São Paulo

Ok, São Paulo pode não competir em beleza com a capital fluminense. Porém, a fotografia de cinema não busca necessariamente o que é universalmente belo. O cinza e o concreto da capital paulista parecem interessar muito ao cinema nacional e, em alguns casos, contribuem para dar um tom impessoal à cidade retratada na obra.

O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2013 | 02h17

Foi isso o que o diretor Fernando Meirelles procurou quando escolheu o centro de São Paulo como locação para Ensaio Sobre a Cegueira (2008). Embora a cidade não seja citada nominalmente no filme, paulistanos conseguem reconhecer locações como o Viaduto do Chá, o Teatro Municipal e o Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Outros pontos familiares compõem a cidade onde todos ficaram cegos, como a esquina das Ruas Aracaju e Piauí, no bairro de Higienópolis, que na produção se transformou em Canal com Royal Street.

A atmosfera underground está presente também no longa Dois Coelhos (2011), de Afonso Poyart. Logo nas primeiras cenas, a Marginal do Pinheiros e a Ponte Estaiada surgem no cenário. É ali que o protagonista Edgar (Fernando Alves Pinto) é assaltado por um motoqueiro e justifica o nome do filme: decide matar dois coelhos com uma "caixa d'água" só.

Com qualidade cinematográfica, a série Destino: São Paulo, exibida em 2012 pela HBO, mostrou a São Paulo dos imigrantes, com a realidade de seus bairros típicos. "Fugimos dos cartões-postais e exploramos a cidade com um olhar mais instigado, com coisas que só ela oferece", conta o diretor Fábio Mendonça.

"Em Nova York ou Paris as pessoas vão para Chinatown e ao Bairro Judeu, e os veem como fonte de cultura ou para enxergar essa coisa cosmopolita da cidade. Parti desse princípio, porque São Paulo é uma metrópole com muitas nacionalidades." Mendonça registrou reduto de imigrantes coreanos e bolivianos, como o Bom Retiro e o Pari, bairros pouco arborizados, porém provocadores.

Existe amor. No entanto, há quem discorde dessa visão melancólica e dura da cidade. Carlos Alberto Riccelli, ator e diretor de Amor em Sampa - recém filmado, mas com estreia prevista para 2014 -, justifica o nome da obra. "Vejo tanta força aqui. Quando filmo penso nisso, nos lugares que gosto de passar. Nesse filme, aparecem o Ibirapuera e seu auditório, a Bienal (bienal.org.br), a Sala São Paulo (salasaopaulo.art.br), o Masp (masp.art.br) e até os Rios Tietê e Pinheiros, que muitas vezes a gente esquece que são rios vivos." Ele ainda incluiu na trama outros ícones que fazem parte do imaginário paulistano, como o Terraço Itália e a musicalmente famosa esquina das Avenidas Ipiranga e São João.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.