptico.

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