Mônica Nobrega|Estadão
Ostrog é um dos pontos turísticos e de peregrinação mais visitados do mundo Mônica Nobrega|Estadão

Ostrog é um dos pontos turísticos e de peregrinação mais visitados do mundo Mônica Nobrega|Estadão

Sérvia e Montenegro: 10 dias nos países que poucos brasileiros conheceram

Nos Bálcãs, marcados por conflitos, os dois países compõem um roteiro de histórias, paisagens e sabores. Veja o que fazer na região

Mônica Nobrega , O Estado de S. Paulo

Atualizado

Ostrog é um dos pontos turísticos e de peregrinação mais visitados do mundo Mônica Nobrega|Estadão

PODGORICA - Mais de uma vez durante os cinco dias em que nos acompanhou, a guia Dijana Brkovic usou a expressão “território das memórias partidas”, ora relatando disputas políticas, ora em comentários de natureza religiosa. Aqui, na conturbada Península dos Bálcãs, a ideia faz bastante sentido. 

Uma das cisões recentes era central no nosso roteiro: Sérvia e Montenegro, os dois países que visitamos ao longo de dez dias em janeiro, eram um só até 12 anos e alguns meses atrás. De comum acordo, declararam-se independentes um do outro em junho de 2006. Estão entre os países mais novos do mundo. 

Este foi apenas mais um dos episódios de agrupamentos e divisões que marcam os Bálcãs ao longo dos séculos. A região foi dominada pelos impérios romano e bizantino. No fim da Primeira Guerra, foi formada a Iugoslávia, que juntou seis países: além de Montenegro e Sérvia, também Croácia, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia e Macedônia. A Iugoslávia começou a se desmanchar em 1991; Sérvia e Montenegro formaram um país unificado em 1992. 

Em 2008, a região autônoma do Kosovo (submetida a sangrentas guerras territoriais), se declarou independente da Sérvia, condição reconhecida pela maior parte do mundo ocidental, mas não pela própria Sérvia. A posição da Rússia é dúbia – o presidente Vladimir Putin visitou Belgrado em 17 de janeiro, mesmo dia em que chegamos à capital, mas não tratou do assunto, que é tabu. 

MAIS - Leia sobre outros destinos da Europa

O CAMINHO

Nossa viagem, no alto inverno e sob temperaturas quase sempre negativas, começou em Montenegro, onde aterrissamos na capital Podgorica – diz-se “Pogoritza” –, vindos de Roma. Fomos primeiro ao litoral, seguimos depois para o interior, para a cadeia de montanhas dos Alpes Dináricos e a visita ao espetacular Monastério Ostrog. Passamos à porção sérvia das montanhas e terminamos na capital Belgrado. 

No verão, recomendo fazer o roteiro em sentido contrário: começar em Belgrado, cidade com ritmo mais próximo do das principais capitais europeias, passar pelas montanhas e terminar com alguns dias à beira-mar no litoral montenegrino, de onde, inclusive, se chega muito rapidamente à Croácia – embora as praias de Montenegro não deixem nada a desejar às do país vizinho. 

As línguas locais são quase sempre um completo mistério, mas cardápios, folhetos e os trabalhadores do turismo falam inglês. O transporte de uma cidade a outra e entre os países é uma preocupação – ônibus é a melhor opção, mas com quase nenhuma possibilidade confiável de compra online antecipada. A boa notícia é que existe uma agência de receptivo criada pelo brasileiro Thiago Ferreira, que mora em Belgrado desde 2011. A Bem-vindo à Sérvia organiza excursões por toda a Península Balcânica, com guia que fala português. 

SAIBA MAIS

Como ir: na Alitalia, ida a Podgorica e volta desde Belgrado (ou o inverso) custa, em média, R$ 3.900; selecione a opção “vários stopovers” no site. Swiss e Lufthansa levam só a Belgrado, desde R$ 3.600.

 

Como passear: a agência Bem-vindo à Sérvia, baseada em Belgrado, monta roteiros por toda a área dos Bálcãs. Em grupo (geralmente, 4 a 6 pessoas), custa em média 120 a 250 euros por pessoa, por dia, com hotel, guia em português e passeios. 

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Cidades muradas à beira-mar

Em Montenegro, roteiro por Kotor, Budva, Tivat, Herceg Novi e Bar

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 04h30

BUDVA - É em Kotor que se pensa primeiro quando o assunto é turismo em Montenegro. Essa cidade do século 5.º deve boa parte de sua fama ao fato de ser um porto de cruzeiros no Mar Adriático – um dos mais bonitos e convenientes, já que o cais fica no coração da cidade. 

