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Rumo ao sabor do Alentejo

Entre a Ponte 25 de Abril e a cidade de Évora, um roteiro recheado com doces, chouriços e vinhos

Roberto Almeida, LISBOA, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2009 | 03h14

Legítimo português, marinheiro de rotas africanas e sul-americanas, Américo Francisco, lá pelos seus 70 anos, esbraveja impropérios à margem do Tejo. A cena caricata explodiu num lindo sábado de manhã no cais de Belém, no sul de Lisboa. Ele garantiu que a resposta atravessada não surgiu da ingênua pergunta do repórter, que só queria saber "como andam as coisas em Portugal". E sim de suas memórias aventureiras que vieram à tona.

Foi uma coleção de relatos dos tempos de Moçambique, Angola e Açores. Os olhos do velho marinheiro aguaram, os palavrões escorregaram nos gestos fartos. Francisco provou-se um amante do além-mar que não supera a terra firme. Porém, entende solenemente que esse é o solo fértil da juventude portuguesa. Em uma pausa para respirar, sublinhou com os olhos a onda de turistas que desembarcava do bonde a poucos metros dali. E determinou: "Essa é a nossa nova vocação."

 

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Então, o velho marinheiro resignou-se, apresentou o ponto final da conversa e foi embora. Deixou a impressão de que Portugal cansou de carregar o lendário fardo de suas grandes descobertas e que, agora, espera ser encontrado por aqueles que se encantam com seus vinhos, temperam com seus azeites e se lambuzam com seus doces conventuais à base de ovos.

Foi assim que Francisco, meio sem querer, deu as boas-vindas lisboetas a uma incursão ao interior de seu país. Que incluiu visitas à Península de Setúbal e ao Alentejo, regiões de Portugal antigamente pontuadas pela pobreza, hoje lembradas por spas luxuosos, hotéis históricos, oliveiras milenares e vinhedos cobiçados.

Do solo pobre e da água escassa, ninguém esperava, veio a bonança. E a juventude portuguesa faz de tudo para que ela conquiste os visitantes. Renasceu, em formato didático, a história centenária dos moscatéis de Setúbal, vinhos docemente envelhecidos sob um calor equatorial.

Surgiram, sob o olhar de jovens enólogos, os novos brancos e tintos do Alentejo, com castas domadas e paladar internacional. E foram mantidas, para a felicidade suprema dos amantes da gastronomia e da confeitaria, as receitas clássicas da doçaria portuguesa.

TUDO PERTO

A viagem começou na Ponte 25 de Abril, cartão-postal de Lisboa, e encerrou-se em Évora, sudeste do país, capital do Alentejo. Tudo é perto em Portugal. O giro, feito de carro, cruza as terras lusas em poucas horas de estrada.

Apenas 130 quilômetros separam Lisboa de Évora - e de uma nova paisagem, novos ares e nova cultura. São ao menos dez vinícolas para visitar, quatro cidades para conhecer, vários castelos para escalar e dezenas de doces para degustar.

Já para dormir, mosteiros reformados ou hotéis padrão, casas para turismo rural ou instalações dentro das próprias vinícolas, perfeitas para saborear plenamente o torpor do vinho bem tomado. Recomendadas com a ótima desculpa do "se beber, não dirija".

Toda essa nova infraestrutura é prova de que Portugal se interiorizou. O país resolveu olhar para dentro, conseguiu se modernizar e viu que pode se orgulhar do que tem a oferecer. Talvez o velho marinheiro Francisco ainda não saiba por estar com os olhos voltados para o mar, sonhando com o silêncio do Atlântico.

PEDÁGIO

As estradas portuguesas estão em excelente estado. Mas tudo tem um preço. Você vai se deparar com várias portagens pelo caminho, ou melhor, pedágios. Antes de viajar, saque dinheiro para não ter surpresas.

 

Na tradicional José Maria da Fonseca, visitas caprichadas (agende antes)

 

Queijo de Azeitão é outro destaque: delícia com denominação de origem

 

Herdade dos Grous conquista pela simpatia e oferece até passeio de balão

 

Sericaia tem massa que derrete na boca e menos calorias que outros doces típicos

 

A melhor receita, com ovos, abóbora e canela, é de uma confeitaria em Évora

 

Quinta da Bacalhôa fica em palácio de arquitetura mourisca

 

Se você não gosta de coentro, vá preparado: tempero está em quase tudo

 

COMO IR

Veja preços de bilhete aéreo e pacotes para o sul de Portugal.

 

PASSAGEM AÉREA

O trecho São Paulo-Lisboa-São Paulo custa a partir de R$ 2.281,33 na TAP (0--11-2131-1200), voo direto. Com conexão, a passagem custa a partir de R$ 1.116 na Iberia (0--11-3218-7130), R$ 2.058,19 na TAM (4002-5700) e R$ 2.601 na KLM (4003-1888)

 

PACOTES*

linkUS$ 1.594: 3 noites em Lisboa, 1 em Setúbal e 2 em Évora. Inclui café e carro alugado. Trade Tours (0--11-3257-9788; www.tradetours.com.br)

linkUS$ 1.583: 5 noites com café, 1 almoço e passeios a Lisboa, Azeitão, Setúbal, Palmela, Arrábida e Évora. Taks Tour (0--11-2821-8804; www.takstour.com.br)

linkUS$ 1.732: 5 noites com café e passeios a Lisboa e Évora. Monark (0--11-3235-43-22; www.monark.tur.br)

linkUS$ 2.620: 10 noites com café e passeios a Lisboa, Évora, Porto e Santiago de Compostela. CLimb (0--11-5052-6305; www.climb.tur.br)

linkUS$ 3.998: 10 noites. Inclui visitas à Quinta da Romeira, Adega de Colares, Cave José Maria da Fonseca, Quinta da Bacalhoa, Adega da Cartuxa, Herdade do Esporão, Herdade dos Seis Reis, Cave de Almeida Garrett, Quinta de Saes, Solar dos Vinhos do Dão, Casa de Santar, Quinta dos Carvalhais, Quinta da Murganheira, Casa do Douro, Armazém 43, Adega Cooperativa da Régua, Quinta do Vallado e jantar no restaurante Chez-Lapin. Windows Tour (0--11-4195-0117; www.windowstour.com)

 

* Preço mínimo por pessoa em quarto duplo, com aéreo

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