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Senhor da paisagem

A pequenina Pucón recebe 200 mil visitantes a cada ano. O trekking no Villarrica depende do clima - já a natureza preservada da região pode ser desbravada a qualquer momento

Silvio Crespo - O Estado de S. Paulo,

20 Novembro 2012 | 13h45

PUCÓN - No alto do vulcão coberto de gelo, o vento que deixa a sensação térmica em torno dos 5 graus negativos, surpreendentemente, não incomoda. Ao contrário, chega a ser bem-vindo, refresca o rosto quente e o corpo cansado das mais de 5 horas de caminhada sobre a neve, montanha acima. No cume do Villarrica, a ventania é uma espécie de boas-vindas e, ao mesmo tempo, de celebração.

A subida ao vulcão que é a principal atração turística da cidade de Pucón, no centro-sul do Chile, é longa e exige preparo físico razoável. Não que seja necessário ter experiência – basta não ser um sedentário convicto e se encher de disposição. O passeio, feito por 20 mil pessoas a cada ano, vale a pena mesmo que se percorra apenas parte da montanha. Subir o quanto for possível já é suficiente para ter a sensação de superação (os guias ajudam a decidir se é hora de desistir) e admirar a paisagem, que fica mais bonita a cada passo.

Fato que pude comprovar durante uma parada na metade da subida. Sentado sobre uma lona estendida na neve, com uma garrafa de água em uma das mãos e um chocolate de avelã que descia leve como um picolé na outra, ouvi de um turista: "Está boa a praia aí?". Boa estava, só que a 2.847 metros acima do nível do mar. E com um horizonte branco e azul diante dos olhos.

Depois do necessário refresco, a recompensa para quem chega ao topo é poder admirar o interior da cratera e ver a lava – quando a grande quantidade de fumaça permite. Se for possível, pode comemorar: é uma dádiva. E você ainda entenderá porque o Villarrica tem um constante filete de fumaça sobre seu cume, visível desde a cidade e de boa parte da região.

A descida é outra conversa. Se as condições da neve estiverem boas, é possível escorregar ao longo do declive em uma brincadeira-atividade que os locais chamam de esquibunda, assim mesmo, em português. Trata-se de um “esporte”, como eles dizem, em que o atleta senta sobre uma espécie de prancha de plástico amarrada ao corpo e desliza na neve. Os primeiros a descerem no dia – em geral, os próprios guias – demarcam as trilhas que serão percorridas pelos turistas. Os mais entusiasmados e corajosos conseguem atingir certa velocidade e fazer do esporte uma aventura. Nenhum problema se você for do tipo mais contido: frear é facílimo, mais até do que ganhar velocidade. A descida pode ser bem suave e tranquila.

Sem baixa estação

O trekking montanha acima pelo Vulcão Villarrica pode ser feito o ano todo. Já estação de esqui, o outro destaque da cidade, funciona apenas durante o inverno.

Mas, apesar de não ter baixa estação, isso não significa que a aventura está garantida. Quem programa uma passada rápida por Pucón corre o risco de ficar sem desbravar o alto da montanha, porque a subida só é autorizada quando o tempo está firme. No verão, são maiores as chances de encontrar clima favorável. Quatro a cinco dias, pelo menos, é um bom tempo de permanência. Um pouco de sorte também ajuda.

Uma vez confirmado que o passeio ocorrerá, em geral de um a dois dias antes da data agendada, você também precisa fazer a sua parte: dormir bem na noite anterior para sair cedo, por volta das 7 horas. E lembrar que vai carregar uma mochila com comida, água, roupas em camadas e a prancha do esquibunda. Os guias do passeio orientam a respeito do que levar. Cada grama a menos ajuda a economizar esforço no trajeto montanha acima.

Dezessete agências autorizadas em Pucón vendem o trekking ao cume do Villarrica. O pacote com transporte até a base da montanha, guia, roupas e calçados especiais e o equipamento necessário sai por cerca de US$ 100 (R$ 205).

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