Luiza Cervenka|Estadão
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Solte os cachorros: 5 dicas essenciais para viajar com o animal de estimação

Planejamento é fundamental para tirar férias ao lado de seu bichinho. As exigências mudam de acordo com o destino – e o processo leva tempo

Luiza Cervenka, Especial para O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 05h00

MIAMI - Há muito tempo queria fazer uma viagem ao lado do meu cãozinho Stitch, um senhorzinho de 15 anos – ou aproximadamente 77 anos em idade humana. Tive dúvidas se isso seria bom para ele em razão da sua idade avançada, mas decidi ir em frente. E, no começo de agosto, levei Stitch para Miami.

Foram dez dias em uma cidade que, definitivamente, pode ostentar o título de pet friendly, com parques, praias, hotéis e até restaurantes receptivos a quem está com seu bichinho de estimação. Mas, antes de aproveitar tudo isso, foi preciso muita organização para dar conta de reunir toda a documentação necessária.

Para viajar no Brasil, basta pedir um atestado de saúde para seu veterinário, mas a burocracia aumenta sensivelmente no caso de destinos internacionais. Por esse motivo, quanto antes você definir os rumos da sua viagem, melhor. Escolha um destino que seu bichinho também possa aproveitar e considere a distância envolvida. Como Stitch é muito tranquilo, encarei com ele a viagem de oito horas para Miami, mas se o seu pet é mais agitado, pode ser o caso de mudar de itinerário (considerando, claro, uma viagem de lazer).

Em resumo: cada passo deve ser muito planejado – dependendo do destino, as regras mudam e você pode precisar de até 60 dias para regularizar a situação do animal. Alguns cuidados, no entanto, são comuns, independentemente do rumo que vocês tomarem: vacinação, vermifugação e antipulgas em dia, além da documentação. No caso dos Estados Unidos, começamos os preparativos 30 dias antes do embarque. Encha-se de disposição: há muita burocracia envolvida.

Lembre-se que as regras de transporte variam de acordo com a companhia aérea. E considere adquirir um carrinho para seu cão se quiser levá-lo com você a todos os lugares. Eles também se cansam – e, no caso do Stitch, foi fundamental considerando sua idade avançada. Nas próximas páginas, um roteiro para você estar sempre com a melhor companhia em Miami: a de seu bichinho.

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1. Além da ração

Eu e Stitch não podemos reclamar: comemos extremamente bem durante nossa passagem por Miami. Em todos os restaurantes que fui, levei meu fiel cãopanheiro (não resisti ao trocadilho). Admito: em muitos deles, Stitch foi mais bem tratado que eu. A maioria dos lugares aceita pets – desde que eles fiquem na área de mesas externas.

Luiza Cervenka, Especial para O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 04h59

Misto de bar, restaurante e livraria, o News Cafe, em Miami Beach, funciona 24 horas e tem um menu amplo. Ali, tomamos um café da manhã tipicamente americano, com panquecas e frutas (US$ 11,75). Apesar de não ter o mesmo o charme, fui algumas vezes ao Starbucks com o Stitch – ali ele pôde entrar, enquanto eu aproveitava o Wi-Fi.

A Brasserie Central, em Coral Gables, pode ser uma boa opção para almoço ou jantar. Fomos lá à noite e pedi a sopa de frutos do mar, acompanhada de peças de queijo, pão fresco e uma taça de vinho. Custou aproximadamente US$ 40 e conquistou meu coração.

Ingredientes frescos e regionais são o forte do Golden Fig, de ambiente moderno e acolhedor. É difícil escolher entre as tantas opções de carnes, peixes e frutos do mar, sempre muito bem preparados. Os pratos principais custam em média US$ 20.

