Marco Pomárico/AE
Marco Pomárico/AE

Segredo com cenários e cores da Tailândia

Perdidas no meio do nada, Ilhas Andaman e Nicobar têm praias de água turquesa e densas florestas

Rachel Verano, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2009 | 02h52

De barco, a viagem demora mais de dois dias. De avião, mais de duas horas, partindo de Chennai (o mais comum) ou Calcutá. Nos mil quilômetros do caminho, a imensidão azul da Baía de Bengala ajuda a lavar a poeira, o caos, a alma.

Perdidas no meio do nada, já quase na fronteira da Tailândia e de Mianmar, as Ilhas Andaman e Nicobar reúnem o improvável por estas latitudes: praias de água azul turquesa, florestas densas e intocadas, bangalôs a menos de R$ 30 a diária e o melhor: quase ninguém.

Apenas 36 das 572 ilhas e ilhotas do arquipélago são habitadas e em muitas não é permitido sequer desembarcar. Na chegada, junto com o carimbo no passaporte (obrigatório mesmo para quem já estava no continente indiano), o viajante recebe uma autorização de permanência com uma série de regras, que vão de não ficar na praia depois do pôr do sol a não fotografar as tribos ou pisar nas ilhas proibidas. A punição para o infrator? Ser expulso do paraíso imediatamente. Sem direito a apelação.

 

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Para se ter uma ideia do isolamento da região, basta dizer que, depois do tsunami de 2004, o governo tentou oferecer ajuda a tribos até então sem contato com a civilização. A resposta veio na forma de flechadas. Melhor assim.

 

REFÚGIO

Já em Port Blair, a capital e ponto de chegada dos viajantes, é possível sentir que a Índia ficou mesmo para trás. Nada de trânsito, de buzinas barulhentas, de confusão para negociar os preços. Tudo o que ainda resta de civilização vai se perdendo no caminho à medida que vamos nos aproximando do que realmente interessa.

São necessárias mais duas horas de barco para vencer os 55 quilômetros que levam até a Ilha de Havelock, um refúgio de 100 quilômetros quadrados, 7 vilarejos e 3 praias principais, onde os bangalôs não costumam ter portas, as florestas chegam à beira-mar e até os elefantes aprenderam a nadar. Prova disso é o enorme e simpático Rajan, que passeia todos os fins de tarde pelos arredores da Praia Sete - com sorte, pela manhã, o turista poderá ver sua exibição na água, na companhia de mergulhadores.

Tudo em Havelock é em pequena escala. Há apenas um bar que serve bebida alcoólica, um único restaurante italiano, três minúsculos cyber cafés com conexões dial-up que podem passar dias fora do ar e duas escolas de mergulho - afinal, estamos falando de um dos melhores pontos do mundo para a prática do esporte. No fim de tarde, o programa é um só: assistir ao pôr do sol na Praia Sete, já eleita pela revista Time como uma das mais bonitas da Ásia. Tente repetir esse ritual durante toda a sua estada. Aproveite cada instante do espetáculo mais concorrido desses pequenos pedaços de terra.

Há anos fala-se numa tentativa de abrir um voo direto entre Phuket, a maior e mais movimentada ilha da Tailândia, e as Ilhas Andaman e Nicobar. Mas, pelo menos por enquanto, os voos internacionais estão bem longe, assim como a muvuca dos países vizinhos.

Os indianos têm conseguido manter um dos seus maiores e mais belos segredos a sete chaves. Sorte das poucas dezenas que desembarcam cada dia pela manhã: o paraíso é só para elas.

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