Tivoli Hotels & Resorts
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Sete dicas para não cair no 'golpe da diária grátis' na internet

Perfis falsos de hotéis conhecidos têm oferecido no Instagram estadias gratuitas para pegar dados de usuários

Nathalia Molina, Especial para o Estado

04 de agosto de 2020 | 06h00

A grana anda curta, e a realidade, dura demais. Para quem gosta de viagem, a ideia de passar uns dias em um destino paradisíaco ou em um hotel de luxo chega a aquecer o coração, não? Tirando proveito desse desejo de conseguir passar um tempo de graça ou a um preço menor em um lugar maravilhoso, durante a quarentena, golpistas estão indo atrás de seguidores de perfis relacionados a viagens nas redes sociais.

O Emiliano, que mantém hotel e restaurante em São Paulo e no Rio de Janeiro, viu essa situação começar junto com a pandemia. Sinônimo de requinte, a marca teve seu logo usado por golpistas que criam perfis com nomes parecidos ao oficial (@hotelemiliano). Eles abordam os seguidores que mais interagem no Instagram. Entre os alvos preferidos estão pessoas que deixam comentários nas postagens ou que publicam fotos marcando o hotel, mostrando momentos passados no Emiliano, caso de publicações acompanhadas de #tbt, em lembranças postadas nessa rede social às quintas-feiras.

Quando toma conhecimento do perfil falso, a marca denuncia o caso ao Instagram. O Emiliano informa que fez isso todas as vezes e que os golpistas criam outro derivado do primeiro para continuar abordando antigos e futuros hóspedes. Os golpistas oferecem sorteio de diárias e descontos nos hotéis da marca e “tentam estimular o cadastro dizendo que se o usuário enviar os dados vai ficar sabendo de promoções imperdíveis”.

Muito usado por marcas para vender seus produtos e por clientes em busca de distração e serviços durante o isolamento social, o Instagram também atrai quem quer tirar dinheiro dos outros. Nessa armadilhas digitais contra viajantes, na maioria das vezes, os perfis falsos buscam reproduzir contas de hotéis. O Belmond Copacabana Palace, luxuoso e tradicional empreendimento no Rio de Janeiro, vem sofrendo isso há semanas, como alerta na área de destaques de seu perfil @belmondcopacabanapalace no Instagram.

O Tivoli Mofarrej também viu seu perfil @tivolimofarrej ser copiado diversas vezes desde janeiro, mais intensamente após a pandemia. “Apesar dos benefícios trazidos por essa moderna ferramenta de comunicação, é importante alertar que criminosos e fraudadores têm se aproveitado para criar indevidamente perfis falsos, que não tem qualquer relação com empresas sérias, com o objetivo de obter vantagens indevidas através da aplicação de diversos golpes e obtenção de dados de usuários”, diz Marco Amaral, vice-presidente de Operações para a Europa e a América do Sul da Minor Hotels, grupo proprietário da marca Tivoli Hotels & Resorts. “Infelizmente, parece que é uma realidade que vem afetando não somente o Tivoli Mofarrej, mas muitos hotéis e restaurantes brasileiros, principalmente do segmento de luxo.”

Também podem ser alvo dos golpistas perfis de agências e influencers. O Destinos Imperdíveis, acompanhado por 1,1 milhão de pessoas no Instagram, também experimentou isso pela primeira vez durante a quarentena. “Já tivemos outros casos em que criaram variações do @destinosimperdiveis para tentarem se passar por nós e conseguir viagens com órgãos de turismo de cidades e países. Mas tentando lesar os seguidores foi inédito”, diz Anderson Spinelli, que desde 2013 publica imagens na rede social. Os falsários mandaram mensagem direta oferecendo a participação em um sorteio de viagem à Suíça após o preenchimento de um cadastro.

“Perfis como o nosso, com um bom número de comentários, facilitam, pois o golpista vai direto nas pessoas que mais interagem e são mais ativas nas redes sociais.” No meio de julho, ele conta que ficou sabendo de uma conta falsa tentando se passar pela sua. “Logo na sequência, acessei o perfil e percebi que tinha sido criado havia pouquíssimos dias. De imediato, postei os Stories avisando sobre o golpe e pedindo para os seguidores denunciarem ao Instagram. Infelizmente, mesmo após milhares de denúncias, o perfil falso segue no ar.”

