Adam Alexander Photography cortesia de Choose Chicago
Adam Alexander Photography cortesia de Choose Chicago

Seu guia definitivo do verão em Chicago

Descubra passeios para entender a arquitetura, o circuito de artes, os lugares badalados ao ar livre e os melhores restaurantes da estação na mais americana das cidades

Carla Peralva, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 05h00

Chicago é uma cidade para quem gosta de se maravilhar com o que seres humanos somos capazes de fazer. Não falo apenas de arranha-céus e prédios mirabolantes - apesar de haver as duas coisas por lá. Falo também da grandiosidade cultural que vem da capacidade humana de se reinventar.

A mais americana das cidades é também a cidade da arte, que se espalha por todo lugar: prédios icônicos, esculturas a céu aberto, artistas de rua tocando blues, grandes musicais, clubes de comédia, gastronomia vibrante.

De terra das cebolas selvagens - a interpretação francesa “Checagou” da palavra indígena “shikaakwa”, que denomina um tipo de cebola selvagem comum na região, deu nome à cidade - a entreposto comercial fluvial e ferroviário, Chicago crescia velozmente até ser destruída pelo Grande Incêndio de 1871. Depois do fogo, veio a reconstrução.

Novos bairros foram desenhados e o projeto urbanístico e arquitetônico foi repensado com ruas mais largas e de pedras (antes, muitas tinham piso de madeira, o que contribuiu para o fogo se alastrar), parques, melhor comunicação com o Lago Michigan e o rio. Em 1893, a cidade recebeu a Exposição Universal, criada para mostrar os avanços tecnológicos das nações. À frente do projeto estavam os arquitetos Daniel Burnham e Frederick Law Olmsted, que abriram caminho para Chicago se tornar famosa por sua arquitetura urbana.

De lá para cá, foram as ondas migratórias que modelaram a cidade. Negros do sul dos Estados Unidos, moradores de outros estados do Centro-Oeste e imigrantes de países como Polônia, Suécia, China, Tailândia e México criaram bairros próprios. Chicago lida até hoje com as questões criadas pela separação de brancos ao norte, negros ao sul do rio.

O próprio Rio Chicago, que corta o centro da cidade, foi modificado. Em 1900 seu curso foi invertido (sim, invertido) para evitar que os dejetos de matadouros e açougues chegassem ao Lago Michigan. Agora, o rio corre do lago para o Mississippi. Ele também foi despoluído e ganhou o Riverwalk, passeio público que segue as margens da água. Quando estiver pelo centro, desça as escadas próximas às pontes e ande pelas margens ver a cidade de outro ângulo - e beber uma taça de vinho na City Winery (11 W. Riverwalk South).

No clima

Até o fim de agosto, em pleno verão, Chicago fica com aura de férias, cheia de vida, shows gratuitos ao ar livre, praias e parques lotados, festivais gastronômicos com comida de rua - confira a programação em choosechicago.com.

Caminhe ou pedale pela orla do Lago Michigan, parando na grama ou nas praias para curtir o movimento. Comece pela parte norte do Lincoln Park, onde há uma das mais belas vistas do skyline da cidade, e desça até o Navy Pier, onde foi construída a primeira roda-gigante do mundo. Você pode alugar uma das mais de 6 mil bicicletas do sistema Divvy; o passe diário custa US$ 15

Outra forma fácil e eficiente de explorar a cidade é de metrô. O sistema em “L” das linhas do centro comercial batiza a região: The Loop. Os trilhos suspensos de ferro desenham a paisagem e oferecem boa vista para a arquitetura - principalmente as linhas marrom e rosa. O passe para sete dias com viagens ilimitadas de ônibus e metrô custa US$ 33 (metrarail.com).

O Chicago Greeter  conta com uma rede de voluntários que fazem passeios guiados para grupos de até seis turistas em diferentes áreas da cidade, em diferentes idiomas, inclusive português. Com pelo menos dez dias de antecedência, entre no site e faça sua reserva: você indica os dias disponíveis, suas áreas e locais de interesse e eles sugerem um passeio. Foi assim que conheci Howard Haik, americano que já morou no Brasil e há 15 anos participa como voluntário, fazendo tours em português. Ele guiou o grupo de jornalistas que viajava comigo por todo o Millennium Park.

