Tiago Queiroz|Estadão
Tiago Queiroz|Estadão

Sossego garantido entre as águas de Galinhos, no Rio Grande do Norte

A dificuldade de acesso deixou a vila livre de multidões e preservou seus encantos naturais. Faça um bate-volta ou durma por lá

Tiago Queiroz, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 05h00

GALINHOS - Todo mundo vai perguntar se você vai esticar de São Miguel do Gostoso a Galinhos. Minha opinião? Estique. A vila de cerca de 2.500 habitantes está em uma península cercada por águas salgadas e calmas e belos manguezais. Assim, só há duas maneiras de chegar ali: de buggy (ou 4x4), ao longo de 80 quilômetros de céu e areia. Ou seguindo pela estrada até Pratagil, em 120 quilômetros de asfalto e mais 20 minutos de barco.

Os bugueiros de São Miguel oferecem passeios de um dia inteiro até Galinhos (em média, R$ 400 o buggy). Eu, contudo, decidi que não queria correria – e não me arrependi. Três ou quatro dias são suficientes para conhecer os encantos do povoado.

Em comparação com São Miguel, Galinhos tem menos opções de hospedagem e restaurantes. Os preços são um pouco mais caros e a água, salobra. Algumas pousadas – como a Amagali, onde fiquei – oferecem galões de água mineral ou dessalinizadores.

O caminho pelas dunas já vale a viagem. Dependendo da maré, o buggy margeia o mar ou sobe as montanhas de areia. Paramos em locais especiais, como a Praia do Marco – onde os potiguares afirmam que os portugueses aportaram antes de Porto Seguro – e Caiçara do Norte, considerada a maior comunidade de pescadores do Estado.

Galinhos é muito rústica, com ruas de areia e nenhum carro além dos “burro-táxis”, charretes puxadas por jumentos ou cavalos. Há várias delas próximo ao deque onde chegam as embarcações que vêm de Pratagil. Algumas charretes têm decoração esmerada, com assentos estofados, caso da que Rogério Brito mantém, puxada pelo valente cavalo Pôr do Sol.

O principal destino das charretes é o farol na ponta da península, bem na divisa entre o mar aberto e o braço de mar. Os moradores recitam orgulhosos a máxima de que a cidade tem o pôr do sol mais bonito da região. Impossível não concordar. A impressão é que as cores são mais vivas e o farol emoldura o astro sumindo no horizonte.

Além da Praia do Farol, o mangue também merece atenção, com suas árvores retorcidas. A cada passada, o chão parece se mexer. Nesse remelexo, repare: há minúsculos caranguejos, do tamanho de uma unha. Parecem filhotes, mas tratam-se dos chiés, que não cresce mais do que isso. Caminhando um pouco mais, chega-se à Duna do André, de onde se tem uma bela panorâmica. Não quer caminhar? É possível recorrer às charretes.

O barquinho vai. Barqueiros da região oferecem passeios de um dia pelo braço de mar (em média, R$ 150). Contratei o prestativo Dario, que me apanhou em frente à Pousada Amagali logo cedo. Embarcamos no pequeno Galinha do Mangue, abastecidos com água de coco, maçãs, laranja e abacaxi – cortesia do barqueiro. Dario explica sobre as variedades da vegetação do mangue, enquanto a garça azul se exibe e os ariscos peixes carapicus saltam ao nosso lado.

Paramos na gigantesca salina Diamante Branco, que parece uma deslocada montanha de neve. De lá, continuamos a navegar, agora em busca do peixe-morcego, que costuma se camuflar próximo aos manguezais – onde estão também os cavalos-marinhos. A Lagoa do Capim, de águas calmas e profundas, pede um mergulho. Ainda há tempo para uma parada providencial no restaurante da Dona Irene no vilarejo de Galos, de onde saem disputados pratos à base de peixe e camarão. Já próximos à cidade, Dario para na Duna do André para o espetáculo final: fotografar o sol começando a se pôr. 

SAIBA MAIS

Aéreo: SP–Natal–SP: R$ 796,10 na Gol, R$ 974,85 na TAM e R$ 946,45 na Avianca.

Terrestre:  a melhor opção é combinar o transfer com sua pousada (em média, R$ 300) ou alugar um carro na chegada ao aeroporto. A viagem leva cerca de 1h30.

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