A parte antiga, murada, é como tantas outras da Europa e, ao mesmo tempo, diferente de todas elas: está praticamente encravada em um paredão rochoso com altura média de 1 mil metros. O efeito dramático da vista é impactante. Para chegar lá no alto e visitar o Castelo de San Giovanni é preciso subir 1.350 degraus.

Mas Montenegro não é só Kotor. Esse pequeno país de 600 mil habitantes e 70% da população formada por cristãos ortodoxos tem 290 quilômetros de um belo litoral, cuja característica mais marcante são as altas montanhas que seguem paralelas à linha da costa. As estradas são escavadas a alguma altura nessas encostas, de forma que a viagem tem a constante paisagem do mar ali embaixo. 

MAIS LITORAL

A cidade litorânea de Budva, de 10 mil habitantes, foi nossa principal base em Montenegro. Se o nome soa familiar, é possível que você seja ligado ao circuito europeu de festas de música eletrônica. Budva recebe, no verão, em agosto, o badalado Sea Dance Festival – este ano, David Guetta e Robins Schulz –, que em certas edições também monta palco na vizinha Jaz Beach (diga “Iaz”), frequentadora de listas de praias mais bonitas da Europa, como a própria Budva.

No inverno, o mar serviu como cenário – impecável – para ser admirado da varanda do quarto no Hotel Splendid (desde 80 euros; R$ 345), pé na areia e com uma curiosa estética dos anos 80. Também deu para admirar a transparência do mar na visita à Cidade Velha de Budva, murada, e na Mogren Beach, acessível por uma trilha curta que destaca as rochas cársticas da região.  

Em bate-voltas, fomos a Tivat conhecer o Porto Montenegro, um conjunto de apartamentos, hotéis, lojas e marina de luxo. Fornecer infraestrutura a iates é uma das apostas do país para se firmar no segmento de luxo e aumentar a procura turística. 

Por falar nisso, em 2017, dado mais recente, o total de brasileiros em Montenegro foi de 1.291.

De Tivat, fomos a Herceg Novi, outra beleza murada à beira do mar de águas verdes. 

A porção litorânea da viagem teve ainda visita à cidade murada (sim, são muitas) de Bar, principal porto do país, espremida entre o Adriático e o Lago Skadar, que faz fronteira com a Albânia e oferece uma paisagem linda – mais uma – no caminho entre o aeroporto em Podgorica e a rápida viagem ao litoral. 

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Um monastério nas alturas

Ostrog, ponto de peregrinação ortodoxa encravado na rocha sobre o vale do Rio Zeta, convida a descobrir o interior montanhoso

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 04h30

ZABLJAK - O Rio Zeta corre lá embaixo, no centro do vale. Paralela a ele, serpenteando pela montanha, segue a estrada em direção a um dos principais atrativos turísticos de Montenegro, o Monastério ortodoxo de Ostrog. Um daqueles casos em que só o caminho já causa suspiros. Mas ficou tudo ainda mais espetacular quando nosso micro-ônibus pegou uma estradinha estreita.

São 2,5 quilômetros de curvas fechadíssimas, essas que costumamos chamar de cotovelos, 16 delas. A cada direita-esquerda, esquerda-direita, trocávamos de janela no ônibus para não perder nem um lance da aproximação. A 900 metros de altura contados a partir do fundo do vale, a construção branca do monastério está encravada no paredão rochoso da montanha, dentro de uma caverna, equilibrada na beirada do precipício, um camarote para se observar a beleza do vale a seus pés. 

O local foi fundado por São Basílio de Ostrog no século 17. A construção atual é quase toda da década de 1920, quando o monastério precisou ser recuperado depois de um grande incêndio. São Basílio morreu ali, em 1671, e a grande atração é visitar seu corpo, guardado em uma capelinha dentro de uma caverna na rocha, abaixando-se para passar por uma porta minúscula e com direito a ficar uns poucos minutos lá dentro. 

O corpo não está embalsamado, nem mumificado, não passou por nenhum procedimento de conservação, diz a guia Dijana Brkovic. Ortodoxa, Dijana (diz-se “Diana” mesmo) é uma mulher de fé. Subimos por uma escada até o ponto mais alto da construção para ver a vista e murais pintados nas rochas da caverna depois que uma fonte d’água que existia por ali secou, enquanto Dijana conta os supostos milagres conquistados por fiéis que foram ao monastério, coisas como cura de doenças e gestações longamente desejadas.