Para você mergulhar de cabeça na cidade das artes, dividimos o roteiro por diferentes formas de expressão. Como você gosta de se comunicar com o mundo? Como você prefere absorvê-lo? É pela pintura? A arquitetura? Música? Comida? Moda? É só escolher.

ARQUITETURA

Loop a pé

É caminhando pelo centro, o Loop, que você entende a aura de Chicago. Os marcos arquitetônicos se revelam em construções neoclássicas e modernas, trilhos suspensos, esculturas grandiosas, prédios históricos. O edifício Marquette (56 W Adams St.), de 1895, é um dos melhores exemplos do estilo arquitetônico desenvolvido em Chicago, com estrutura de ferro, linhas horizontais marcadas e janelas padronizadas. No hall, mosaicos originais contam a história da cidade e há uma pequena exposição sobre arquitetura. O Rookery (209 S LaSalle St.) tem lobby redesenhado pelo famoso arquiteto Frank Lloyd Wright nos anos 1900. O Monadnock (53 W Jackson St.), do fim do século 19, carrega dois estilos: a porção norte é mais densa, de alvenaria; a sul aparenta mais leveza, feita com estrutura de aço. O primeiro andar é tomado por lojas e cafés; é como voltar no tempo. O Centro Cultural de Chicago (78 E Washington St.), de onde partem os tours feitos pelo Chicago Greeter, recebe exposições, palestras e recitais gratuitos. Vale entrar para ver o salão em homenagem aos generais da Guerra Civil e, especialmente, o domo de vitrais Tiffany, o maior do mundo.

Skyline pelo rio

Entenda a arquitetura da cidade em um tour guiado pelo Rio Chicago. Durante 90 minutos, o barco da First Lady percorre os braços norte e sul do rio enquanto um voluntário da Fundação de Arquitetura de Chicago (CAF, na sigla em inglês) aponta e conta as histórias dos prédios mais importantes. A chegada ao Navy Pier ainda reserva uma bela vista da cidade. Custa US$ 44,48.

Gold Coast de bicicleta

Fiz o tour guiado de bicicleta Lakefront Neighborhoods da Bobby’s Bike Hike (US$ 42,75). O passeio de três horas atravessa bairros rente ao lago, ao norte do Loop, enquanto o guia Elliot Cruz contava a história de Streeterville; da rica Gold Coast, com suas mansões, incluindo a mansão Playboy original, que já foi até dormitório estudantil antes de virar mais um prédio de apartamentos de luxo; da histórica Old Town, que abriga a bela igreja St. Michael; e do Lincoln Park. Mesmo não tendo prática com o pedal, foi um dos meus passeios preferidos. Fiz amigos e até paramos para tomar uma cerveja.

Casa da pradaria

A casa projetada pelo célebre Frank Lloyd Wright é hoje propriedade da Universidade de Chicago, na zona sul da cidade. Wright foi o pioneiro da chamada Prairie School, estilo arquitetônico do meio-oeste americano em que as casas são marcadas por linhas horizontais, que conversam com a paisagem da pradaria (prairie, em inglês). A casa construída entre 1909 e 1910 para a família Robie é um marco desta escola e, hoje, está aberta para visitas guiadas (US$ 18). Aproveite a visita para dar uma volta pelo campus, ver a capela e a biblioteca central, o prédio da escola de negócios e o museu do Instituto Oriental.

Vista do alto

Com 520 metros (110 andares mais as antenas), a Willis Tower (233 S Wacker Dr.) é o segundo maior prédio dos Estados Unidos. O observatório Skydeck fica no 103º andar e conta com três caixas inteiramente de vidro que se projetam para fora do prédio, dando a sensação de pisar no vazio. Custa US$ 24. O John Hancock Center (875 N Michigan Ave.) abriga no 94º andar o 360 Chicago, que tem vista para o lago (ingresso a US$ 23), e o Tilt, plataforma de vidro que se inclina para fora do prédio com oito visitantes por vez (US$ 8). Compre online para evitar a fila. E, se for o caso, um passeio pelos ares mostra a cidade desde a zona sul até o Wrigley Field, campo de beisebol e casa dos Cubs. O tour de 15 minutos da Chicago Helicopter sobrevoa a linha da margem do Lago Michigan. Custa US$ 158.

