Sabores locais nas ruas e nos bons restaurantes

Do café da manhã enorme ao sanduíche suculento, mesa judaica é farta, variada e influenciada pela fé

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2008 | 01h43

Comer em pé, na rua, com molho transbordando entre os dedos está na moda em Israel. O responsável pela falta de classe, que nem o mais elegante dos turistas consegue evitar, atende pelo nome de sabich, tem a forma de um sanduíche no pão pita e é, atualmente, a comida de rua mais popular no país. A receita do sabich foi criada por judeus no Iraque e virou hit nas barraquinhas israelenses há não mais de quatro anos. Berinjelas grelhadas, rodelas de ovo cozido e salada de tomate, cebola e pepino tentam se acomodar entre as fatias do pão. Missão que o molho salgado de manga torna ainda mais complexa. Só tem a ganhar quem desce do salto e aproveita. "A comida de rua israelense é interessantíssima", atesta Breno Lerner, de 54 anos, empresário e consultor de culinária judaica. E enumera mais iguarias: fundos de alcachofra recheados com carne moída e pinoles são vendidos nos mercados de rua na época do ano novo judaico, entre fim de setembro e início de outubro. Os shipudim, espetos de carne de cordeiro, peru, vegetais ou queijo, são encontrados a cada esquina. Ingredientes mediterrâneos - peixe, azeite, berinjela, alho, cebola - estão na base das receitas em Israel. Os árabes como shawarma (churrasco grego), falafel e homus (respectivamente, bolinho e pasta de grão-de-bico), também. Os dois últimos, aliás, são considerados os pratos nacionais por excelência. Bíblia da boa mesa no país, a revista Al Hashulchan acaba de lançar uma lista dos melhores restaurantes do país em 2008. Seis deles servem comida israelense - contemporânea ou reinterpretada. O Rafael, em Tel-Aviv, é considerado por muitos especialistas o melhor do país. As metrópoles israelenses têm bom sortimento de restaurantes de cozinha internacional. Mas caso esteja interessado em uma incursão pelos sabores nacionais, o visitante deve começar pelo café da manhã. "Uma aventura", exagera o consultor Lerner. Na gênese dessa aventura estão os kibutz, fazendas coletivas nas quais centenas de pessoas moravam e produziam alimentos, no início da história do Estado de Israel, nos anos de 1940. Os trabalhadores se revezavam em turnos a partir das 4 horas e, dessa forma, a mesa do desjejum era reabastecida várias vezes, tornando essa uma longuíssima e farta refeição, praticamente emendada no almoço. Um brunch.Os hotéis costumam servir esse café da manhã imenso, com carnes, peixes, saladas, pães e frutas. Os horários são bem parecidos com os das refeições nas capitais do Brasil. No jantar, os restaurantes costumam aceitar clientes até bem tarde, por volta das 23 horas. RELIGIÃOA culinária de Israel é muito influenciada pela religião. Os restaurantes kosher são subdivididos em fleishig (servem carne), milchig (servem leite e derivados) e pareve (servem comida considerada neutra, como peixe). No Eucalyptus, em Jerusalém, todas as receitas do chef Moshe Basson levam ingredientes mencionados na Bíblia. Na mesma cidade, o 1868 tem cardápio francês e costuma ser citado como o melhor restaurante kosher do país. Na sexta-feira à noite comem-se cozidos de carne, batata, ovo e feijão branco ou cevada - chamados de sofrito ou cholent. Esses pratos pertencem à tradição do sabbath, o dia de descanso do judaísmo, quando a religião não permite aos seus seguidores acenderem fogo. Assim, a refeição do sábado é preparada na noite anterior. O bolo de macarrão com calda de açúcar e pimenta é outro prato típico da data. 1868: King David St., 10, JerusalémEucalyptus: Horkanus St., 10; www.the-eucalyptus.comRafael: Hayarkon St., 87, Tel-Aviv

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.