Em média, 100 mil pessoas visitam o monastério a cada ano. No verão, a fila para entrar na capelinha onde está São Basílio pode demorar um dia inteiro. Os fiéis esperam a vez de tocar o corpo do santo, o que é permitido (preferi não, obrigada). Caravanas de peregrinos chegam para pernoitar ao ar livre, no terraço da entrada. Já no inverno é total tranquilidade. Site: visit-montenegro.com/monastery-ostrog.

 

PARQUE NACIONAL 

A uma altitude média de 1.500 metros, no Parque Nacional Dormitor, e cercada pelos picos mais altos de Montenegro, Zabljak é uma típica cidadezinha turística de montanha. Tem estação de esqui – vista da janela do meu hotel, o Polar Star (desde 65 euros; R$ 280 ), pareceu bem básica. O Lago Negro (Black Lake) é outro dos principais atrativos. Em dias congelantes como aquele em que visitamos a região, com farta neve caindo sobre nossas cabeças, o gostoso restaurante Jezero constrói uma mesa de gelo ao ar livre e, em copos também feitos de gelo, serve doses de rakija, destilado de fruta que é a bebida mais tradicional dos Bálcãs (leia mais sobre a rakija abaixo). 

No dia seguinte, no micro-ônibus, seguimos até a bela Ponte Tara, sobre o rio de mesmo nome, uma estrutura de concreto em arcos com 366 metros de comprimento e 149 metros de altura, considerada uma das pontes mais bonitas do mundo. Além de extremamente fotogênica, é cercada por tirolesas que atravessam de uma margem a outra. Terminava ali a parte montenegrina da viagem. Cinquenta quilômetros adiante, depois de um procedimento de imigração conduzido por um agente com cara de vilão de filme, entramos no território da Sérvia

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No coração da ex-Iugoslávia

Legado das disputas de poder e da tradição ortodoxa marcaram o caminho até Belgrado e seu clima de metrópole europeia

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 04h30

BELGRADO - Simonida Popov nos deu as boas-vindas à Sérvia com um abraço largo em cada uma das seis pessoas do grupo. Então, nos levou para comer. Nos dias seguintes, entenderíamos que a acolhida calorosa e informal de nossa guia sérvia, sem deixar de ser profissional, carregava muito do modo de ser da população local. Quando conhecemos o brasileiro Thiago Ferreira, que mora em Belgrado desde 2011 e criou a agência de turismo receptivo Bem-vindo à Sérvia, uma das primeiras coisas que ele nos disse foi que “sérvios são os brasileiros dos Bálcãs”.

Apesar disso, são ainda poucos os brasileiros que viajam à Sérvia: 2.579 em 2018, segundo o Ministério do Comércio, Turismo e Telecomunicação do país.

A população é 85% adepta da fé cristã ortodoxa, e os monastérios estão entre os grandes pontos turísticos. Encontramos o Mileseva, nossa primeira visita no país, na cidade de Prijepolje, todo coberto de neve fresca. Dentro do templo, que é do século 13, há uma espetacular coleção de afrescos medievais que retratam dinastias reais e patronos religiosos da Sérvia – é como uma Capela Sistina narrando a história local numa mistura de crenças e fatos mundanos. A imagem mais famosa é a do Anjo Branco, e diante dela a guia Simonida contou a história de Saint Sava, que tornou a igreja sérvia independente em 1219, 800 anos atrás – este ano de 2019, portanto, é de festa no país.

Passamos a primeira noite na Sérvia na cidade de Zlatibor, um destino de inverno com estação de esqui. O Hotel Olimp tem arquitetura à moda dos chalés alpinos como a maioria das casas da localidade. A diária começa em 4.650 dinares sérvios (em torno de 40 euros; R$ 173) por pessoa. Diferentemente de Montenegro, a Sérvia não está na Zona do Euro – exatamente por isso, o país é barato para se hospedar, passear e comer. A conta a se fazer é de 120 dinares para 1 euro.

De Zlatibor a Belgrado, paramos na cidade de Topola para conhecer Oplenac, o mausoléu da família real sérvia, da linhagem do Rei Pedro. Oplenac, monumento nacional, narra boa parte da história do reino da Sérvia e da Iugoslávia. 

CAPITAL

A Sérvia é o coração da antiga Iugoslávia, e sua capital, Belgrado, era a capital daquela república socialista. A chegada causou a sensação de voltar à Europa das metrópoles, depois de uma semana viajando por cidadezinhas. Hospedados no excelente Zepter, que tem quartos e flats bem modernos (o nosso, com sala, estrutura de cozinha, quarto e banheiro, começa em 120 euros para dois), exploramos a pé o centro da cidade.