COMIDA E BEBIDA

Tendência

“Se você está vindo a Chicago pela pizza ‘deep dish’, bem, você precisa se esforçar mais.” Assim começa a edição da revista Bon Appétit que elegeu, no ano passado, Chicago como a “cidade dos restaurantes” do ano. O título é justo. Chicago tem uma cena gastronômica pulsante e bem espalhada pela cidade. Este ano, três movimentos saltam aos olhos (e bocas): menus com pratos pensados para serem compartilhados, surgimento de casas mexicanas autorais e fortalecimento da coquetelaria de alto nível. Para você explorar os melhores pratos que a cidade tem a oferecer, sugiro focar em três áreas.

Edgewater

O bairro residencial à beira do lago na zona norte conta com restaurantes locais que fazem valer a viagem pela linha vermelha do metrô. O Income Tax (5959 North Broadway) serve pratos sazonais reconfortantes para dividir e coquetéis clássicos. Prove o coq au vin, o risoto da vez e a tortinha de cebola. Já o Blowfish (1131 W Bryn Mawr Ave.) foca em sushis e lámens feitos à perfeição. Eles não vendem bebidas alcoólicas, mas você pode levar sua própria garrafa de vinho. O forte do m.henry (5707 N Clark St.) é o café da manhã - ou brunch, nos finais de semana -, bem americano.

Logan Square

Bairro jovem artístico da vez, a oeste de Wicker Park, com uma cena vibrante de coquetelaria. Agora no verão, a dica é escolher um bar com mesas a céu aberto e aproveitar bons drinques antes do jantar. Uma boa opção é a dobradinha The Moonlighter (3204 W Armitage Ave.), bar descontraído com cervejas e coquetéis na taça e na jarra, seguido do Giant (3209 W Armitage Ave.), restaurante Bib Gourmand (bom custo benefício segundo o guia Michelin), também com pratos para compartilhar. O chef Jason Vincent comanda a grelha e faz massas caseiras, além de bons pratos vegetarianos. Outra dica é o Quiote (2456 N California Ave.), restaurante moderno de comida mexicana autêntica, com pratos surpreendentes e um bar no subsolo com mais de 90 rótulos de mezcal (destilado ícone do México, também feito de agave, como a tequila). Prove o bolo de tres leches de sobremesa. Para um passeio mais descontraído, o Parson's (2952 W Armitage Ave.) reúne o público jovem típico da região para beber cerveja e drinques e comer peixe e frango fritos em um grande quintal com mesas coletivas e luzes de Natal.

West Loop

Na porção oeste do centro da cidade está a chamada restaurant row, ou fileira de restaurantes, com diversas casas premiadas literalmente uma ao lado da outra, o que torna a região o ponto gastronômico mais conhecido (e mais óbvio) da cidade. No Proxi (565 W Randolph St.), o chef Andrew Zimmerman criou o cardápio sob inspiração de comidas de rua do mundo todo. O melhor prato da casa é o tempurá de elote - versão frita do ícone das ruas mexicanas, milho assado e coberto de queijo, maionese, limão e pimenta. No Avec (615 W Randolph St.), com ambiente mais intimista e mesas compartilhadas, a inspiração vem de pratos mediterrâneos. Prove a cremosa brandade de bacalhau, servida com pão rústico artesanal.

Outras regiões

Fora desses pólos, outras casas merecem destaque. Em River North, a Beacon Tavern (405 N Wabash Ave.) tem clima de happy hour com boa comida - prove a torrada de brioche com camarão, regada com molho de manteiga, limão e trufa. O Three Dots and a Dash (435 N Clark St.) tem a entrada escondidinha em um beco. Lá dentro, no subsolo, um paraíso tropical que serve drinques tiki, com muito rum e tequila e a tradicional decoração havaiana-polinésia de flores e frutas que beira a total cafonice.

