Spa natural além do Deserto da Judeia

No Mar Morto, resorts de luxo e seus tratamentos de beleza convivem com ruínas e vestígios arqueológicos

Luciana Alvarez, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2009 | 02h23

Ele ficou famoso pela altíssima concentração de sal que lhe confere propriedades terapêuticas e embelezadoras. E, em parte como consequência da exploração dessas mesmas propriedades, está desaparecendo à velocidade de um metro por ano. Somadas ao desvio do Rio Jordão, o único que o alimenta, as extrações no Mar Morto podem levar, no futuro, esse ponto único da natureza a se tornar apenas lembrança de quem teve a sorte de ir até lá.

 

RELAX - Poucos resistem a se lambuzar com a lama repleta de minerais como sódio, magnésio e cálcio

O burburinho turístico e da indústria cosmética se justifica plenamente. A altíssima salinidade - cerca de dez vezes superior à de qualquer oceano - deixa a água mais densa. Dessa forma, flutuar fica muito mais fácil e divertido. Para completar, o clima é quente e ensolarado o ano todo.

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O Mar Morto ocupa a maior depressão do planeta. Fica 420 metros abaixo do nível do mar e suas águas são ricas em minerais como sódio, magnésio, cálcio e potássio. Uma vantagem e tanto para a saúde. Não à toa, dezenas de spas aproveitam suas águas para tratamentos especiais.

BEDUÍNOS NO CAMINHO

Para se chegar à costa israelense do Mar Morto é preciso descer as montanhas do Deserto da Judeia. No caminho, beduínos quebram a aparente ausência da presença humana. Apenas à beira-mar surgem os spas, os hotéis de luxo e os grupos numerosos de turistas.

Mas não é de hoje que a humanidade olhou para a região como uma excelente opção de refúgio. No Mar Morto, o banho de saúde para o corpo vem acompanhado de uma verdadeira aula de história.

No século 1º a.C., o rei Herodes ergueu o palácio-fortaleza de Massada no alto de uma montanha plana com extensa vista para o Deserto da Judeia. Hoje, restam apenas ruínas, mas que ainda trazem conhecimento suficiente para serem consideradas Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco.

Um moderno teleférico serve como opção à imensa escadaria sinuosa, batizada "o caminho da cobra", à qual os antigos habitantes não conseguiam escapar caso quisessem chegar à fortaleza. De início, a vista monopoliza toda a atenção do visitante, é verdade. E as histórias de Massada só tornam o lugar ainda mais interessante.

A construção romana foi tomada por um grupo de judeus no ano 66 d.C., durante a chamada Grande Revolta. Os rebeldes - homens, mulheres e crianças - viveram lá como se estivessem em uma cidade, abastecidos por cereais e pelas águas das chuvas armazenadas em grandes reservatórios.

Dessa forma, eles foram capazes de resistir durante vários anos ao cerco estabelecido pelas forças romanas. Quando, finalmente, a resistência foi vencida e a fortaleza estava para ser retomada, as famílias de Massada preferiram se matar a serem presas e viverem como escravas.

Também nos arredores do Mar Morto você pode visitar as escavações arqueológicas de Qumran, que revelam as condições de vida de povos ainda mais ancestrais, os essênios, que habitaram a região no século 3º a.C..

Nessa outra antiga fortaleza foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto, uma série de pergaminhos com literatura e trechos bíblicos. Os textos são pelo menos mil anos mais antigos do que os registros do Velho Testamento conhecidos até então.

BENEFÍCIOS MIL

Características muito específicas fazem do Mar Morto um spa natural. A alta pressão atmosférica deixa o ar livre de pólen e com maior concentração de oxigênio - o que filtra raios nocivos do sol. E os sais da água melhoram a circulação, equilibram a oleosidade, fortalecem as unhas e retardam o envelhecimento. Convenceu?

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