Sobrevoo aos corais aquece o coração

O dia amanheceu chuvoso. E eu não me conformava: desde a minha chegada à Austrália, o sol havia sido um companheiro inseparável. Como ele ousava sumir logo no dia do voo panorâmico sobre a Grande Barreira de Corais?

HAMILTON ISLAND, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2013 | 02h11

Cheguei a achar que o tour seria cancelado. Mas, quando a van passou para me buscar no hotel, a atendente da Hamilton Island Air me tranquilizou: "O tempo vai melhorar", garantiu.

Verdade. Assim que chegamos à base aérea, as nuvens começaram a dissipar. Enquanto nos pesávamos para que o piloto soubesse onde acomodar cada um no hidroavião, o céu ficava mais azul.

O tour, de três horas (AUD 399, R$ 805), é muito procurado por casais - todos os folhetos turísticos consideram o reef em forma de coração o ponto alto do sobrevoo. Não para mim - mas não por falta de sensibilidade, juro. Assim que o avião se aproximou daquela gigantesca porção de mar verde claro, tão claro que avistei dezenas de tartarugas marinhas lá do alto, fiquei com um nó na garganta. Era tudo tão lindo que até esqueci que precisava fotografar.

A meu ver, é preciso boa vontade para enxergar o coração (bonitinho, claro) em um reef minúsculo. O cenário completo é muito mais espetacular.

Na volta, pousamos no mar para curtir Whiteheaven Beach, praia de areia branquinha com zero de infraestrutura, munidos de cestas de piquenique e champanhe. Um brinde à natureza.

Aos poucos, as nuvens foram voltando. Quando o piloto nos chamou para entrar no avião, os seis ocupantes sorriam. Talvez fosse o champanhe, mas a impressão que eu tinha era que estávamos inebriados com tanta beleza. Não lembro se voltou a chover. Já não importava. / A.M.

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