Hyndara Freitas
Hyndara Freitas

Segurança e vigilância, as palavras de ordem em Bogotá

Vestígios da guerra contra os narcotraficantes são vistas por todo lado na capital colombiana

Hyndara Freitas, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2017 | 04h30

Na Bogotá pós-guerra contra o narcotráfico, passado ainda não cicatrizado para os colombianos, a sensação é de segurança. E de vigilância constante. A era dos grandes cartéis acabou e a Colômbia se desenvolveu, mas vestígios dessa guerra são vistos em cada esquina da capital colombiana, principalmente na região central. 

Ver homens fardados (do exército, da polícia, da guarda municipal, da segurança oficial dos políticos) deixa claro que a palavra de ordem é proteger a cidade – e a pátria, já que se trata da capital administrativa. E, para mantê-la, aparentemente vale a pena abrir mão da privacidade e até do direito de ir e vir. 

Para acessar algumas ruas que cerceiam a Casa de Nariño, residência oficial do presidente da República, é preciso parar, abrir bolsas e mochilas e mostrá-las a um segurança. Só depois é possível ir rumo a pontos turísticos e históricos de Bogotá, como a Câmara dos Deputados e o Palácio de Justiça. 

Tanta vigilância dá, ao menos, certa tranquilidade aos visitantes, que podem caminhar por todo o centro, incluindo La Candelaria, sem receio de assaltos e furtos, tanto de dia quanto à noite. E na região há muito para se ver. A residência oficial do presidente pode ser observada apenas de fora, mas os mais interessados podem agendar uma visita guiada no site do Governo Federal da Colômbia (visitas.presidencia.gov.co) para conhecer o interior. Às quartas e sextas (14h30) e aos domingos (15h) é possível observar também a troca de guarda.

Seguindo nas ruas laterais da Casa de Nariño, chega-se a Praça Simón Bolívar, que abriga a Câmara dos Deputados, a Catedral Primada de Bogotá e o Palácio de Justiça. Os fãs mais atentos de Narcos vão lembrar de cenas da primeira temporada ao chegar no local: nos dias 5 e 6 de novembro de 1986, um grupo de guerrilheiros do M-19 tomaram o Palácio de Justiça, sede da Corte Suprema e do Conselho de Estado colombiano, e fizeram reféns as pessoas que se encontravam dentro do prédio. Ao saberem da invasão, soldados das Forças Armadas entraram no local, supostamente sem ordens do então presidente Belisario Betancur, o que resultou em um confronto que deixou 100 mortos, 12 deles magistrados, e 11 pessoas desaparecidas.

A versão oficial é de que a atitude do M-19 foi uma consequência ao descumprimento de um acordo de paz, que havia sido firmado no ano anterior, por parte do governo. Entretanto, muitos historiadores acreditam que a invasão ao Palácio de Justiça foi coordenada por Pablo Escobar – e é essa a versão retratada na série da Netflix. O chefe do Cartel de Medellín teria feito uma parceria com os guerrilheiros para impedir a Suprema Corte de autorizar sua extradição para os Estados Unidos. Os guias turísticos contam as duas histórias aos turistas. 

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