Lívia Cecília/ Divulgação
Lívia Cecília/ Divulgação

Seis horas de aventuras sobre as corredeiras

A fama de radical é mais do que justa: em 10 quilômetros de descida, o rafting Santa Virgínia tem adrenalina

Bruna Tiussu - O Estado de S. Paulo,

07 Fevereiro 2012 | 15h38

SÃO LUIZ DO PARAITINGA - O tranquilo deslizar do bote naquelas águas calminhas pelos 20 minutos iniciais fez pensar que o tão falado rafting de São Luiz do Paraitinga, a 187 quilômetros de São Paulo, não era assim tão radical e cheio de adrenalina quanto sua fama propaga. O movimento de ondas era zero, ruído algum indicava corredeira à vista e nenhum conjunto de pedras surgia se propondo como primeiro obstáculo. Estava claro que eu sofria da típica – e já esperada – ansiedade de principiante.

 

“É sempre assim. O visitante quer logo sentir a aventura. Calma que você vai remar e se segurar tanto que seus braços vão cansar”, disse o guia diante da minha cara de desconfiança. Com a experiência de quem faz o trajeto há 16 anos, ele, claro, estava certo. O roteiro Santa Virgínia, o mais longo dos três praticados na cidade, percorre 10 quilômetros do Rio Paraibuna em uma descida de 6 horas, passando por cinco corredeiras que garantem adrenalina lá em cima e corpo encharcado.

 

O ponto de partida do rafting fica na sede do Parque Estadual Serra do Mar, a 40 quilômetros do centro da cidade. E margeando todo o rio, uma bela paisagem composta pelas vegetações típicas da mata atlântica, onde, vez ou outra, se percebe a presença de pássaros comuns na região.

 

Um tanto de contemplação e algumas remadas depois, a corredeira Saltinho é a primeira a nos desafiar. De nível 3, não chega a dar medo, mas acelera o coração, como que para esquentar os ânimos dos aventureiros. As duas próximas, Salto Grande e Caixão, são de nível 4, de maior dificuldade e risco. Isso quer dizer que as chances do bote virar, cair dele ou engolir mais água, aumentam. O que deixa tudo mais divertido e empolgante.

 

Corredeiras classificadas como 5 e até 6, o nível máximo, também estão pelo caminho. Porém, por motivos de segurança, não são transpassadas. Nestes casos, o guia leva o bote até lá embaixo enquanto chegamos por uma trilha adjacente.

De volta a bordo, braços em ação para as próximas remadas e outra descida radical (também com nome sugestivo), a Vela Preta. Jogado de um lado para outro pela força da água, mais parece que o bote vai direcionado para a gigantesca pedra à frente. É isso mesmo. Ele bate, roda, e dançamos ali dentro. É quase inacreditável que ainda restavam forças para segurar tão firme.

 

Gran finale. O passeio conta com uma parada para lanche: encostado em uma prainha, o bote, agora invertido, vira mesa – com direito a toalha xadrez – acomodando frutas, lanches, biscoitos e sucos. O ideal é não exagerar, mas repor as energias é mais que necessário: daqui para frente, vamos rumo a outras aventuras.

 

Em formato de “L”, a Gamela é a última corredeira de nível 4. Mais giros do bote, mais topadas nas pedras, mais adrenalina. Depois, uma descida leve, chamada Surfe, e a surpresinha do guia: ele conduz o bote de volta ao fim da corredeira, onde nada se vê tamanha a quantidade de água que atinge a embarcação. Lutar para não cair parece batalha vencida, remar é impossível. Mas o grau de diversão é quase imensurável. Para esgotar o fôlego e concluir o passeio como se deve.

 

Ação heroica. Pode ser que a última imagem que você tenha em mente desses botes vermelhos seja durante a enchente que assolou São Luiz do Paraitinga no início de 2010. Quando a água tomava conta do centro histórico, atingindo inacreditáveis 12 metros de altura e colocando abaixo edifícios centenários e casas de várias famílias, as empresas operadoras de rafting não hesitaram: colocaram os botes à serviço da comunidade.

 

Cerca de 50 voluntários se mobilizaram e, remando sem trégua, alcançaram pessoas isoladas, resgatando mais de 800 moradores. Na operação memorável, ganharam o apelido de “heróis do rafting”. Mas, você há de concordar, não há nada melhor do que ver os botes na água cumprindo exclusivamente sua finalidade original: o lazer. 

 

Saiba Mais

 

Regras: para preservar o parque estadual, o rafting só é feito nos fins de semana, com intervalo de 15 dias – a capacidade máxima diária é de 12 botes na água

 

Empresas: são duas que operam na cidade, seguindo praticamente o mesmo esquema: Cia de Rafting  e Montana. Em ambas é necessário agendar o passeio com antecedência e o valor (cerca de R$ 200 por pessoa) inclui equipamento, guia, transporte da cidade até o parque, lanche, seguro e taxa ambiental

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