Sob chuva e as bênçãos de Shiva, uma versão particular do Ganges

É verdade que o tempo estava instável e que já chovera no caminho de carro até o lago Grand Bassin. Mas, ceticismos à parte, difícil duvidar de que era presente dos céus a chuva grossa que começou a cair 20 minutos depois que nos misturamos à multidão do festival hindu Maha Shivaratri. Eles rezam por chuva, considerada bênção. E o visitante entra no clima da festa tão única.

GRAND BASSIN, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2013 | 02h18

Maha Shivaratri, que significa "a grande noite de Shiva", ocorre todos os anos, entre fevereiro e março. É um período de vigília e oração, quando se presta homenagem ao deus Shiva. Ao longo de quatro dias, moradores de todo o país viram peregrinos a caminho de Grand Bassin, de carro, ônibus de excursão e a pé. A título de oferenda, levam enormes móbiles de madeira enfeitados com flores, fitas coloridas e espelhos. Contam com a solidariedade de quem encontram pela estrada para alimentação e higiene pessoal.

Sagrado. No lago, o paralelo evidente é com o Ganges, o rio sagrado indiano. Homens de túnica e mulheres de sári carregam pratos de alumínio com flores de alamanda, bananas, laranjas e água de coco. As famílias reúnem-se nas pequenas bases de concreto construídas na beira do lago para orar e depositar a oferenda junto às águas ou nos coloridos altares de Shiva e outras divindades.

O cheiro de incenso é permanente, bem como o mantra repetido por horas a fio, que não vai sair da cabeça nos próximos dias: "Aum Namah Shivaya", pronunciado como se lê. Você, que não estava entendendo nada minutos atrás, quando se dá conta aprendeu e participa do coro coletivo sem errar o tom.

Apesar da grandiosidade da festa, são poucos os estrangeiros ali. O que nos transforma em atração também: há pedidos de fotos, bênçãos que partem de desconhecidos a todo momento, sorrisos sem fim.

Todos tiram os sapatos. O lago transborda por causa da chuva e não é possível manter os pés secos. Uma experiência que está longe de ser limpinha. Mas, abençoada inclusive por um guru que pintou um sinal vermelho na minha testa logo que cheguei, e amarrou ao meu pulso uma fita da mesma cor em várias voltas, vamos dizer que eu me sentia protegida e imunizada.

Ok, pode me considerar influenciável. Mas o fato é que a tal fita arrebentou no exato momento em que pisei no aeroporto de São Paulo, sã e salva, e de volta em casa. / M.N.

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