Segunda Descoberta

Com nome difícil e acesso ainda mais, Cumuruxatiba é um segredo bem guardado do litoral baiano

Nívea Terumi / CUMURUXATIBA,

02 Novembro 2010 | 10h00

 

 

Uma pequena vila de pescadores no sul da Bahia, de nome difícil e acesso ainda mais, mantida como segredo por quem já esteve lá. Cumuruxatiba tem praias que parecem saídas de catálogo turístico e um relógio próprio, capaz de fazer as horas renderem só para você poder aproveitar tudo sem pressa.

A agitação característica do litoral baiano vai ficando para trás à medida que seu carro se distancia de Porto Seguro, onde fica o aeroporto mais próximo. A partir dali serão quase 240 quilômetros para percorrer, os últimos 30 em estrada de terra, até chegar a Cumuruxatiba, pequeno distrito de Prado.

Se por um lado o caminho não será fácil, por outro você garantirá praias livres de ambulantes e da turma que gosta de deixar o som do carro no último volume (o que, aliás, é proibido por lá). Em vez disso, terá espaço mais que suficiente na areia. Mesmo na alta temporada, que vai do fim de dezembro ao carnaval.

Se for viajar neste período, procure fazer reserva com bastante antecedência. Resorts, claro, não existem naquele trecho. As pousadas costumam atingir o máximo de sua ocupação e moradores passam a alugar parte de suas casas aos visitantes – muitos deles mineiros e capixabas.

 

 

 

 

 

Cumuru (para os íntimos) faz parte da Costa das Baleias, local frequentado, de julho a agosto, pelas jubartes. Mas a proximidade com a Costa do Descobrimento, do qual fazem parte Porto Seguro e Arraial D’Ajuda, reservaram a esse trechinho do litoral baiano sua dose de história.

 

A 18 quilômetros do centro de Cumuru, a Barra do Caí, por exemplo, foi o local de desembarque dos portugueses, em 1500 (leia mais na página ao lado). O Monte Pascoal também fica próximo do vilarejo – tours de barco passam por lá – e batiza um parque nacional. Criada em 1961, a área de preservação tem 22.500 hectares, que incluem trechos originais de mata atlântica e uma reserva indígena.

 

Foram os pataxós, aliás, os responsáveis por batizar a região. Na língua dos nativos, a palavra Cumuruxatiba serve para descrever a diferença entre as marés alta e baixa ao longo do dia. É justamente esse movimento que revela atrações como o fundo de recifes da praia central ou a larga faixa de areia entre as Praias do Peixe Pequeno e do Peixe Grande.

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Internacional. Descendentes de pataxós e famílias de pescadores hoje dividem o vilarejo com argentinos, suíços, italianos e angolanos, que elegeram Cumuruxatiba como lar e abriram ali restaurantes e pousadas. Por essa razão é possível, por exemplo, se deliciar com pratos suíços na pousada do Hans. Ou provar a muamba, receita africana que lembra uma moqueca, no restaurante Mama África, da chef angolana Dolores.

 

Por causa de sua localização, o sul da Bahia também sofre influência de Minas e do Espírito Santo. O sotaque baiano não é tão acentuado, nem a comida muito apimentada. Tampouco você encontrará barracas de acarajé ou ouvirá axé. Mas a receptividade é grande e a gentileza, artigo comum por esses lados.

 

O primeiro contato com as paisagens do vilarejo pode ser feito de bicicleta. Use as bikes disponíveis na sua pousada ou alugue uma no centrinho (R$ 10 por dia). Em boa parte do ano, as faixas de areia da orla estarão quase desertas. E você será espectador privilegiado do vaivém das ondas cobrindo recifes de coral ou batendo nas falésias douradas.

 

Apesar da calmaria e de Cumuru contar com apenas uma rua de paralelepípedos, pousadas e lojinhas sem grandes pretensões, para alguns moradores a mudança foi grande nos últimos tempos. "Tenho saudade da época em que não tinha tanta festa por aqui", diz dona Ana Célia, doceira de mão cheia, que faz o melhor pudim de leite da região.

 

 

SAIBA MAIS

Como chegar: há voos diários de São Paulo a Porto Seguro, aeroporto mais próximo, por a partir de R$ 358, na Gol e R$ 474, na TAM . Até Cumuruxatiba, o trajeto de 240 km (dos quais 30 km são de estrada de terra) precisa ser feito de carro ou ônibus. Algumas pousadas oferecem o serviço.

 

Há linhas locais que fazem Porto Seguro–Prado e Prado–Cumuruxatiba. Mas é preciso conferir os horários, que são restritos. Terminal Rodoviário de Prado: (73) 3298-1273

 

 

Compras: o ateliê da mineira Renata Homem tem boas opções em cerâmica. Para conhecer um pouco do trabalho da artista, acesse: www.renatahomem.com.br Já a paulistana Eliana Begara trabalha principalmente com porcelanas e mosaicos. Peça para assistir à queima do raku, uma técnica japonesa.

 

 

Passeio: Uma das empresas que fazem passeios de barco e para avistar baleias é a Aquamar Ecoturismo. Rua Beira Mar, 7, telefone: (73) 3573-1360. Custa R$ 80 por pessoa. A Cumuru Magical Tour oferece passeios terrestres e marítimos. Telefones: (73) 8815-0240 e (73) 8833-9448

 

Veja também:

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