Santa Teresa, descolada e tradicional

Clima interiorano e freqüentadores do mundo todo formam a deliciosa mistura de estilos do bairro

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2008 | 01h02

Clima bucólico, com ares de cidade do interior, misturado a uma atmosfera moderna e descolada. Em meio a tudo isso circulam cariocas, paulistas, italianos, americanos e uma infinidade de turistas do mundo todo. Nada, porém, abala a rotina dos moradores de Santa Teresa, que seguem subindo e descendo as ladeiras do bairro a pé, nos famosos bondinhos ou ainda nos ônibus, que fazem curvas a toda velocidade e são os únicos a destoar da tranqüilidade do cenário. Fora da orla, Santa Teresa cada vez mais integra o circuito turístico carioca. Afinal, consegue com maestria manter sua autenticidade e, ao mesmo tempo, oferecer serviços de qualidade. Entre o casario do século 19 há lojas modernosas como a Favela Hype, que nasceu no bairro em 2001 apresentando peças jovens e coloridas. Conhecido por ser um bairro de artistas, não é de admirar que surjam, aqui e ali, lojas de souvenirs e de peças de decoração. A maior parte fica nas imediações do Largo dos Guimarães, o mais movimentado dos três largos do bairro (há, ainda, o das Neves e do Curvelo). Uma das lojas mais tradicionais - e charmosas - é a La Vereda, onde você encontra desde abajures em formato de favela (a partir de R$ 485) até miniaturas do bondinho (R$ 38). Entre as mais novas, a Magia de Ser tem de tudo um pouco, incluindo roupas e acessórios. Caminhando pelas ruas, faça uma visita rápida ao Parque das Ruínas e garanta a foto da Baía de Guanabara. Aproveite e pare na Chácara do Céu, ao lado, museu com obras de Di Cavalcanti, Picasso, Miró... Além das lojinhas charmosas, o Largo dos Guimarães reúne boa parte das (ótimas) opções gastronômicas do bairro. Entre os clássicos está o Sobrenatural, especializado em frutos do mar. A fama salgou os preços e diminuiu a quantidade de camarão da moqueca (R$ 77), mas o restaurante ainda oferece um ótimo pastel de camarão (R$ 17 a porção). Se preferir provar a tradicional feijoada (R$ 40, para duas pessoas) do Bar do Mineiro no fim de semana (é servida de terça-feira a domingo), talvez seja melhor fazer reserva para evitar uma longa espera por mesa. No Espírito Santa, a cozinha brasileira ganhou combinações diferenciadas e deliciosas, como a trouxinha de axé, pacotinho de vatapá com camarão embrulhado como uma pamonha (R$ 17,50). Ou o filé de tilápia com farofa de pupunha empacotado em folhas sobre creme de banana da terra (R$ 38). Mas vá sem compromisso marcado. Os pratos são saborosos, mas muito, muito demorados. Entre as casas mais novas, o Asia é uma ótima pedida. Como o nome sugere, a especialidade é a comida asiática em geral - e não apenas o festival de sushis. Comece com uma porção de dim sum (R$ 16), bolinhos chineses no vapor. Dali para frente, é só escolher entre os curries (a partir de R$ 32), tipo de ensopado da Malásia acompanhado de arroz, ou os salteados, desde R$ 31. Ah, o prédio é uma atração à parte. O antigo casarão foi reformado e ganhou pisos de vidro e quatro ambientes - nos fundos, há uma bela vista. Prefere uma cerveja? No fim da tarde, o Armazém São Thiago - ou Bar do Gomes - fica lotado de boêmios, artistas, engravatados em happy hour e turistas de sotaques variados. Bem no espírito de Santa Teresa. Armazém São Thiago: Rua Áurea, 26 Asia: Rua Almirante Alexandrino, 256 Bar do Mineiro: Rua Pascoal Carlos Magno, 99 Espírito Santa: Rua Almirante Alexandrino, 264 Favela Hype: Rua Almirante Alexandrino, 592 La Vereda: Rua Almirante Alexandrino, 428 Magia de Ser: Rua Pascoal Carlos Magno, 110 Museu da Chácara do Céu: Rua Murtinho Nobre, 93 Sobrenatural: Rua Almirante Alexandrino, 432 Informações: informasanta.com

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