Rugidos de leão na aula inicial

Eu já estava apaixonada pelo que Rishikesh não tinha. Nada de Starbucks, McDonald's, prédios ao longo do Ganges. E também pelo que eu não tinha: havia decidido desligar meu iPhone durante minha permanência de dez dias. Embora não faltem conexões digitais em Rishikesh, sinto-me plugada demais.

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2014 | 02h06

Fui à minha primeira aula de ioga com Swami Yogananda, um homem que alegou ter 105 anos. Ele atribui seu feito espantoso tanto à prática da ioga, que diz ter começado nos anos 1920, como à dieta de frutas, leite e nozes, sem grãos. Seus ensinamentos e sua reputação atraem gente a Rishikesh e ao Parmarth.

Em um inglês macarrônico, ele orientou uma série de exercícios pesados de respiração nasal. Seu movimento típico era segurar as mãos como garras e liderar a classe num coro de rugidos em voz alta. Me senti ridícula em minhas calças de ioga imitando um leão, mas, se ele tinha de fato 105 anos, o que quer que estivesse fazendo, estava claramente funcionando. Então, rugi.

Enquanto prosseguia com meus grunhidos de grande felino, fiquei espantada com o abismo que me separava do que havia experimentado em algumas formas norte-americanas da prática, em que bandos de mulheres neuróticas usam calças Lululemon de US$ 100 enquanto canalizam sua força interior.

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