Para uma refeição mais relaxada, o Ironside Pizza fica dentro de um complexo de galerias de arte e lojas de decoração, todas pet friendly, em Little River. No quesito hambúrgueres, o Shake Shack tem até opções vegetarianas, além de um menu exclusivo para clientes de quatro patas. Entre os petiscos, o pooch-ini (US$ 3,95), que mistura biscoito e sorvete, é perfeito para seu pet se refrescar do calor.

Na balada. Se você e seu cão são baladeiros, há vários bares e pubs que aceitam bichinhos nas vias mais icônicas da cidade: Ocean Drive, Española Way e Lincoln Road. Um dos mais famosos em South Beach, o Mango’s Tropical Cafe, permite curtir o clima de badalação das mesinhas na calçada na companhia de seu pet. Para os solteiros, é até uma maneira de puxar conversa.

O mesmo ocorre com o The Clevelander, atraente para os fãs de esporte. No segundo andar do bar estão os estúdio da ESPN Miami, que recebe celebridades esportivas para entrevistas ao vivo. Para os fãs de jazz, as noites de sábado no Peacock Garden Café, em Coconut Grove, são boa pedida.

Se quiser assistir ao belo pôr do sol da cidade e, de quebra, curtir o clima de agito, siga para bares como o Monty’s Sunset e o Smith & Wollensky, ambos em South Beach. Para levar seu cão ao Smith & Wollensky, contudo, tem um segredinho: chegue pelo calçadão e aguarde uma mesa próxima às pedras. É a única área em que os cães são permitidos.

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Luiza Cervenka, Especial para O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 04h59

Férias deve ser sinônimo de relaxar e aproveitar todos os mimos possíveis. E Miami sabe muito bem como mimar você – e também seu bichinho.

Se seu pet precisa de cuidados, está doente ou você tem medo que ele destrua o quarto do hotel, é possível contratar os serviços de uma babá canina pelo site Rover.com, disponível em várias cidades dos Estados Unidos. Cadastre-se e coloque as informações do seu animalzinho para depois escolher um dos candidatos disponíveis, baseado na avaliação de outros clientes. O custo médio do serviço por dia é de US$ 30 e o pagamento, realizado por meio do próprio site.

Andou muito e seu cão ficou cansado e estressado? Não tem problema, basta chamar o DogApy. Com suas técnicas de massagem canina, ele deixa seu cachorro relaxado. Uma sessão custa cerca de US$ 50.

Um programa divertido para mimar seu bichinho é levá-lo ao Doggie Bag Cafe, que funciona em uma casa veterinária. Aos sábados, a casa oferece um menu especial para os animais – humanos ficam de fora. O almoço inclui prato principal, bebida e sobremesa e custa US$ 20. O preço pode ser salgado, mas a diversão é garantida.

Motorizado. Como em Miami tudo é distante, muitas vezes compensa alugar um carro. Não se preocupe: quase todas as locadoras aceitam cães. Eu aluguei na Alamo, através do site Happy Tour, por ter sido o preço mais barato que encontrei (Kia Rio sedan, US$ 237 por uma semana, com todos os seguros e taxas incluídos).

Se não quiser alugar carro, pode usar o serviço do aplicativo Uber. Mesmo na categoria mais básica, os carros são extremamente confortáveis e os motoristas esbanjam simpatia. E o melhor de tudo: aceitam animais.

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Luiza Cervanka, Especial para O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 04h59

Hospedar-se em Miami com um pet não é nada difícil. Muitos hotéis aceitam animais, mas é comum cobrarem uma taxa de hospedagem, que pode variar de US$ 35 a US$ 150. Stitch e eu ficamos em vários lugares ao longo da nossa estada – há boas sugestões para quem vai à cidade com seu bichinho de estimação no site bringfido.com.

O Fontainebleau é um dos hotéis mais refinados de Miami, com diárias a partir de US$ 199 o casal – e pet friendly. Já no check-in, os bichos são presenteados com plaquinhas de identificação. São diversas piscinas e restaurantes à disposição dos hóspedes de quatro patas. Há uma área exclusiva com grama para o animal se aliviar, com potes de água e “cata-caca”. Se você não tiver tempo para passear com seu cão, o hotel oferece serviços como babá canina e passeador.

