Sergipe: não tem passeio repetido

             

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 02h30

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atire o primeiro frasco de protetor solar quem nunca fez uma viagem ao Nordeste assim. Em uma semana, cinco ou seis praias teoricamente diferentes - mas na vida real muito parecidas entre si (talvez parecidas também com as praias da sua penúltima viagem). No meio da semana, uma ida a uma piscina natural (cruzando os dedos para o tempo não nublar no caminho e os peixinhos ficarem à vista). Quem sabe um passeio de buggy, caso ainda não tenha sido proibido na região.

Pois saiba que em Aracaju você não corre o risco de fazer de sua semana no Nordeste um replay da anterior. O fato de Sergipe ter o mar menos apetitoso da região - águas cor de Toddynho, ondas intermitentes - leva você naturalmente a procurar o que o interior tem a oferecer. E é aí que Sergipe ganha o viajante. Praticamente tudo o que existe de interessante no Estado (e não é pouco) está próximo de Aracaju. A cada dia você pode fazer um bate-volta totalmente diferente.

São Cristóvão. A meros 30 quilômetros de Aracaju, na direção sul, a primeira capital de Sergipe acaba de ter sua Praça São Francisco elevada pela Unesco à condição de Patrimônio Cultural da Humanidade. Construída durante o período da unificação das coroas ibéricas, é a única praça do Brasil com as características de uma plaza espanhola. Chegue às 10 horas, quando abrem os dois museus do local: o de Arte Sacra, que funciona no Convento de São Francisco, e o Histórico de Sergipe, no antigo palácio do governo (peça para o monitor falar sobre as obras da sala de arte moderna).

Mas não fique só na praça tombada. Antes de chegar à cidade, suba ao mirante do Cristo Redentor, o primeiro do gênero no Brasil (repare na fisionomia do Cristo, muito mais expressiva que a do Rio de Janeiro). Depois de visitar o patrimônio da Unesco, continue em direção à Igreja de Nossa Senhora da Vitória até o complexo do Carmo, que tem outras duas igrejas: a do Convento do Carmo e a de Nosso Senhor dos Passos (conhecida também como Carmo Pequeno).

O melhor restaurante da cidade é o Sobrado, na Praça da Matriz (tel.: 79-3261-1310). Mas indispensáveis mesmo são os doces oficiais do lugar: o bricelete, um biscoitinho fino vendido no orfanato do Lar Imaculada Conceição (na Praça São Francisco), e a queijada, que não leva queijo, mas é o doce de coco mais delicado que você poderá provar, vendido na Praça da Matriz (exatamente na mesma calçada do restaurante Sobrado).

Laranjeiras e Itabaiana. Outra cidade colonial imperdível, Laranjeiras está a apenas 25 quilômetros da capital, na direção noroeste. Mas seu astral é inteiramente distinto do de São Cristóvão: maiorzinha, tem uma igreja em cada colina. Suba ao Bonfim para apreciar a vista do Vale do Cotinguiba. Visite também a Igreja do Sagrado Coração de Jesus e o Museu Afro-Brasileiro. Se puder, programe sua ida para janeiro, quando ocorre o Encontro Cultural (que, em 2011, estará na sua 36.ª edição).

Prossiga em direção a Itabaiana, 20 quilômetros adiante pela BR-235. Com um tour agendado previamente (tel.: 79- 9962-5457), vá ao Parque dos Falcões. Apesar do nome pomposo, o lugar é o sítio de José Percílio, um apaixonado por aves de rapina que cria 300 exemplares de falcões, gaviões e corujas e faz exibições de falcoaria para visitantes.

Percílio é impressionante: aprendeu o silvo de cada ave e tem completo domínio sobre os bichos. Ele recebe do Ibama aves machucadas ou mutiladas e consegue resultados excepcionais de reprodução em cativeiro. Algumas aves são inseridas na natureza. O ingresso custa R$ 15. Por mais R$ 15, o passeio pode ser complementado por uma caminhada guiada pelas trilhas da Serra de Itabaiana, onde há rios e cachoeiras (parquedosfalcoes.com.br).