Em West Town, o Beatnik é o lugar da vez para brunch. Super concorrido (impossível sentar sem reserva), é um restaurante um pouco balada. Tem diversos ambientes e decoração que só consigo descrever como eclética e ostensiva - há lustres gigantescos, tapetes bordados, sofás, plantas frondosas e uma longa estrutura de madeira entalhada digna do que imagino que foi o quarto de Xerazade. A comida tem inspiração em pratos do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Vale provar o chai cinnamon roll.

Na Magnificent Mile, uma boa opção para o almoço é o Café Spiaggia (980 N Michigan Ave., 2º andar), com ambiente inspirado no cinema e pratos autênticos italianos - da burrata com crudos da entrada às massas caseiras. Em Lincoln Park, o Naoki Sushi (2300 N Lincoln Park) carrega aura de mistério - é preciso passar por dentro da cozinha de outro restaurante para se chegar a ele. Intimista e com serviço impecável, serve sushis, sashimis e niguiris à perfeição, feitos com ingredientes sazonais. Para os vegetarianos, o chef cria na hora peças surpreendentes com os vegetais da estação (até hoje sinto saudades do sushi de picles e flores de abóbora).

LITERATURA

Livraria

Em Andersonville, bairro sueco na zona norte, está a livraria feminista Women & Children First. São mais de 30 mil títulos escritos por e sobre mulheres, além de volumes infantis que abordam temas como gênero e raça. Aberta desde 1979, a livraria tem uma intensa programação cultural, com leituras públicas, debates, encontro com autoras e narração de histórias para crianças.

O mais legal é navegar pelas prateleiras olhando as dicas da equipe e de outros leitores: são papéis preenchidos à mão e presos embaixo dos livros que contam de forma bem pessoal e descontraída um pequeno resumo daquela obra e por que ela merece ser lida. Aproveite a visita para passear pela Rua Clark, entre as avenidas Foster e Balmoral. Ali está todo o charme de Andersonville, com cafés suecos, confeitarias, antiquários, brechós, o bar de cervejas mais legal da cidade (o Hopleaf) e uma loja super descolada que estampa camisetas e outras peças na hora (Strange Cargo Tees, ótima para souvenirs).

Museu

No centro comercial está o American Writers Museum, totalmente interativo, que celebra escritores americanos. A visita, que leva cerca de uma hora, começa com uma linha do tempo da literatura dos Estados Unidos, passa por citações (expostas em texto, som e até aroma) de grande obras, em gêneros que vão desde a poesia clássica até letras de rap, passando por artigos culinários e textos jornalísticos, e termina com jogos sobre o processo criativo da escrita. É possível votar nos seus livros americanos preferidos e participar da criação de uma história coletiva que vai sendo escrita durante o dia em máquinas de escrever. Ingresso a US$ 12.

MÚSICA E DANÇA

Jazz e blues

O jazz e o blues chegaram a Chicago com os negros vindos da zona rural do sul dos Estados Unidos. Desde então, os ritmos fincaram pés na cidade, criaram raízes e, nos anos 1950, Chicago já contava com seu estilo próprio de blues, com grandes nomes como Buddy Guy, Muddy Waters e Willie Dixon. Uma exposição em cartaz até 2019 no Museu de História de Chicago (US$ 19) conta a história do Chicago Blues por meio de fotografias e atividades interativas, como karaokê e um simulador de guitarra.

Para ouvir boa música e dançar a noite inteira, jogue-se nas casas especializadas. A B.L.U.E.S. é intimista, para sentar e ouvir enquanto beberica um drinque (US$ 5 a US$ 10; 2519 N. Halsted St.). Logo ao lado fica a Kingston Mines, com dois salões, duas pistas, duas bandas e muito espaço para dançar (US$ 12 a US$ 15; 2548 N Halsted St.).

O Green Mill, meu preferido, data de 1907. Mas sua fama se fez mesmo nos anos 1930, durante a Lei Seca americana. Um dos comparsas de Al Capone se tornou sócio da casa, que virou ponto de encontro de músicos, poetas e gângsteres. A máfia construiu túneis subterrâneos (que infelizmente não estão abertos a visitação) para criar rotas de fuga e levar bebidas para dentro do bar. Hoje, a aura do passado se mantém na decoração e na programação, que vai de leituras poéticas a sessões intimistas de jazz, voz e piano. O dia mais animado é quinta-feira, com pessoas de todas as idades dançando ao som de uma grande brass band. (US$ 4 a US$ 15; 4802 N Broadway St.).

