Carolina Sacoman/AE
Carolina Sacoman/AE

Siga aquela praia

Planeje sua rota pela orla paraibana com calma, mas deixe espaço para imprevistos - e também para improvisar. Liberdade, afinal, é parte do espírito de viajar motorizado

Nathalia Molina/ESPECIAL PARA O ESTADO,

30 Janeiro 2012 | 21h30

JOÃO PESSOA - Guardava João Pessoa na memória como uma parada no caminho entre Recife e Natal, para almoçar frutos do mar num restaurante de que meu pai gostava. Ele havia conhecido numa viagem a trabalho e quis aproveitar a passagem para mostrar à família os sabores descobertos naquela terra. Décadas depois, me veio à cabeça esse episódio quando saí com meu marido de carro para desbravar a Paraíba. Não voltei ao tal lugar para almoçar, mas mantive o apreço por alugar um carro e cair na estrada, especialmente em viagens no Nordeste.

Essa historinha infantil ilustra bem como João Pessoa era vista nos anos de 1980, e como ainda é encarada por alguns. Uma escala, um ponto no meio do mapa. Nesse caso, o mais oriental da América continental, aprenderá o viajante sobre Ponta do Seixas, na capital. Informação de almanaque apenas.

Na vida real, a Paraíba teve o azar de nascer entre Pernambuco e o Rio Grande do Norte. Ofuscado pelo tamanho e pela geografia dos vizinhos, o Estado demorou a entrar na rota dos viajantes. Atualmente é propalado por ser mais em conta que o restante da região e por manter clima de lugar pequeno, tudo verdade. Mas, de certo modo, essas comparações seguem desmerecendo as belezas paraibanas, como se o Estado precisasse de uma justificativa para ser escolhido entre os conterrâneos.

Interessante gastronomia do mar e do sertão, bonito artesanato rústico e moradores de bem com a vida (e com o turista) já formam em si um convidativo cenário de férias. Ainda mais considerando-se que a Paraíba tem 55 praias em 138 quilômetros de litoral de fácil acesso.

Pé na tábua. Por que alugar um carro? Tudo é muito perto, a Paraíba inteira tem 56.439 quilômetros quadrados de área - na porção litorânea, você percorrerá nem um quinto disso. Os passeios são na capital ou em cidades distantes no máximo 50 quilômetros.

Planeje bem a rota antes de sair, mas deixe espaço para imprevistos (trânsito não esperado, por exemplo) e para improvisar - um possível desvio a uma praia desconhecida, voltar àquela feirinha de artesanato... Liberdade, afinal, faz parte do espírito de viajar de carro.

Tem gente que fica em João Pessoa e vê o restante a partir de lá. A tática é boa, exceto para as praias do sul do Estado, que merecem mais do que um bate-volta e demandam mais tempo para o acesso a cada cantinho, na maioria das vezes por estrada de terra. Para desfrutar com tranquilidade da costa paraibana, o melhor é dividir a hospedagem entre a capital e o litoral sul.

Num roteiro combinado com os Estados vizinhos ou não, a Paraíba permite a possibilidade de economia no valor da viagem, não só na hospedagem, mas também no aluguel do carro e na parte aérea. Quanto maior a oferta, menor o preço, manda a lei do mercado. Tire proveito disso e pesquise, então, voos não só para João Pessoa. Recife e Natal têm farta malha aérea e, vira e mexe, são incluídas nas promoções das companhias. As locadoras nacionais mantêm lojas nos três aeroportos da região. Faça seu levantamento de preços e descontos para cada cidade.

Não se preocupe com o deslocamento entre as capitais. Pelo caminho, existem lugares que valem a parada. Você também pode ir direto ao ponto, para o litoral paraibano. O tempo de deslocamento é pequeno. João Pessoa está a cerca de 120 quilômetros da capital pernambucana, 180 quilômetros da potiguar. Pois bem, a Paraíba não está espremida entre as duas? Então, sorte de quem já a descobriu. É hora da revanche.

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