Sabores e lãs, as estrelas do mercado de Otavalo

No meio do mercado de Otavalo, perguntei ao guia Alex Lomas se ele sabia o nome da frutinha que eu estava comendo. Esbranquiçada, com formato cilíndrico e carapaça que lembrava uma pamonha, tinha gosto azedinho, difícil de explicar. Chamava-se piñuelo, e esse equatoriano de 33 anos jamais tinha experimentado ou ouvido falar. Prova mais que contundente da diversidade e autenticidade do maior mercado andino do mundo.

OTAVALO, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h12

Apesar de a praça central ser ocupada durante a semana por dezenas de barracas, é aos sábados que Otavalo - cidade com 92 mil habitantes - se transforma. Dez ruas adjacentes são ocupadas organizadamente por mais de 4 mil bancas que vendem de frutas a roupas, de louças a temperos. Embora haja muita coisa para turistas, a maior parte da feira é frequentada por nativos que vêm de toda a região. Quando gostar de algo, pergunte o preço e se prepare para pechinchar bastante. É divertido.

As cores fortes dos artigos de lã de alpaca e lhama dão vida aos dias mais frios. Há casacos, luvas e gorros - modelos divertidos como dos Smurfs e do Shrek garantem risadas (experiência própria). Os gorros que imitam deuses incas também são disputados. Você pode garantir ainda um cachecol ou xale lindo para aquela sua tia.

Vida real. Antes de chegar ao centro da cidade, pergunte pelo mercado de animais, que funciona há 200 anos num amplo terreno desocupado. Dezenas de vacas, porcos e cabras amarrados em improvisados pedaços de corda são vendidos e trocados. Aproxime-se discretamente e tente acompanhar uma negociação. Galinhas valem US$ 4, coelhos US$ 3,50 e os cobiçados cuys (porquinhos da Índia), base da alimentação andina, desde US$ 2,50. Um programa nada turístico, não recomendado a defensores dos animais e vegetarianos militantes. Mas quem topar pode se preparar para tirar algumas das melhores e mais autênticas fotos da viagem.

Arredores. Não é só o mercado que faz Otavalo valer a pena. Uma boa pedida é passar uma noite na Hacienda Pinsaqui, que acumulou, ao longo de 300 anos, histórias das mais diversas. A mais famosa delas dá conta das noites em que o general Simón Bolívar se encontrava ali com sua então amante Manuelita Saenz, nos idos de 1819. Vale acordar mais cedo, dar uma volta e procurar o inusitado campo de palmeiras onde lhamas pastam com o vulcão Imbabura ao fundo.

Para estimular a população e os visitantes a conhecer o patrimônio natural do Equador, há três meses o governo suspendeu as taxas de visitação (inclusive para estrangeiros) em todas as áreas protegidas do país, à exceção de Galápagos. Para quem gosta de caminhada e quiser ver um vulcão mais de perto, a pedida é uma trilha no Parque Cotacachi Cayapos, pelas margens do alagado vulcão Cuicocha - que virou um fotogênico lago com três quilômetros de comprimento e duas belas ilhas no meio.

Como estamos a mais de 3 mil metros de altitude, vá devagar - o percurso leva cerca de cinco horas, mas o visual do gigantesco e nevado vulcão Cotacachi (4.996 metros) não tem preço. Comece a caminhada cedo para retornar à sede do parque ao pôr do sol (sempre às 18h10) que, refletido no lago, será a cereja do bolo.

Relax. O cansaço pós-trilha certamente vai bater. Nada melhor do que uma noite no La Mirage Garden Hotel & Spa (mirage.com.ec), a cerca de meia hora do parque. Com diárias a partir de US$ 350, é uma das mais aconchegantes (e elegantes) hospedagens do Equador. Os pavões caminhando pelos jardins, com suas flores impecavelmente cuidadas, dão charme extra a este Relais&Châteaux do século 19, que tem em seu restaurante (aberto ao público) seu ápice.

Apesar de estar a centenas de quilômetros da costa, serviu o melhor ceviche (US$ 11,90) da viagem, com suculentos pedaços de peixe, lula e camarão num apurado e precisamente temperado caldo de limão. O locro de papas (US$ 8,25) - sopa de batata com queijo e abacate - é um clássico equatoriano que o hotel prepara com esmero. Mas o destaque são as delicias imbabureñas (US$ 19,22), combinado de carnes de porco que pode ser servido de diversas maneiras. Faz mais que jus ao nome. /F.M.

lMolhado e crocante

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