Solar do Carmo
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Seu hotel ainda cobra pelo uso do Wi-Fi?

Veja taxas extras que irritam os viajantes

Mônica Nobrega, colaborou Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2018 | 04h45

Nos últimos tempos nem é mais preciso pedir: ao fazer o check-in em um hotel, junto com a chave do quarto o hóspede recebe a senha do Wi-Fi. Demorou, mas a maioria das redes hoteleiras do planeta finalmente perceberam que cobrar pela conexão, hoje, é como cobrar pela água quente do chuveiro. 

Mas o Wi-Fi não é a única taxa extra que irrita hóspedes mundo afora. Margens de lucro fora da realidade nos produtos do frigobar ou no serviço de quarto deixam o visitante com a sensação de estar sendo enganado.“Wi-Fi, impostos e taxa pela cama extra são as cobranças que mais desagradam aos hóspedes”, diz Numa Sales de Paiva, cofundador e diretor de Produtos da agência online Zarpo. 

A questão, segundo Paiva, é a falta de transparência. Para competir de modo vantajoso nos metabuscadores online – sites que comparam preços – muitos hotéis divulgam a tarifa mais básica possível, sem incluir nem mesmo os 2% a 5% (no Brasil) do Imposto Sobre Serviços (ISS), tarifa da qual o hóspede não tem como escapar. “Por isso, o Zarpo só divulga preços com todos os pagamentos obrigatórios incluídos”, diz Paiva. 

Conta-se que Bill Kimpton, fundador da marca Kimpton Hotels, um dos ícones em hotéis-butique nos Estados Unidos, convidava hóspedes para beberem uma taça de vinho em sua companhia diante da lareira do Clarion Bedfort Hotel, em São Francisco, para ouvir deles as impressões sobre a hospedagem. O hotel não existe mais, mas a marca manteve a wine hour (hora do vinho) em seus 70 estabelecimentos em atividade, oferecida como cortesia aos hóspedes. 

Para Fernanda Ralston Semler, proprietária do hotel Botanique, na Serra da Mantiqueira, o bem-estar e a simplicidade dos detalhes é que fazem a diferença num hotel. Foi observando coisas que gostava e não gostava em suas viagens que ela criou o conceito do Botanique: o frigobar é liberado com cerveja e refrigerante, além de guloseimas brasileiras como biscoitos Globo e pé de moleque. “Puxa, você está pagando uma diária alta e o cara quer superfaturar uma garrafa d’água? Acho um absurdo”, diz.

Se o hotel demonstra falta de confiança ou vontade de explorar o hóspede, pode ter certeza: esse não volta mais. 

FRIGOBAR INACESSÍVEL

Em Reno, no Estado norte-americano de Nevada, levei um susto ao constatar que uma barra de chocolate Kit Kat custava, dentro do meu quarto, US$ 7,90. Recentemente, no simples, ajeitado e barato hotel Nacional Inn, na cidade de Piracicaba, a 130 quilômetros de São Paulo, tive a agradável surpresa de descobrir que um pacote de bolachinhas saía por R$ 4,50, e a garrafa de água de 500 ml, R$ 3,50. Detalhe: a diária do hotel americano custava pelo menos cinco vezes a do paulista. 

Na mesma Reno, vi pela primeira vez um sistema de sensores que detectam se algum produto foi tirado da bandeja de petiscos – caso o item não seja recolocado em cerca de 40 segundos, uma cobrança é automaticamente incluída na conta final do hóspede. Há estabelecimentos com sistemas similares em Las Vegas. 

E há hotéis e resorts que não permitem que o hóspede use o frigobar para armazenar itens adquiridos fora do hotel. Mesmo que seja uma simples garrafa de água que você comprou para não beber a do quarto pagando preço de vinho. 

Exemplos contrários são os hotéis Bristol Jangada, em Fortaleza, e Bristol Umarizal, em Belém, que incluem os itens do frigobar nas diárias que custam, respectivamente, R$ 215 e R$ 200 (bristolhoteis.com.br). O Estância Atibainha (hotelestanciaatibainha.com.br), em Nazaré Paulista (80 quilômetros de São Paulo), tem bebedouros por toda a área e café expresso gratuito. Diárias a partir de R$ 537 o casal, com todas as refeições e uma criança de até de até 12 anos. 

 

CULPADOS ATÉ PROVAREM O CONTRÁRIO

O check-out pode ser um momento de climão. Ainda hoje, há hotéis que fazem o hóspede esperar em pé enquanto um camareiro confere, no quaro recém-esvaziado, se houve algum consumo depois da última vistoria. 

A prática, ainda bem, está caindo em desuso nos maiores hotéis. Mas as pequenas hospedagens podem ser um reconfortante achado em termos de relações de confiança entre o estabelecimento e o hóspede. O Solar do Cosme é uma guest house – um modelo de hospedagem com mais cara de casa que de hotel ou pousada – que fica no bairro do Cosme Velho, na cidade do Rio de Janeiro. Além dos preços acessíveis, R$ 239 na suíte e R$ 199 no quarto com banheiro compartilhado, a casa trabalha num esquema de que vale a palavra do hóspede. A cozinha está à disposição para o preparo de comidinhas rápidas e há uma geladeira cheia de produtos à venda, que ninguém vigia: é o próprio visitante quem anota seus eventuais consumos ali para cobrança posterior, no check-out. Site: solardocosme.com.

SERVIÇO DE QUARTO A PESO DE OURO

Já eram mais de 22 horas quando voltei ao meu quarto no hotel Westin Bonaventure, no centro de Los Angeles, sem jantar. Desisti de pedir um fish and chips no quarto porque, somada a gorjeta de 18%, tudo custaria cerca de US$ 60. Desci para comer a mesmíssima coisa num dos restaurantes. Conta final: US$ 18. 

Em geral, hotéis de redes internacionais famosas têm serviços de quarto inflacionados. Ficar em hospedagens menores e mais locais é quase sempre certeza de cobranças mais razoáveis. O Villa Amazônia, nos arredores do Teatro Amazonas, em Manaus, cobra no quarto os mesmos preços praticados no restaurante. A diária para dois, com café, custa R$ 550 (villaamazonia.com).  

TUDO TEM SEU PREÇO

Há hotéis em que qualquer necessidade extra – seja passar uma camisa, emprestar um acessório esportivo ou estacionar o carro – pode virar uma conta bem salgada no check out. Mas há opções. No Villa Bebek, em Camburizinho, no litoral paulista (diária desde R$ 510 em dia de semana), bar e restaurante atendem o hóspede na praia ou no quarto pelos mesmos valores praticados no restaurante. A Pousada Porto Imperial tem estacionamento com manobrista incluído na diária (valor mínimo de R$ 420) em pleno centro histórico de Paraty. Berço, banheira e carrinho de bebê são emprestados sem custo extra no Royal Palm Plaza, resort em Campinas com diária de R$ 1.266 para dois adultos e duas crianças de até 11 anos.

Na Bahia, a Fazenda São Francisco do Corumbau, que tem apenas 10 quartos, passou a oferecer bicicletas e stand up paddle para uso à vontade durante a hospedagem. Os itens eram cobrados, mas deixaram de ser depois de pesquisas de feedback com hóspedes. Diária para dois, com refeições, desde R$ 2.470. Em Campos do Jordão, o Botanique inclui na diária (R$ 1.920 o casal) todos os itens do frigobar, manobrista e bicicletas. 

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