Outra que pediu aos fãs para denunciarem um perfil falso e ignorarem possíveis mensagens foi a Be Happy, agência de viagens românticas de alto padrão, que personaliza roteiros para algumas das ilhas paradisíacas do mundo, como Maldivas, Seychelles e Polinésia Francesa. Na sexta-feira passada, a agência descobriu a conta falsa apenas duas horas depois de ela entrar no ar, avisada por um cliente. “Esses golpes começaram com restaurante, depois foram para hotel e agora estão chegando na gente”, afirma a proprietária, Jacque Dallal. “Eles usaram meu logo, as fotos e até a descrição do perfil. Tive mais de 200 pessoas que denunciaram o perfil falso. Que mecanismo é esse do Instagram? Quanto tempo demora para tirar do ar?”

Além da conta falsa, a Be Happy foi vítima de outras três tentativas de golpe, só que contra o perfil @behappyhoneymoon. “Eles mandam uma mensagem direta em inglês falando ‘seu perfil foi denunciado porque você violou as regras do Instagram’ e que tem 24 horas para contestar, se não o perfil vai sair do ar’”, conta Jacque, que estranhou a senha do Instagram estar entre os dados pedidos e bloqueou as mensagens. “Isso é um crime cibernético. É a mesma coisa que você ser assaltada na rua. O Instagram é terra de ninguém. Escrevi para eles e não obtive resposta. Quem é o Instagram? A inteligência artificial, essa era cibernética é surreal. Não tem pessoas.”

A empresa incentiva os usuários da rede social a denunciar “anúncios, publicações ou contas que pareçam suspeitas” e ressalta que “não compartilha suas informações com a conta cuja publicação ou perfil você está denunciando”. Também avisa que as contas falsas informadas pela reportagem foram removidas. 

“É muito importante para nós que as pessoas no Instagram saibam que estão interagindo com a presença autêntica de alguém que seguem ou admiram, incluindo figuras públicas, marcas e entidades. Para garantir isso, o Instagram possui diferentes medidas em vigor para proteger a autenticidade de contas, entre elas verificação, detecção e remoção de contas. Fingir ser outra pessoa ou marca viola as Diretrizes da Comunidade do Instagram, e temos uma equipe dedicada a detectar e impedir que esse tipo de fraude aconteça”, informa um porta-voz do Facebook, empresa do mesmo grupo, em resposta ao Estado.

Novatos digitais são as principais vítimas

Após o isolamento social, muita gente passou a usar a internet e até criou perfis em redes sociais. Os golpistas se aproveitam da pouca experiência em lidar com o ambiente digital. “O acesso à internet vem crescendo, principalmente vendas online. Com o início da pandemia, muitos usuários que não eram familiarizados com o uso dessas ferramentas tiveram que aprender rapidamente a usá-las”, afirma Thiago Silva, especialista da Proteste, associação sem fins lucrativos, que faz parte do Grupo Euroconsumers, líder na América Latina em defesa dos direitos do consumidor, com cerca de 1,5 milhão de associados em cinco países.

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“A falta de conhecimento é um dos maiores facilitadores para os golpes, pois existe uma fragilidade perceptível no conhecimento básico de proteção quanto à privacidade e à segurança da internet por parte dos usuários”
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Thiago Silva, especialista da Proteste

Os dados podem ser usados de diversas formas, conta Silva. “Ao clicar em um link, por exemplo, o usuário pode acabar instalando um malware no seu computador que pode coletar dados, verificar atividades das mais diversas, até mesmo tentar ter acesso ao microfone e à câmera para poder subornar a pessoa depois”, alerta. Os golpistas também podem enviar um link para que as pessoas preencham os dados para receber a suposta oferta e acabem passando dados pessoais. “O cartão de crédito pode ser usado para realizar compras online, mas tem golpistas que não querem ser descobertos facilmente e preferem vender esses dados para outros. Por isso, um ataque pode acabar demorando para ser finalizado e, como ele ainda não aconteceu, os usuários ainda não sabem que foram enganados.”

A CVC Corp, que detém marcas como a CVC e a Submarino Viagens, reforça que é fundamental redobrar a atenção neste momento em que hotéis no Brasil estão reabrindo e consumidores já sinalizam o desejo de fazer viagens no futuro. De acordo com especialistas em cultura digital do grupo, “esse cenário se torna propício para criminosos criarem armadilhas no meio digital”. A empresa não teve conhecimento de golpes assim em relação a seus perfis e informa que tem equipe de monitoramento das redes sociais, para combater esse tipo de fraude.

Mas não é preciso sair da internet, alguns cuidados ajudam a se manter livre de problemas. Continue sonhando com hotéis e destinos, só fuja dos golpes. Para você não cair literalmente nessa roubada, reunimos aqui algumas dicas.

