Sinfonia de buzinas no Vale do Silício indiano

Uma placa define bem Bangalore: em obras. A capital de Karnataka, que se orgulha de ter uma das maiores taxas de crescimento econômico da Índia, é o reflexo dessa efervescência. Muitos prédios e viadutos em construção, ruas sendo pavimentadas, areia e brita. A cidade que é considerada o Vale do Silício indiano concentra muitas empresas de TI (tecnologia da informação) e foi berço de gente como Sabeer Bhatia, cocriador do Hotmail. Abriga também quase todas as especialidades médicas do mundo.

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h08

Resultado disso são hotéis de luxo, edifícios modernos e o maior número de voos do sul - ao menos 16 companhias internacionais operam lá. É a mais globalizada cidade, com shopping center, lojas Benetton e Levi's, McDonald's, e Coca-Cola e Pepsi até em simplórios armazéns.

Mas não se engane: Bangalore não é a Califórnia. Nela, os cartazes dos filmes são de Bollywood e há um trânsito tão poluído e caótico quanto se pode supor, com toda sorte de carros, motos, bicicletas, tuc-tucs, tratores, caminhões, ônibus e animais. As ruas têm duas faixas, mas os motoristas inventam três ou quatro. "Na maior parte do mundo, a mão correta de direção é à direita. Na Inglaterra, é à esquerda. E na Índia, no meio", brincou um guia. Ressalva seja feita: os acidentes são mais raros do que se espera, o que faz crer que os indianos são os melhores e os piores motoristas do mundo.

Pendurados nesses veículos, de portas abertas, vão indianos espremidos. E permeando a confusão, desfilam quase 6 milhões de habitantes, muitos pelo meio da rua, já que as calçadas são poucas. Uma bagunça deselegante. Com sinfonia de buzinas para coordenar a confusão. Acredite: lá se encontram placas de "sound horn, please" (buzine, por favor).

Porém, nem tudo é bagunça. Bangalore cuida para preservar o que lhe rendeu o apelido de Cidade Jardim. O Lalbagh Gardens, com uma casa de vidro que imita o Crystal Palace de Londres, o Cubbon Park, a sede do poder legislativo (Vidhana Soudha) e o palácio de Tipu Sultan são pontos sugeridos de visitação. Entre os templos, o Bull Temple é o mais antigo e interessante, com seu monólito de Nandi, o touro do deus Shiva - erguido no século 16 a mando do fundador da cidade, Kempegowda.

Uma dica é evitar o Palácio de Bangalore, réplica do Castelo de Windsor construída pelo marajá de Mysore, Chamaraja Wodeyar, no século 19. Os preços da entrada mudam de acordo com o rosto do turista e perguntar encarece o tíquete. Não compensa o embaraço. Prefira passear pelas ruas comerciais, que vendem pashminas na calçada (US$ 2 a US$ 5) e lojas com artigos de prata a bons preços (tornozeleira, US$ 30 em média) e batas indianas (US$ 10 a US$ 15). / A.C.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.