Guilherme Sobota/Estadão
Guilherme Sobota/Estadão

Te Puia, um parque no centro da cultura maori

Santuário é a grande atração de Rotorua, cidade que é o coração da cultura maori na Nova Zelândia

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2016 | 04h50

ROTORUA - Rotorua é o coração da cultura maori na Nova Zelândia. A grande atração é Te Puia, uma espécie de santuário de 70 hectares junto a um vale ao sul da cidade. Os locais dizem que esse é o lugar do mundo em que você pode chegar mais próximo a um gêiser; provavelmente estão certos. O parque é o centro mundial da cultura maori e um ótimo lugar para ver como uma sociedade indígena conseguiu se adaptar ao capitalismo do século 21 sem perder o senso de identidade.

Te Puia é administrado pelos próprios maoris, sem nenhuma ajuda financeira do governo da Nova Zelândia. Segundo Sean Marsh, gerente de marketing de Te Puia, toda a arrecadação vem dos turistas. Um combo completo para visitar o parque, com guia, refeição e apresentação cultural de haka, a tradicional dança de guerra maori que ficou famosa por ter sido adotada pelo time neozelandês de rúgbi (assista aqui para lembrar), sai por 153 dólares (R$ 360).

Te Puia é o lugar mais fácil para se ver de perto um kiwi: o pássaro local que tem tanta identificação com o país que acabou virando o gentílico dos nascidos na Nova Zelândia. Da mesma família da ema e do avestruz, mas do tamanho de uma galinha, o kiwi sofre muito com predadores mamíferos, como cães e raposas. Antes da colonização europeia do país, no século 17, não havia nenhum mamífero terrestre em solo neozelandês. A introdução de animais e pragas distintas criou um desequilíbrio ambiental que só começou a ser resolvido a partir do início do século 20 e hoje é tema essencial nas discussões políticas do país.

Calor. A Nova Zelândia é um território com atividade vulcânica recente em termos geológicos – poucas centenas de milhares de anos. Por toda a cidade de Rotorua é possível ver fumaça saindo do chão – o enxofre expelido do fundo da Terra deixa o lugar com cheiro desagradável, mas que acostuma rápido. Em Te Puia, o gêiser Pohutu é uma das visões mais procuradas pelos turistas: entra em erupção e lança jatos a 30 metros de altura, 20 vezes por dia.

Essa atividade geotérmica foi exatamente uma das razões para os maori se estabelecerem no local, há coisa de 700 anos. Na cozinha, por exemplo, até hoje, esse povo usa a técnica de colocar carnes e vegetais enrolados em folhas de uma árvore local para cozinhar em “fornos” no solo.

Rotorua tem outra reserva geotermal, a Hell’s Gate, com águas termais e piscinas de lama aquecida onde é possível se banhar. Os tíquetes começam em 35 dólares neozelandeses (R$ 83).

Para relaxar. Depois de um dia em Te Puia, aproveite o clima ameno, de temperaturas que quase nunca superam os 20 graus, para ir às piscinas naturalmente aquecidas do Polynesian Spa (27 dólares; R$ 64).

Primeiros habitantes. Os maori são os indígenas da Polinésia e os primeiros humanos a ocupar o território da Nova Zelândia, há cerca de 750 anos. O contato com os primeiros europeus foi pacífico, mas houve conflitos no século 19, e o povo indígena foi drasticamente reduzido. Hoje eles correspondem a 15% da população total do país, e muitos dos seus hábitos e expressões foram incorporados à cultura local.

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