Daniel Nunes Gomçalves|Estadão
Daniel Nunes Gomçalves|Estadão

Sossusvlei, um playground para fotógrafos

SOSSUSVLEI - Se a Namíbia fosse um destino pop e tivesse de escolher uma imagem como seu cartão-postal, seria Sossusvlei. A cada amanhecer, um punhado de estrangeiros sonolentos mira todo tipo de lente fotográfica para este mar de dunas gigantes avermelhadas. As câmeras costumam registrar os momentos mais sublimes no trecho chamado Deadvlei, no centro de um desses areais.

Daniel Nunes Gonçalves, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2015 | 00h30

É onde troncos tortos projetam a sombra de seus galhos no chão esbranquiçado por sal e argila, em um contraste impactante com a duna ao fundo e o céu azul. Não por acaso, Deadvlei (que nada mais é que o leito seco do Rio Tsauchab, cujo fluxo foi interrompido pelas areias móveis), se tornou objeto de desejo de fotógrafos profissionais, como Sebastião Salgado e J.R. Duran. “Passei seis dias fazendo um safári aéreo e jamais vou me esquecer da cena impressionante do deserto chegando até o mar”, conta Duran.

Localizado a 300 quilômetros de Windhoek, Sossusvlei pertence ao Deserto de Namibe, que batiza o país e cobre seu interior de sul a norte. Com estimados 55 milhões de anos, ele é um dos mais velhos e secos da Terra e dono das dunas mais altas do mundo, com cerca de 300 metros. Junto com a outra grande região desértica nacional, a do Kalahari, que avança aos limites de Botsuana e tem mais água e árvores, Sossusvlei contribui para que dois terços do país sejam dominados por áreas desérticas.

Partindo da capital, chega-se a Sossusvlei tanto por ar – normalmente, voando nos teco-tecos que levam aos lodges – quanto por terra (de preferência, em veículos 4x4). Na Namíbia, dirige-se por horas sem ver viv’alma – e, assim, fica clara a baixa densidade demográfica de 2 habitantes por quilômetro quadrado em um território de 850 quilômetros quadrados, pouco maior que três estados de São Paulo. O contraste dos ventos quentes do interior com a brisa gelada do mar provoca neblina no vasto trecho onde o deserto encontra o litoral – e, por vezes, adia ou atrasa os voos pela região.

Cama ao ar livre. Como no deserto quase nunca chove, hotéis como o Little Kulala (diária a cerca de R$ 1.800) deixam a opção de o hóspede dormir em uma cama ao ar livre, no terraço de cada chalé. Me rendi à experiência por duas noites e garanto: poucos prazeres são maiores do que abrir os olhos no meio da noite e se deparar com uma infinidade de estrelas forrando o céu.

Para melhorar, um bom edredom protege do vento do deserto, e quase não há insetos no local. A imersão na natureza fica mais profunda quando, antes de dormir, o jantar é também em meio ao nada: um caminho de tochas leva os hóspedes até as mesas e a fogueira central – onde petiscos, cervejas da Namíbia e bons vinhos sul-africanos são servidos.

Ao acordar, outra surpresa. Enquanto se toma café da manhã na sacada do restaurante do hotel, parece que o safári vem até você: dá para ver órix e cabras-de-leque (springboks), os antílopes mais comuns do pedaço, tomando água na poça a poucos metros adiante. Os bichos posam para zooms potentes nos passeios de cada dia, como a aventura de pilotar quadriciclos, a caminhada em meio ao cânion Sesriem, os voos de balão e a subida nas dunas que levam ao Deadvlei – como a Big Daddy.

Observar as pegadas dos animais na areia é uma das diversões durante o belo trekking de 1 hora em meio ao deserto de Sossusvlei. Só não pare demais no caminho: é preciso pegar as primeiras luzes em Deadvlei para voltar com belas imagens do cartão-postal da Namíbia.

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