1. Redobre a atenção em redes sociais muito populares

O especialista da Proteste lembra que as redes sociais já eram usadas anteriormente para golpes virtuais, como na clonagem do Whatsapp e em posts patrocinados fakes no Facebook. “O uso do Instagram tem aumentado e os golpes acabam também migrando para lá. Hackers e golpistas seguem as plataformas mais usadas para aumentar as chances de sucesso em suas ações”, explica Silva. “Já existem vários relatos de golpes como conta hackeada, que é de extrema importância no Instagram pois usuários fazem dinheiro com suas contas; Money Flipping, aqueles anúncios do tipo ‘Fique rico rapidamente’; e até oferecimento de conta verificada.” 

2. Antes de clicar em um link, pare e avalie se parece seguro

“Ao receberem uma mensagem dizendo que foram selecionados para concorrerem uma viagem, as pessoas são tomadas pela emoção e acabam agindo no impulso, sem checar a fundo se a conta é verdadeira antes de passar dados pessoais”, diz Spinelli, do Destinos Imperdíveis. “Ainda mais nesse momento complicado que estamos passando. Acreditamos que prêmios como dinheiro e viagem mexem com a cabeça das pessoas, tornando-as mais vulneráveis.” Entre as recomendações de especialistas para um uso mais seguro da internet, o consumidor deve evitar acessar sites desconhecidos ou sem cadeado de segurança (com “https” no começo do endereço de internet).

3. Confirme se o perfil é realmente da empresa

Existem algumas formas de ver isso. A mais básica é entrar no site da empresa, buscar o símbolo da rede social e clicar nele. Se ele for parar no perfil da companhia, ótimo, você segue para o próximo passo: se certificar de que está na conta certa. Os perfis de empresas no Instagram costumam ser verificados. Isso significa que, ao lado do nome na rede socçial, é comum ter um selo azul com o sinal de checado dentro dele. Preste também atenção ao nome do perfil: o falso geralmente inclui um símbolo (por exemplo, “_” ou “.”) diferente do original e pode conter até erros grosseiros, caso do Tivoli Mofarrej que virou MofarreD na conta fake.

4. Verifique a existência da promoção

Uma dica da CVC é ver se a oferta de viagem está no site oficial da empresa. Aos fãs do Destinos Imperdíveis, por exemplo, os falsários prometeram que poderiam concorrer a um roteiro na Europa. “O golpista entrou em contato via direct message com diversos seguidores dizendo que nós resolvemos fazer um sorteio surpresa e que presentearíamos o vencedor com uma viagem para a Suíça. Para participar, era necessário preencher um cadastro”, conta Spinelli. O Instagram informa que os usuários devem denunciar não apenas perfis, mas também mensagens diretas e posts que violem as diretrizes da rede social – saiba como proceder para cada caso no fim do texto.

5. Não envie dados pessoais

A Polícia Civil de São Paulo orienta às pessoas a: “não passarem dados pessoais (telefone, email, número de cartão de crédito e senha) nem repassar qualquer código recebido por SMS para terceiros”. Para os seguidores do Emiliano, por exemplo, os golpistas mandaram uma mensagem dizendo que haviam analisado o perfil do usuário e que, ao enviar nome e telefone, a pessoa poderia participar de um sorteio ou receber promoções inéditas. “Eles enviam um número de protocolo e um SMS com um código de verificação com seis dígitos. Quando o cliente digita, eles invadem o celular e aí começam a pedir dinheiro para a lista de contatos, acessam as contas ao banco”, informa o marketing do hotel.

6. Use antivírus e verificação dupla no WhatsApp

“Todo equipamento deve ter um software de segurança para evitar tais problemas, como o internet security para o computador e o antivírus para o sistema android”, ressalta o especialista da Proteste. A Polícia Civil recomenda o uso da verificação em duas etapas no WhatsApp, com senha de seis dígitos – importante: não repassá-la a ninguém. 

7. Use o bom senso e desconfie

A pandemia, além de um problema de saúde pública, traz com ela recessão econômica. Muitas empresas, mesmo as de grande porte, enfrentam dificuldade para fechar as contas equilibradas. Na área de viagem, mais ainda, já que o setor parou logo que a covid-19 foi descoberta e ainda não vê perspectiva de uma retomada de fato. Então pode até ser que algum hotel ou influenciador tenha um capital guardado para distribuir um benefício a seus seguidores. Mas, pela lógica, não seria o mais comum de acontecer. “É sempre bom lembrar daquele ditado: ‘Quando a esmola é demais, o santo desconfia’”, recomenda o fundador do Destinos Imperdíveis.

Como denunciar perfis falsos no Instagram

- Toque em "..." na parte superior direita do perfil (para denunciar um post específico, busque por "..." acima da publicação)

- Toque em Denunciar

- Siga as instruções na tela

Como denunciar uma mensagem direta

- No Direct, toque e segure sobre a mensagem que deseja denunciar

- Toque em Denunciar

- Siga as instruções na tela

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