Untitled Supper Club é um misto de cabaré, restaurante e bar de uísque. Gigantesco e imponente, se espalha por quatro salões no subsolo. Além de músicos, performances burlescas animam a noite. (111 W Kinzie St.). Na beira do rio está o River Roast (315 N LaSalle St.). Aos sábados e domingos, das 12h às 15h, rola brunch com blues. No cardápio, carnes assadas - é possível pedir um frango inteiro ou costelas de porco - trazidas inteiras da cozinha para serem cortadas à mesa.

Broadway de Chicago

“É tudo… show business”, disse Billy Flynn, personagem de Richard Gere no musical Chicago. E é mesmo. Entre peças, musicais e balés, a cena de grandes espetáculos na cidade é vibrante. Vale ficar de olho nas atrações de teatros históricos como Cadillac Palace, Oriental, Broadway Playhouse na Water Tower, Auditorium, Chicago e CIBC, onde o aclamado Hamilton está atualmente em cartaz.

ARTES PLÁSTICAS

Millennium Park

Aqui estão os principais cartões postais da cidade. É um grande projeto urbanístico pensado para celebrar a chegada do terceiro milênio, daí o nome. São três pontos imperdíveis. O principal é o Cloud Gate, “o feijão”, obra do britânico Anish Kapoor, a escultura pública mais icônica de Chicago. Feita com placas perfeitamente polidas de aço inoxidável, reflete todo o seu entorno de forma única e orgânica. Cada visita proporciona um cenário: vi um grupo de turistas que, ao se reunir para uma foto, acabou atraindo uma multidão de desconhecidos que se juntaram para participar da cena.

No centro de tudo está o Jay Pritzker Pavilion, um grande anfiteatro a céu aberto de estrutura metálica desenhada por Frank Gehry. No verão, há shows e exibições de filmes gratuitos. Mais à frente está a Crown Fountain. São duas torres paralelas que mostram o rosto de diversos cidadãos de Chicago. Alguns sorriem, outros estão sérios, outros fazem biquinho para acompanhar os jatos d’água “cuspidos” ao chão.

Museus

Desde a entrada marcada por dois leões de bronze, que guardam o museu desde 1893, até a escadaria envidraçada da Ala Moderna, o Art Institute of Chicago é impressionante. São mais de 300 mil obras, entre vasos gregos, porcelanas chinesas, tapeçarias africanas e fotografias, além de célebres pinturas como American Gothic (1930), de Grant Wood, e Old Man with a Gold Chain (1630), de Rembrandt. Não deixe de ver America Windows, conjunto de vitrais azuis de Marc Chagall, na ala leste. Se ficar com fome, a Ala Moderna conta com um bom restaurante, o Terzo Piano. Custa US$ 25.

Ainda no centro, mais ao norte, está o Museu de Arte Contemporânea (US$ 15), com obras que datam a partir de 1945. O prédio tem duas escadarias dignas de cartão-postal: a da entrada, ponto de encontro na região, e a interna, elíptica. A exposição Paraíso e Terra: Alexander Calder e Jeff Koon, em exibição até 2019, contrasta e a aproxima a leveza dos móbiles de Calder com os intensos trabalhos em metal de Koons. Até o fim de setembro, a nigeriana Otobong Nkanga está em cartaz com obras mutáveis e sensoriais, como um perfumado painel dos temperos que mostra quantos sabores familiares foram importados para os EUA.

Esculturas pelo Loop

O centro é repleto de esculturas de grandes artistas a céu aberto. Na Federal Plaza, cercada por prédios de Ludwig Mies van der Rohe, um dos pioneiros da arquitetura modernista, está o Flamingo, obra vermelha com mais de 16 metros de Alexander Calder, artista americano famoso por seus móbiles.

