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Seis dicas para economizar em dólar na viagem ao exterior

Comida e transporte são despesas que, somadas, representam um alto custo ao viajar para fora do Brasil. Mas há como barateá-las - confira

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2019 | 07h00

Em tempos de dólar alto (e euro, libras, ienes...), qualquer economia em moeda estrangeira faz uma diferença enorme ao fim da viagem. A máxima "quem converte não se diverte" pode aliviar a consciência na hora, mas não alivia a fatura do cartão de crédito quando ela chega. A verdade é que passamos horas na internet pesquisando a passagem mais barata, o hotel mais vantajoso e, na hora da viagem, ficamos distraídos com despesas supostamente "menores", como transporte e alimentação. Um grande erro.

Para não cair nessas pegadinhas de viagem, separamos seis dicas para você aplicar na sua viagem no exterior que ajudam a economizar sempre - e não apenas em tempos de real desvalorizado. Confira a seguir:

Em vez de restaurante, supermercado

Longe de mim falar para abrir mão das delícias locais para ficar cozinhando por aí. Mas dá para fazer escolhas: pesquise os restaurantes que você realmente quer conhecer e vá nesses sem dor na consciência. Só não precisa comer assim todos os dias. Compre no supermercado local os itens para o seu desjejum, no caso de apartamento alugado ou de seu hotel não incluir o café da manhã. 

 Muitos mercados também vendem comida pronta, com talheres e até áreas com mesinhas e micro-ondas. É uma maneira de fazer uma refeição rápida, barata e com ares caseiros. Investir na comida de rua ou em mercados públicos é outra boa ideia: você experimenta a culinária local e paga menos do que em um restaurante tradicional.

Em vez de cartão de crédito, dinheiro vivo

A praticidade do cartão de crédito tem seu preço. Além do acréscimo do IOF de 6,38% para despesas no exterior, você fica sujeito às oscilações do dólar durante a viagem – a conversão é feita no fechamento da fatura. Claro que levar um bolo de dinheiro é sempre um risco, mas você pode dividir seus gastos durante a viagem: parte em dinheiro, parte em cartão. Compre a moeda aos poucos para não sofrer com as oscilações. 

Para travar a cotação do dólar, algumas empresas de câmbio têm ampliado as opções de compra de moeda, com opção de pagamento em até 12 vezes no cartão de crédito – como a operação é feita no Brasil, não incide a cobrança do IOF. Na Cotação, por exemplo, o cliente pode deixar avisado o valor que quer comprar de moeda estrangeira e até quando – os atendentes ligarão semana a semana para que a compra seja feita a uma cotação média semanal, como proteção contra as oscilações no dia a dia.

No caso do cartão pré-pago, o IOF para despesas é o mesmo: 6,38%. A vantagem é que, ao carregá-lo, você trava a cotação e não fica sujeito às oscilações da moeda. Sacar dinheiro lá fora é só para emergências. Sempre há taxas extras, que variam conforme o banco e o caixa eletrônico – mesmo com o cartão de débito de seu banco, ainda será cobrado IOF. 

Em vez de apartamento no Airbnb, quarto no Airbnb

Para quem viaja sozinho, alugar um apartamento inteiro no Airbnb pode ser uma despesa muito alta. Se você ainda quer se sentir um morador na cidade visitada e ter uma cozinha à disposição sem pagar tanto, alugar o quarto na casa de alguém é uma solução. A vantagem é ter contato direto com uma pessoa que conhece a rotina local e pode dar boas dicas. Fica bem mais barato e, de quebra, você pode ganhar um amigo. 

Fique atento, contudo,  às regras de cada casa:  algumas impõem horários para uso das áreas comuns. Cheque também  a reputação de seu anfitrião e as avaliações de quem  se hospedou antes de  você para não ter surpresas indesejadas. 

Em vez de transfer/táxi, transporte público

Antes de viajar, pesquise como é o transporte público no destino para onde você vai. Sair do aeroporto é sempre uma questão: você chega cansado e pronto para tomar decisões ruins e caras. 

