Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Saiba como contribuir com as vítimas do terremoto no Nepal

Após novos tremores, aumentam demandas por doações. Repórter do 'Viagem' relembra seus dias no país e o patrimônio perdido

Felipe Mortara/Estadão, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 05h00

É muito difícil olhar para um lugar de que você gosta tanto destruído e ter a sensação de que nunca mais o verá como era. Desta maneira venho acompanhando os desdobramentos dos violentos terremotos que atingiram o Nepal nos dia 25 e 26 de abril, e que até o momento mataram mais de 8 mil pessoas. A cada dia surgem novas imagens das cidades, vilas e cantinhos por onde passei. Monumentos tombados pela Unesco e imortalizados em minha memória viraram escombros. Para piorar, um novo tremor de 7,4 graus na escala Richter abalou o país nesta terça-feira, 12 de maio, com diversas réplicas menores.

Estive por lá durante 23 dias em abril do ano passado, entre Katmandu e pela trilha que sai de Lukla (2.800 metros) e alcança o acampamento-base do Monte Everest (5.400 metros). A cada foto ou vídeo que vejo a dor se renova ao confrontar as saborosas memórias de um dos lugares que mais amei na vida. O amargor parece se alongar ao perceber que o medo dos turistas de irem para lá só vai comprometer o Nepal a médio e longo prazo. 

INFOGRÁFICO: veja os detalhes da nossa caminhada até o Everest

"A melhor forma das pessoas ajudarem os nepaleses sempre vai ser o turismo já que está é a principal fonte financeira do país", acredita Carlos Santalena, guia de alta montanha da Grade 6 Viagens e mais jovem brasileiro a escalar o Monte Everest. Ele estava a um dia de caminhada do acampamento-base da montanha no momento do principal tremor em abril. Após o fenômeno, resolveu ficar no país com seu parceiro José Eduardo Sartor Filho por mais três semanas, ajudando na arrecadação de verbas para reconstrução. No site da Grade 6 Viagens você encontra como contribuir para ajudar a região de Phortse. 

LEIA MAIS: É ético viajar a um lugar que acaba de passar por uma tragédia?

Assim como Santalena e Sartor, o montanhista e guia Manoel Morgado, um dos mais experientes na região do Himalaia, também está com um projeto de doações que vão diretamente a vilarejos locais muito atingidos. "O Nepal é um país paupérrimo com uma estrutura de amparo social do governo inexistente. Frente a uma catástrofe como esta se não houver uma forte ajuda internacional a situação se tornará ainda mais séria", explica Morgado.

Além disso, a época das chuvas chegará em breve, com três meses de fortes chuvas, e a situação tende a se tornar ainda mais séria, com a disseminação de doenças e perda da colheita. "O governo está centralizando muito da ajuda, mas não tem capacidade de fazer esta ajuda chegar onde tem de chegar. Então iniciativas como a nossa, pequena mas efetivas, são muito importantes", explica Morgado. As doações para a Manoel Morgado Expedições ajudarão alguns pequenos vilarejos da região de Gurkha, próxima do epicentro e na região de Tapting, no distrito de Solu, onde vivem os sherpas que trabalham com a empresa.

Durante os terremotos dos dias 25 e 26 de abril Jota Marincek, diretor da agência Venturas, também estava guiando um grupo de brasileiros com destino ao acampamento base do Monte Everest. Após garantir o retorno de todo seu grupo em segurança, está organizando palestras para contar sobre sua vivência na montanha. "Estou sendo muito procurado por amigos, clientes e desconhecidos em minha página, pedindo que eu faça uma palestra para contar do ocorrido. Decidi preparar esta palestra e reverter os fundos (R$ 30 por pessoa) para essa reconstrução. Além disso a Venturas ira dobrar o investimento de cada pagante", afirmou. A palestra ocorrerá na próxima quinta-feira, 28 de maio, no auditório da Escola da Vila - Unidade Morumbi (Rua Alfredo Mendes da Silva, 55). Solicite sua inscrição pelo e-mail projetomais@vila.com.br. No site da Venturas também é possível saber mais sobre como doar.

A médica e escaladora Karina Oliani, terceira brasileira a subir ao cume do Everest, em 2013, também foi ao Nepal ajudar na reconstrução. Em sua página na internet (karinaoliani.com.br) ela arrecada fundos para ajudar a região de Solu Khumbu e Helambu, onde reside Pemba Sherpa, que a acompanhou em sua empreitada. Já o alpinista Waldemar Niclevicz, primeiro brasileiro a escalar o Everest, endossa a iniciativa da organização não governamental Meninas do Nepal,  comunidade assistida pelo brasileiro Silvio, e pede doações diretamente na conta bancária do projeto, por meio do site meninasdonepal.com, clicando em "como contribuir".

LEIA MAIS: O que fazer quando uma catástrofe natural interrompe sua viagem

Danos. Tanto na montanha quanto nas cidades os estragos foram imensos. Entre as maiores perdas, inúmeros patrimônios da Unesco, que constituíam o centro histórico de Katmandu. Diversos templos em formato de pagodas que eram a alma do Durbar Square, a praça central da capital, ruíram. Se foram também algumas das construções anexas de Swayambhunath, uma das principais estupas do país, símbolo budista louvável. A torre de Dharahara, com 62 metros de altura, monumento símbolo da cidade erguido em 1832, foi abaixo.

Nas cidades medievais vizinhas de Bhaktapur e Patan, ambas consideradas patrimônio da Humanidade, o estrago também foi enorme. Em Bhaktapur, o Templo de Nyatapole, principal edifício da cidade, com sua escadaria com estátua de divindades animais, está irreconhecível. Já em Patan, o Palácio Real sofreu sérios danos, assim como várias outras pequenas construções do centrinho. Felizmente, o Templo Dourado, talvez o maior tesouro da cidade, ainda está inteiro.

Quando estive por lá, em 2014, não pude deixar de me encantar com a atmosfera de cada uma dessas cidades. Não se trata apenas da perda material, mas de um patrimônio inestimável. Nas montanhas, vivenciei aquela que até então tinha sido a mais mortífera avalanche da história do Monte Everest, com 16 sherpas mortos. Entretanto, os desdobramentos dos terremotos e as consequentes avalanches que se abateram sobre o acampamento base do Everest, matando 20 pessoas, mudaram os rumos da temporada de escalada e caminhada deste ano. O acampamento é montado e desmontado anualmente e ganha novas barracas espalhadas por uma imensa área que eu achava imune a avalanches. Isso porque durante meus dois dias por lá escutei umas oito delas, sempre pequenas em volume de gelo e neve deslocados, mas que ecoavam muito por conta do vale em que se encontra o acampamento. Duro imaginar o que encontrarei quando voltar novamente para Katmandu e para o Himalaia, mas entendo a importância de voltar como turista o quanto antes para ajudar mais ainda o país, que tanto precisa.

Mais conteúdo sobre:
Nepal Ásia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.