Na Daley Plaza está a primeira escultura modernista a ser instalada no Loop, presente de Pablo Picasso para a cidade, em 1967. Por seu conceito abstrato (há quem fale que a estátua foi inspirada em uma artista francesa, há quem diga - me incluo - que representa um cachorro), grandes proporções (são 15 metros de altura e 147 toneladas em aço) e história controversa (Picasso nunca havia visitado a cidade e fez o modelo que deu origem à obra a partir de um desenho seu não inédito), a escultura não foi bem aceita pelos moradores no começo de sua história, mas hoje já é um dos ícones da cidade.

Do outro lado da rua, na Brunswick Plaza, está a obra de outro espanhol: Joan Miró. A escultura O Sol, a Lua e uma Estrela, de 12 metros, mistura corpos celestes com o corpo feminino.

Grant Park e Museum Campus

De um lado do Art Institute está o Millenium Park, do outro, o Grant Park. Aqui, a Fonte Buckingham, de estilo art déco foi construída em 1927 como homenagem ao Lago Michigan (que está logo atrás dela), com quatro cavalos-marinhos simbolizando os quatro estados que fazem fronteira com o lago. De maio a outubro, de hora em hora, na fonte ocorre um espetáculo de som, luzes e jatos d’água que chegam a 45 metros de altura. O show fica mais bonito no fim do dia.

Na esquina com a avenida Roosevelt está a Agora, instalação da escultora polonesa Magdalena Abakanowicz, a obra mais recente desta lista, de 2006. Espalhadas estão 106 figuras humanas sem cabeça que “andam” em diversas direções. Você pode se perder entre elas.

Pertinho da Agora está a entrada para o Museum Campus, espaço à beira do lago que reúne o Aquário Shedd, o planetário Adler e Field Museum, de história natural. Além de uma das vistas mais bonitas do skyline da cidade, lá também está Man Enters the Cosmos, relógio de sol funcional criado pelo inglês Henry Moore.

Grafite e boemia

Bem no cruzamento das avenidas Milwaukee, North e Damen, na zona oeste, está o Flatiron Arts Building, todo tomado por estúdios de artistas locais. O prédio, ponto de partida para explorar Wicker Park, fica aberto dia e noite para visitantes. Mas é na primeira sexta-feira de cada mês que a mágica acontece: todos os artistas abrem as portas de seus ambientes de trabalho e, aí, andar (e se perder) pelos corredores apertados torna-se quase entrar em uma dimensão psicodélica, com instalações em andamento, esculturas inacabadas, grafites.

Aproveite a visita para andar pelo bairro, admirar os fashionistas da região e descobrir seus brechós, cafés hipsters, lojas de vinis e restaurantes da moda.

MODA

“Chicago tem uma moda urbana. Peças funcionais, mas ainda com estilo, que permitam vivermos essa cidade tão ativa e enfrentarmos o clima intrépido”, diz Laura Kofoid, criadora da marca Laudi Vidni. Na loja em Lincoln Park e no site, é possível customizar bolsas e carteiras: escolhemos o modelo, o tipo de couro, as cores, todos os detalhes, e o acessório é entregue em qualquer canto do mundo. Todo o processo de manufatura é feito dentro de Chicago e você termina com uma bolsa única, desenhada por você (os preços começam a partir de US$ 135; 1007 W Armitage Ave.).

Outra loja filha de Chicago que visitei foi a Optimo Hats, no edifício Monadnock. O prédio, do final do século 19, passou por um longo processo de restauração durante a década de 1980. Já nos anos 2000, lojas de ofícios que já existiam no século 19 foram convidadas a ocupar o primeiro andar. Assim, entre alfaiates e sapateiros, a gente se sente voltando no tempo. Os chapéus custam a partir de US$ 400 e são feito sob medida - se quiser comprar um à distância, eles marcam atendimento por Skype, para ensinar como se tira as medidas da cabeça. O chapéu usado por Johnny Depp no filme Inimigos Públicos foi feito por aqui (51 W Jackson Blvd.).

No mais, se a for a moda o seu jeito de se expressar no mundo, não deixe de visitar a Magnificent Mile, parte norte da Avenida Michigan, onde estão concentradas boutiques de grifes internacionais e grandes lojas de departamento. Se o seu coração é mais vintage, se jogue nos brechós de Andersonville e Wicker Park. Comprei um vestido florido perfeito dos anos 70 por US$ 4.

 

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