No fim de semana, estando com crianças, outro bom programa nessa mesma região é o zoo-parque da Fazenda Boa Luz. O complexo combina um zoológico respeitável (com rinocerontes e ursos!), um pequeno parque aquático com fartura de toboáguas e um pesque-pague. Depois do almoço, ocorre um desfile dos bichos (incluindo zebras que se deixam montar) pelo parque. O hotel anexo é bastante charmoso (boaluz.com.br; diárias desde R$ 280, com café da manhã incluído).

 
Pantanal sergipano.
O litoral norte de Sergipe guarda surpresas agradabilíssimas. Atravesse a ponte sobre o Rio Sergipe e comece o dia com uma paradinha em Pirambu, 25 quilômetros ao norte de Aracaju, para visitar a primeira estação do projeto Tamar no País. Continue para o norte, seguindo as placas que apontam para Lagoa Redonda e Ponta dos Mangues (informe-se no caminho porque a sinalização é deficiente).

A Lagoa Redonda tem formato de rio e serpenteia ao longo de uma duna. Volte para a estrada que segue para o norte e você vai passar por uma das paisagens mais originais do Nordeste: o Pantanal de Pacatuba, que reúne dunas recobertas de vegetação, rios, lagoas, mata e mangue. Você vai precisar ver isso da estrada, porque não há visitação organizada - ainda assim, vale muito a pena. No meio do caminho, o Mirante do Robalo vai fazer você parar.

Mais adiante, à direita, chega-se à Praia de Ponta dos Mangues. Ali, procure pelo ponto onde os pescadores mantêm seus barcos, num braço do Rio São Francisco. Agora, pegando a bifurcação para a esquerda, você vai dar em Brejo Grande, na margem sergipana da foz do São Francisco (bem mais próxima de Aracaju do que a foz alagoana é de Maceió).

Litoral sul. E se você acha que Sergipe não tem mar azul é porque não foi à Praia do Saco, no extremo sul do Estado. Graças à nova ponte sobre o Vaza-Barris, os 65 quilômetros até a praia são percorridos rapidinho.

O lugar fica na confluência do Rio Real - e a Praia da Ponta do Saco, na barra do rio, tem areia branquíssima. Só dá para chegar à ponta com carro 4x4 ou reservando um passeio de barco (combine com o Aílton; tel:. 79-9936-9382). Na volta, trace um quebrado de aratu no Restaurante da Josefina, na Praia da Vila.

Agências de Aracaju vendem um passeio de catamarã ou escuna que sai de Porto Cavalo, no Rio Real, passa pela Ponta do Saco, pela Ilha da Sogra e vai a Mangue Seco, na outra margem do rio, já na Bahia. Querendo fazer por conta própria, uma dica é esticar o roteiro de lancha da Ponta do Saco até Mangue Seco também.

Cânion do Xingó. A 210 quilômetros, esse é o único tour realmente puxado a partir da capital. Existem pacotes organizados que vão e voltam no mesmo dia, mas há tanto o que ver e fazer por lá - por exemplo, passear no cânion alagado, visitar a Gruta de Angicos (onde o cangaceiro Lampião foi emboscado), dar um pulinho na cidade histórica alagoana de Piranhas - que é melhor passar pelo menos uma noite. As acomodações são modestas. O Hotel Xingó Parque cobra R$ 170 a diária (xingoparquehotel.com.br).

Aracaju. O melhor de Aracaju é que não há locais dominados pelos turistas. O Mercado Público, no centro, e a Passarela do Caranguejo, na Praia da Atalaia, são muito frequentados pelos moradores.

Fãs de arquitetura art déco vão se encantar com os prédios remanescentes que podem ser vistos no centro da cidade, na zona portuária e no bairro de Santo Antônio. Embaixo da ponte do Rio Sergipe há um polo de bares à beira-rio, na orla do Bairro Industrial.

Querendo algo arrumadinho, vá ao Bar do Sapatão; mas se o seu negócio for um sujinho autêntico, dirija-se ao Corno Velho. Quando estiver na praia, confira as barracas mais estruturadas ao longo da rodovia José Sarney. A mais tradicional é a Parati, na Praia do Refúgio; a mais nova, com parquinho para crianças, é a Com Amor Beach Lounge, um pouco mais adiante, já na Praia dos Náufragos.

 

 

 

 

 

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