Renée Pereira/AE
Renée Pereira/AE

Sob efeito da 'euforonha'

Um estado incontrolável de frenesi se apodera de quem chega a Fernando de Noronha

Renée Pereira e Camila Anauate, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2013 | 02h11

É amor à primeira vista. Quando as primeiras paisagens despontam no horizonte, começa um frenesi incontrolável. Cliques, flashes e movimentos impacientes no pequeno espaço do avião. Todos querem o melhor ângulo para registrar a ilha lá embaixo, protegida por grandes rochas, falésias e águas transparentes em degradê de azul e verde.

Os passageiros ainda não sabem, mas são esses os primeiros sintomas da "euforonha", um fenômeno que toma conta de quem visita o Arquipélago de Fernando de Noronha, na sabedoria dos ilhéus. É o início de uma viagem repleta de aventuras - e muitos outros cliques.

Do desembarque, o turista segue para o centro de visitantes, onde assiste a uma palestra sobre geografia, história, fauna, flora e tudo o que se tem para ver e fazer na ilha. Burburinho, comichões. Estado avançado de "euforonha". Será preciso pelo menos cinco dias para explorar como se deve esse paraíso ecológico.

Isolado no Oceano Atlântico, o arquipélago de apenas 26 quilômetros quadrados, formado por 21 ilhas e ilhotas vulcânicas, é lar de tartarugas e golfinhos e dono das mais belas praias do Brasil. Não à toa, ganhou status de Patrimônio Natural da Humanidade da Unesco em 2001, e virou sonho de consumo turístico. E pensar que esse santuário já foi capitania hereditária, prisão e até sede de base militar norte-americana na Segunda Guerra.

Essa história está bem preservada, assim como tudo o que a natureza criou de mais bonito por ali: litoral recortado, falésias, recifes, rochedos. E um mundo incrivelmente colorido debaixo d'água. A localização afastada da costa ajudou - são 360 quilômetros desde Natal e 545 do Recife, as duas únicas cidades de onde partem voos para Noronha.

Equilíbrio é o condutor do desenvolvimento local há 20 anos, quando o turismo começou a ser explorado. Hoje, Noronha passa por um momento importante: depois de décadas nas mãos do Ibama, a área correspondente ao Parque Nacional agora é administrada por uma empresa, a Econoronha, que investiu na renovação do aeroporto e na acessibilidade das praias. O dinheiro vem de uma nova taxa que os turistas pagam para visitar as atrações (leia mais na página ao lado).

Quando ir? Praias lindas estão lá sempre, mas antes de planejar saiba que de setembro a fevereiro faz um calor seco e de março a agosto chove bastante. Em qualquer caso, leve tênis para as trilhas e se prepare para guiar um buggy, o veículo oficial.

Tudo em Noronha é espalhado. A única via de asfalto é a BR Transnoronha - de resto, só terra e pedra. Os passeios de 4x4 (Ilhatur) e de barco são boas pedidas para os primeiros dias. Depois é só decidir aonde voltar.

As praias estão divididas em dois grupos: as do Mar de Dentro, voltadas para o continente, são mais tranquilas e têm águas transparentes, ideais para mergulho - em alguns pontos, a visibilidade chega a inacreditáveis 50 metros; as do Mar de Fora sofrem mais influência dos ventos e, portanto, suas águas são mais agitadas e de coloração azul-escuro.

Entre caminhadas, mergulhos e noites de forró, você vai descobrir todas as causas da "euforonha". E voltar feliz por ter visto cenários de tirar o fôlego, vivido momentos de perder palavras.

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