Com vista para a baia de Key Biscayne, o Four Seasons (desde US$ 359 o casal) presenteia os pets com caminha confortável, potes, brinquedos e um menu exclusivo. Todos os funcionários nos trataram superbem, mas são poucas as áreas do hotel onde os animais podem circular.

O The Tides (desde US$ 385), por sua vez, não tem pet kit, mas aceita animais até mesmo no restaurante. É possível tomar café da manhã e ir à piscina ao lado de seu bichinho. Ao lado do Aventura Mall, o Residence Inn Marriott (desde US$ 186,96) tem apartamentos completos, com cozinha e sala. O hotel tem uma área externa arborizada, ótima para um passeio de fim de tarde.

Por fim, usando o site de imóveis de temporada AirBnb, alugamos um quarto na casa do Jose e da KC (uma vira-latinha linda), em Brickell, por R$ 123 ao dia. Como a KC também é velhinha, se deu superbem com o Stitch. Antes de fechar negócio, contudo, cheque com o anfitrião se a casa realmente aceita animais.

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4. Embarque

O primeiro passo é comprar a passagem aérea – antes, contudo, pesquise as regras para o transporte de animais, que varia de acordo com a empresa. Nem todas permitem que eles viajem na cabine e muitas cobram taxas extras. Entre Brasil e Estados Unidos, por exemplo, a TAM é a única em que pets podem viajar na cabine, desde que tenham até sete quilos (pesados com a caixa de transporte).

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13 Outubro 2015 | 04h59

Assim que comprar a passagem, ligue na central de reservas para confirmar que você estará acompanhado de seu bichinho. Caso o voo não aceite (sim, isso pode ocorrer mesmo considerando companhias que permitem o transporte de animais) e você descubra isso até 24 horas após a compra, ainda será possível mudar a passagem sem pagar a taxa de remarcação. Após esse período, o valor será cobrado.

Resolvida esta parte, pense na documentação. Há despachantes especializados em viagens com animais, que vão orientá-lo de acordo com o destino, mas você pode fazer tudo por conta própria. Desde que comece a correr atrás da papelada com antecedência – e esteja munido de muita paciência.

Para viagens internacionais, será necessário o CVI, o Certificado Veterinário Internacional. Em São Paulo, ele é emitido nas unidades da Vigilância Agropecuária (Vigiagro) nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. O horário de funcionamento é das 9 horas ao meio-dia e das 14 às 17 horas, de segunda à sexta-feira (exceto feriados) e é necessário agendamento prévio por telefone.

O documento leva 48 horas para ficar pronto – por isso, não dá para deixar para o dia do embarque. Na hora agendada, será necessário levar o atestado de saúde emitido por um veterinário, carteira de vacinação e atender a outras exigências do destino da viagem para conseguir o documento.

Com os papéis em ordem, você deve imaginar que está livre das burocracias, certo? Errado. A dica é se informar sobre as regras para retornar assim que vocês desembarcarem. Antes de eu e Stitch voltarmos ao Brasil, foi preciso buscar um veterinário em Miami para emitir um novo atestado de saúde (US$ 106) e, com o documento em mãos, ir ao departamento de agricultura (USDA) para conseguir o certificado de viagem. Assim, gastei outros US$ 38.

Para viajar dentro do Brasil, o processo é mais simples. Será necessário o atestado de saúde do bicho, emitido pelo veterinário, e a carteira de vacinação em dia. O atestado de saúde tem data de validade – por isso, verifique a necessidade de fazer um novo para a volta.