Há antigos edifícios bombardeados. A poucos passos está a Praça da República, ponto de concentração popular para manifestações políticas, e em volta dela, uma grande área de quarteirões comerciais exclusivos para pedestres. Dá para caminhar em 20 minutos até o Museu Tesla, dedicado ao inventor Nikola Tesla. Em 25 minutos, chega-se ao Templo de São Sava, o maior ortodoxo do mundo e cujo subsolo é recoberto por mosaicos.

No sentido contrário, são outros 20 minutos até o Forte Belgrado, que acumula 16 séculos de história nas muralhas e palacetes. A entrada é gratuita, a fortaleza é enorme – pense em um passeio de três horas – e fica no encontro do Rio Sava com o lendário Rio Danúbio.

CIDADE CENOGRÁFICA DE EMIR KUSTURICA 

Para filmar 'Life is a Miracle' ('A Vida é um Milagre'; 2005), o cineasta sérvio Emir Kusturica construiu uma típica vila sérvia perto de Zlatibor, em Mokra Gora. Gostou tanto que foi morar na vila. E transformou Mecavnik - Drvengrad em ponto turístico.

A cidadezinha é construída de madeira e pedras. Tem hotel quatro-estrelas desde 70 euros por casal (R$ 303), com café e jantar, estruturas de esportes, piscina, três restaurantes, bar e uma loja de bolos que serve deliciosos (e ultradoces) bolos típicos sérvios. A igrejinha ortodoxa na praça central é consagrada a Saint Sava.

Em janeiro, Mecavnik - Drvengrad recebe o festival de cinema Kustendorf, também criado por Emir Kusturica (aliás, diz-se “Kuturitza”). Os filmes são apresentados na sala de cinema e nos anfiteatros interno e ao ar livre. Tudo cercado pela beleza das montanhas ao redor: mecavnik.info/en

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O que se come nos Bálcãs

Um pouco mais da culinária local - e lugares para experimentá-la

Mônica Nobrega, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 04h30

De forma geral, a cozinha dos Bálcãs é muito carnívora, ao mesmo tempo que repleta de vegetais produzidos na região. Restaurantes montenegrinos levam à mesa pratos individuais, enquanto sérvios gostam mais do formato de mezes, porções para compartilhar. 

RAKIJA

Na vinícola Masanovic, em Virpazar, na margem do Lago Skadar, provamos duas típicas bebidas montenegrinas. Primeiro, rakija (diz-se “rákia”), destilado de fruta feito com ameixa (a produção é expressiva), quince (uma parente da pera) e outras. A rakija é a cachacinha de boas-vindas, o trago para relaxar. Tem em qualquer bar e restaurante e é vendida nos supermercados. 

Segundo, o vinho tinto de uvas vranac, típicas de Montenegro. Um daqueles vinhos que dão a sensação de que você nunca beberá algo semelhante em outro lugar. A garrafa do varietal Krin custou 10 euros. 

KAJMAK

Kajmak (diz-se “kaimak) é uma pasta feita com nata de leite fermentada e sal. Acompanha pão, carnes e vai na receita de kacamak (diz-se “katchamak”), um purê de batatas com farinha de trigo que provamos no restaurante Jezero, à beira do Lago Negro, em Zabljak, Montenegro. Kajmak e kacamak são deliciosos.

PIMENTÃO 

Na Sérvia, é servido desde o café da manhã, assado, em conserva, empanado e recheado. Comprei meus vidros de ajvar, pasta de pimentões vermelhos, no excelente restaurante Manufaktura, que é também um empório no centro de Belgrado, por 10 euros cada.

PESCADOS

Sopa de peixe foi uma entrada que encontramos em todos os restaurantes. Mas a melhor foi a do Aqua Doria, na deliciosa cidade de Novi Sad, na província de Voivodina, norte da Sérvia. Jovem e vibrante, Novi Sad será capital da cultura na Europa em 2021 e vale tanto bate-volta desde Belgrado (uma hora de carro ou ônibus) quanto pernoite; tem uma bela fortaleza cheia de passagens secretas à beira do Rio Danúbio (não vá sem guia) e vida noturna animada no centro histórico.

CARNES

Uma prancha de carnes (vitela, porco, linguiças, kaftas), praticamente um churrascão, é um dos principais pratos da cozinha sérvia. Foi o que comemos no nosso último jantar, em uma kafana na boêmia rua Skadarska, a Tri Sesira, que existe desde 1864. Kafanas são as típicas, barulhentas e, infelizmente, esfumaçadas tabernas sérvias – ainda é permitido fumar nos restaurantes da Sérvia e de Montenegro.

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