Em Nova York, por exemplo, os serviços de van oficiais (como o SuperShuttle) têm um ótimo custo-benefício e te deixam na porta do hotel – custa, em média, US$ 20 por pessoa. Por outro lado, os táxis têm tarifa fixa de US$ 52 para Manhattan (mas há um adicional de pedágio e gorjeta, o que deixa a viagem custando de US$ 65 a US$ 70, em média) – compensa para quem vai em família. Metrô, nesse caso, não vale a pena: carregar bagagem e fazer baldeações não são coisas que combinam. Na dinâmica do dia a dia, invista em passes de transporte, que oferecem descontos para quem faz mais viagens e valem por um período maior.

Para os fãs de Uber, dá para economizar muito no exterior trocando viajar sozinho pelo Uber Pool, especialmente na saída de alguns aeroportos. Vale lembrar que, como o carro faz paradas no caminho, é importante sair com antecedência, caso tenha compromisso com hora marcada. Atenção: lembre-se que cada corrida vai cair no seu cartão com IOF de 6,38%.

Outra opção são as bicicletas e patinetes compartilhados, que existem em várias cidades e podem custar menos que o transporte público tradicional, com a vantagem extra de ser um passeio por si só. Fique atento, contudo, à segurança e as regras locais.

Em vez de alugar carro, apps de carona

Alugar carro é uma faca de dois gumes. A liberdade de dirigir para onde e quando quiser tem custos financeiros altos e uma tensão constante: entender placas, regras e encontrar lugar para estacionar. Aplicativos como o BlaBlaCar (bastante popular na Europa) informatizaram a carona. Você se cadastra, coloca onde está e para onde pretende ir e vê quem vai fazer o mesmo trajeto. Assim, vocês dividem a despesa. O Waze Carpool funciona com o mesmo princípio, mas é mais usado para locomoção dentro das cidades.

Em vez de viajar de avião, vá de ônibus ou trem

Comprar passagem múltiplos destinos para visitar mais de uma cidade costuma ser bastante vantajoso não apenas pelo preço, mas também por manter a franquia de bagagem internacional em todos os trechos (voos internos têm franquias diferentes). Mas há casos  em que viajar de trem, parando no caminho, pode valer mais a pena. Países como Suíça e Japão têm passes bem vantajosos que podem ser usados entre cidades e englobam transporte urbano A Rail Europe também oferece passes de trem que passam por múltiplos países, o que ajuda bastante na logística da viagem.

Não descarte os ônibus. Entre Portugal e Espanha, por exemplo, as empresas são eficientes e os custos, baixos. Vale a pena especialmente se você quer conhecer diversas cidades do caminho. Nos Estados Unidos, as opções vão variar de acordo com a rota desejada. Pesquise com atenção a dinâmica dos ônibus - em algumas cidades, não há rodoviárias e os horários de partida podem não ser 100% confiáveis.

DICAS DOS VIAJANTES

Viajantes profissionais dão suas dicas de ouro para economizar quando viajam ao exterior:

"Deixe alertas de buscadores de passagens ligados para os destinos que te interessam. Eles avisam quando o preço da passagem baixar. O mesmo vale para hotéis”

Mari Campos, do blog do 'Viagem' Sala Vip

"Transporte pode representar um gasto  muito alto na viagem.  Planeje seu roteiro de  maneira que você se hospede próximo aos lugares  que planeja visitar”

Lucas Estevam, do canal do YouTube Estevam pelo Mundo

"Alugar um imóvel nem  sempre é mais vantajoso  se você viaja com poucas pessoas, mas o fato de  poder cozinhar já é uma  economia que deve ser  levada em conta”

 Tarcila Ferro, da revista  'Viajar pelo Mundo'

"Quando for planejar os passeios, confira se o lugar não tem entrada gratuita. Alguns museus não cobram ingressos em certos dias ou horários. Assim você não abre mão do passeio” 

 

Anelise Zanoni, do  Instagram @travelterapia 

 

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