Nos ares. Burocracia resolvida, é hora de pensar na logística dentro da aeronave. Veja no site da companhia o tamanho máximo permitido para a caixa de transporte – e deixe seu bichinho se acostumar com ela em casa. Quanto mais tempo ele tiver para se habituar antes da viagem, melhor. Vale colocar objetos familiares dentro, roupinhas e até oferecer as refeições para aquele ambiente se transformar em um refúgio – foi o que fiz com Stitch.

No dia da viagem, não é recomendado sedar o animal, mas você pode pedir para o veterinário um remédio para deixá-lo mais calmo. Como faz muito frio no avião, não esqueça de colocar uma manta quentinha. Carregue também algum brinquedo, uma vasilha para o pet beber água (assim como você, ele precisa se hidratar) e um tapete higiênico extra. Quanto à alimentação, ofereça a refeição até três horas antes da viagem e não o alimente dentro da aeronave. Mas não há problemas em oferecer um petisco.

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5. Vamos passear

Não faltam opções para levar seu pet para se divertir em Miami. Fique atento às praias: algumas, como Miami Beach, não permitem animais, mas há muitas em que eles são bem-vindos. A favorita do Stitch foi Hobie Beach, localizada na ilha de Key Biscayne. Os cães podem se refestelar na sombra dos coqueiros e no mar tranquilo e quentinho a qualquer dia e horário. Haulover (que conta com uma área de nudismo na ponta norte) e Hollywood, por sua vez, têm áreas específicas para cães apenas nos fins de semana.

Luiza Cervenka, Especial para O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2015 | 04h59

Haulover conta ainda com um dog park, um tipo de playground só para os cachorros se divertirem. Cães grandes ficam separados dos pequenos – no auge dos seus 3 quilos, o Stitch aprovou essa medida. Mesmo em outros parques, como o Blache Dog Park do bairro de Coconut Grove, onde cães de todos os tamanhos convivem, há regras rígidas. A qualquer sinal de agressividade, o animal deve ser retirado do parque. O Stitch leu, se comportou e devolveu todas as bolinhas que encontrou por lá.

De frente para o mar, o Margareth Pace Park, pertinho da área descolada de Wynwood, exibe uma enorme área verde perfeita para os cães correrem à vontade e curtirem o clima de Miami. Quando fomos, um espaço cercado, específico para os bichos, estava sendo construído para evitar os mais afoitos de correrem mais longe do que seus donos possam alcançar.

Em Coconut Grove (meu bairro favorito), o David Kannedy Park convida a passear por seus gramados, sentar nos bancos à sombra de árvores e simplesmente apreciar a paisagem. Seu cão é agitado? Sem problemas: o local conta com uma área cercada, repleta de aparelhos para a prática de agility.

Outro lugar exuberante é o Jardim Botânico de Miami, em Miami Beach, repleto de jardins, palmeiras, orquídeas. Além de os parques estarem bem conservados, todos têm bebedouros para cães. Há ainda estações com saquinhos para você recolher as fezes do seu animal e deixar tudo limpo para os outros frequentadores. Se esse argumento não for suficiente, saiba que quem não recolhe os dejetos é multado.

Compras. É difícil resistir às compras em Miami, mesmo em tempos de dólar alto. E o Stitch me fez companhia em lojas e outlets. Nessas horas, o carrinho que levei foi fundamental – inclusive para colocar as compras. Fomos na Ikea, BestBuy, Ross, CVS, Target, WholeFoods, além dos shoppings Village Merrick Park, Aventura Mall e Dolphin Mall. Quase todos os shoppings de Miami aceitam cães de pequeno porte.

Outra boa pedida para compras é a Lincoln Road, em Miami Beach. Nos dias quentes, as lojas deixam potes d’água na porta, para os cães matarem a sede. Lá estão marcas como Forever 21 e Apple Store, e a maioria é pet friendly.

Stitch gostou mesmo das temáticas PetSmart, PetSupermarket e PetCo, com brinquedos que não encontramos no Brasil. Há também opções de rações orgânicas. Pena eu não ter muito espaço na mala.

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