Renata Reps/AE
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Saia do básico

Flanando em Paris é possível se deparar com um irresistível brechó ou uma inusitada passagem subterrânea. Deixe espaço para o improviso - e desfrute seus dias por lá

RENATA REPS / PARIS, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2012 | 03h11

Existem, basicamente, duas maneiras de se fazer uma viagem: seguir uma programação que permita o improviso ou reter-se estritamente ao itinerário que você fez antes de sair de casa. Em Paris, cenário de centenas de filmes e a segunda cidade mais visitada do mundo (perdendo apenas para a Londres da Olimpíada em 2012, segundo uma pesquisa recente da Mastercard) ser espontâneo pode ser a única forma de se surpreender.

Por exemplo, se durante a sua tarde de passeio pelo bairro do Marais e a caminho da incrível casa de chá Mariage Frères (mariagefreres.com), sua preferida, você passar pelo brechó a quilo Kilo Shop e decidir substituir a degustação sofisticada e aromática pelo garimpo de pechinchas espalhadas. Ou se, com o mapa nas mãos para ver a nova exposição do museu de história natural Quai Branly, você topar com a plaquinha indicando uma entrada subterrânea para o Museu do Esgoto (em frente ao 93 Quai d'Orsaye) e se perguntar "por que não?". Ou seja: caso opte, de coração aberto, por trocar o certo pelo duvidoso.

Não é que o básico de Paris vá perder a graça. A clássica vista da Torre Eiffel pela estação de metrô Trocadéro vai sempre arrancar suspiros; uma volta pelos arredores da Sacre Coeur pode animar o mais pacato dos domingos e ir da Praça da Concórdia até o Arco do Triunfo pela Avenida Champs-Elysées é um passeio que jamais vai ficar chato. Mas existe um momento, lá pela quarta estadia na Cidade Luz, que o turista experimentado fica um pouco cansado de ser turista. E quer conhecer outras coisas. Cantos escondidos, achados desconhecidos, locais que nunca imaginou que fossem combinar com os tons beges que dão o ar lânguido da capital francesa. E que, inevitavelmente, passam longe dos bateaux mouches, de um espetáculo no Moulin Rouge ou de um almoço no Mc Donald's do Louvre depois de se estapear para dar uma olhadinha na Mona Lisa.

Conhecer os lugares frequentados pelos locais é uma ótima maneira de compreender melhor o estilo de vida de uma nova cultura durante os poucos dias em que se está inserido nela. Em cidades muito concorridas, a estratégia tem ainda outro benefício: evitar filas, longas esperas e a possibilidade de pagar caro demais por um programa nem tão bacana assim.

Nas próximas páginas, você encontra uma programação carimbada pelos parisienses. De vários estilos, faixas etárias e custos diferentes, as escolhas têm a cara de quem vive por lá e têm hábitos e costumes específicos, como em qualquer outra cidade do mundo. Então reserve já o seu bilhete, pois pode ser que você nunca tenha visto esta Paris - mesmo que seja a sua quinta passagem pela cidade que, para mim, é a mais bonita do mundo.

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