Glauco de Pierri/Estadão
Glauco de Pierri/Estadão

Salas de silêncio e equipe treinada para portadores de autismo

Mapas contam com um guia sensorial para que os pais possam saber quais estímulos as crianças receberão em cada atração

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 04h45

Invariavelmente, os parques exploram ao máximo os sentidos dos turistas, com uma explosão de cores e sons em vários tipos de brinquedos. Mas o que para alguns é sinônimo de estímulo, para portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode funcionar como gatilho para uma crise. Na rota para serem atrativos para todos os tipos de famílias, Discovery Cove, Aquatica e, mais recentemente, Sea World, se prepararam para receber esse público. 

Os parques foram certificados pelo Conselho Internacional de Padrões de Credenciamento e Educação Continuada (IBCCES, na sigla em inglês), que padroniza e regulamenta áreas da saúde, educação e ambiente corporativo para as necessidades de pessoas com deficiências cognitivas. 

Logo na entrada, os parques exibem um mapa das atrações com um guia sensorial de cada uma, onde pais de crianças autistas, por exemplo, podem conferir quais estímulos seus filhos receberão e se eles serão altos ou baixos – há dicas sobre olfato, visão, audição, paladar e tato. É uma maneira de tentar prever a reação das crianças a determinados brinquedos e, assim, decidir quais atrações elas poderão aproveitar melhor. 

Além disso, todos os funcionários foram treinados para receber famílias com integrantes nessas condições e acomodá-los da melhor maneira possível. Todos deverão passar por reciclagens a cada dois anos para que os três centros de entretenimento do grupo SeaWorld Parks & Entertainment continuem com a certificação do IBCCES. 

“Sempre buscamos tratar de acomodar quem nos visita, dependendo de sua necessidade. Agora, temos todos os recursos e ferramentas para oferecer tranquilidade às famílias com integrantes autistas ou outras necessidades especiais”, diz Kelly Clark, vice-presidente do Discovery Cove.

Parques têm espaços calmos para descanso longe de estímulos

Os três parques também são equipados com quiet spaces, salas silenciosas e com pouco estímulo para um período de descanso ou eventuais crises. Joseph Jansen, diretor do Aquatica, explica que os espaços foram desenhados com iluminação ajustável e assentos confortáveis, para que o visitante descanse da sobrecarga sensorial dos parques temáticos. 

“Acreditamos que o treinamento e os guias sensoriais específicos do parque fornecem informações úteis para garantir que nossos visitantes estejam munidos de todas as informações necessárias para se prepararem, serem informados e aproveitarem seu tempo em nossos parques”, disse Mark Pauls, presidente do SeaWorld Orlando. “Queremos criar memórias duradouras para todos os nossos visitantes.” 

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