Ruínas romanas no centro da capital

Faltam 192 dias para a Olimpíada de Londres e milhares de pessoas do mundo inteiro se preparam para acompanhar as competições na capital inglesa. Mas, além de conseguir um dos disputadíssimos ingressos, os visitantes têm uma preocupação extra: o que fazer entre uma partida e outra?

ANA , GASSTON, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2012 | 03h09

Toda semana, até julho (quando começam os Jogos Olímpicos), esta coluna vai retratar alguns dos tesouros londrinos acumulados em mais de 2 mil anos de história, seus contrastes e diversidades. Trata-se, afinal, de uma cidade repleta de surpresas.

Muita gente não sabe que no coração da London City, centro financeiro da cidade, existiu um anfiteatro romano que abrigou espetáculos de gladiadores entre os séculos 1.º e 4.º d.C. E, melhor: os restos da arena estão preservados sob a moderna e elegante Guildhall Art Gallery (www.guildhallartgallery.cityoflondon.gov.uk), ao lado do medieval e magnífico Guildhall.

O anfiteatro só foi descoberto em 1988, quando arqueologistas do Museu de Londres escavavam o local onde a galeria seria construída. Os planos do prédio tiveram de ser modificados para preservar as ruínas, abertas para visitação diariamente.

Originalmente de madeira, o anfiteatro ganhou nova versão no começo do século 2.º , quando sua capacidade foi aumentada. As paredes e a entrada - a parte que ainda se vê - foram reconstruídas em pedra. Calcula-se que a arena tinha capacidade para 6 mil espectadores, numa época em que viviam na cidade cerca de 20 mil pessoas.

Vale dar uma volta pela galeria. As pinturas de cenas que marcaram a história da cidade, como O Grande Incêndio de 1666 e a inauguração da Tower Bridge são impressionantes. O pintor inglês Andrew Carrick Gow levou dois anos para completar o retrato da comemoração do aniversário de 60 anos do reinado da rainha Vitória, em 1897.

Enquanto eu tirava fotos da galeria, um senhor se aproximou e disse: "A coisa mais importante desse lugar não pode ser vista daqui. Você vê a linha no chão? Ela mostra o contorno do antigo anfiteatro". Quis saber se ele tinha estado no Brasil e ele respondeu: "Não é possível conhecer todos os lugares no mundo e essa é a vantagem de morar em Londres: o mundo vem até você".

* É jornalista, paulistana e

vive em Londres há 10 anos

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