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Sua cama no carro, no trem, no avião...

A velha máxima de que nas férias você precisa sair do lugar nem sempre está certa. Em alguns casos - bastante curiosos, aliás -, aqueles que deveriam ser os meios de transporte para levar o viajante de um lado a outro acabam ganhando novo objetivo: o de hospedá-lo.

FELIPE MORTARA, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2012 | 02h08

São vagões de trem, carros, lanchas e até um avião de verdade e um barco reformado para ficar parecido com um submarino que, adaptados, viraram quartos de hotel. Com graus de conforto variados e motivos de sobra para merecer sua atenção, além de um ou mais pernoites do seu merecido descanso.

Em comum, os hotéis em meios de transporte têm o fato de que podem ser programa interessantíssimo tanto para quem adora hotéis convencionais quanto para aventureiros. Quer ver como? Embarque, navegue ou decole nos hotéis que selecionamos.

 

Com asas, mas sem sair da pista

"Senhores passageiros, ocupem seus assentos - poltrona, cama ou banquinho do minibar - que a aeronave não vai decolar". Essa poderia ser a mensagem do comandante deste Ilyushin 18, ano 1960, que, após anos atravessando oceanos, deixou de voar e ganhou, além de reforma , uma nova função: hospedagem de luxo.

O avião, que fica no aeroporto de Teuge, a 100 quilômetros de Amsterdã, foi transformado em uma super suíte para dois hóspedes - não, não adianta tentar levar mais alguém na mala. Mordomias como jacuzzi, sauna infravermelha, três televisores, coleção de DVDs e Wi-Fi estão incluídas nos € 350 (R$ 910) pagos pela diária. Além de um café da manhã que o hotel garante ser infinitamente melhor do que qualquer refeição em uma aeronave que ainda voa.

Mas se o quarto-avião não tira o trem de pouso da pista, basta dar um passo fora dele para voar. No hangar vizinho, aviões e helicópteros estão prontos para passeios guiados - não incluídos na diária. Voos em aviões acrobáticos e salto duplo de paraquedas são outras opções. Reservas no www.hotelsuites.nl.

 

Quatro rodas: sinta-se na estrada

Ao lado do autódromo da cidade alemã de Meilenwerk, perto de Stuttgart, apaixonados por carros podem, literalmente, deitar e rolar. O V8 Hotel (V8hotel.de/en) é um quatro-estrelas para aficionados por automóveis, antigos ou modernos.

Os 34 apartamentos (com preços a partir de € 135 ou R$ 351) são decorados com peças originais de carros famosos. Há camas montadas em modelos antigos - é possível dormir sobre um Mercedes 280 S dos anos 1960 ou em um Cadillac Eldorado vermelho de 1965. Ou, ainda, no Fusca adaptado para ficar idêntico a Herbie, do filme Se Meu Fusca Falasse (1968).

Também é possível escolher suítes temáticas, como a que tem decoração inspirada na Rota 66 e as que lembram oficina mecânica e lava-rápido. Aproveite para visitar o museu do hotel, com mais de 50 modelos antigos da coleção dos proprietários.

 

Barco amarelo: todos dormem em um 

Ok, não se trata de um submarino de verdade, e sim de um barco adaptado. Mas para quem é fã dos Beatles não será nenhuma grande dificuldade usar um pouco a imaginação para se sentir no famoso submergível amarelo que encantou (e ainda encanta) gerações. Onde? Não poderia ser em outro lugar que não no Albert Dock, em Liverpool.

O barco de 60 pés (18 metros), foi inaugurado em fevereiro. Tem três confortáveis quartos com banheiro, além de uma cozinha e sala de jantar comuns. Capas de discos decoram as paredes - e, pelo estilo desencanado, o lugar poderia perfeitamente ser o lar de Paul McCartney ou John Lennon. Aliás, impossível não lembrar dele e de Yoko Ono ao ver o travesseiro com a palavra love bordada sobre a cama.

O dono, Alfie Bubbles, confessa que não é nenhum apaixonado pelo quarteto, mas sacou que sua ideia poderia arrebatar beatlemaníacos. Deu tão certo que, apesar do preço (a partir de 165 libras ou R$ 537), é preciso reservar com bastante antecedência (tinyurl.com/yellowsubviagem). O proprietário já está planejando abrir um Pérola Negra (da série Piratas do Caribe) e até um (pasme!) Titanic.

Caso ficar hospedado no Yellow Submarine não seja o suficiente para o seu nível de fanatismo, a poucos passos, também em Albert Dock, fica o Beatles Story (beatlesstory.com), um museu interativo com cinema 4D, fotos e claro, muitas músicas do quarteto que mudou a história do rock.

 

São trilhos passados

Após muitas curvas em estradas que cruzam campos verdes, você chega a Petworth, a 85 quilômetros de Londres. Ao dar de cara com a charmosa Old Station (old-station.co.uk), vai perceber que, mesmo sem sair do lugar, é possível voltar no tempo. Esta simpática hospedaria funciona - como o nome indica - numa estação de trem de 1892.

Embarque na viagem escolhendo uma das oito suítes dentro de quatro antigos vagões construídos entre 1912 e 1923 e aposentados há quase 50 anos. Todos pertenceram à Pullman Railways e trafegaram por trilhos internacionais durante as décadas em que estiveram a serviço do Venice Simplon Orient Express, ligando Londres a Istambul.

Acostumados a receber a primeira classe desde aquela época, os confortáveis vagões foram completamente restaurados e adaptados. Como o padrão das composições naquela época já era de luxo, não espere menos do que espaços bem aconchegantes e com madeiras caprichosamente trabalhadas. Os banheiros, espaçosos, têm até banheira.

Os vagões estão espalhados pelo bem cuidado jardim, que costuma ficar lindíssimo na primavera. No próprio prédio da estação há duas suítes, além de espaço para o café da manhã (que tem fama por lá), incluído na diária, que custa entre 46 e 99 libras por pessoa (R$ 150 e R$ 321).

Não se espante se for surpreendido por uma fatia de bolo e chá, oferecidos como boas-vindas pelo simpático proprietário Gudmund Olafsson. Quem tem a sorte de pegar um dia de tempo bom - na sempre úmida Inglaterra - pode contar com café da manhã servido no jardim. Embora a cozinha não fique aberta durante a noite, bem pertinho dali há um pub com boas opções. Aos amantes de trens e de outras boas leituras, uma farta biblioteca fica à disposição dos passageiros. Ou melhor, dos hóspedes.

 

Instalação nas águas

O Boatel é o que o nome dá a entender e um pouco mais. Além da hospedagem - em barcos ancorados em uma marina decadente, a uma hora de Manhattan em direção ao Oceano Atlântico - o que os 23 artistas idealizadores do projeto querem é mostrar que um outro estilo de vida é possível e questionar o uso das embarcações. Sim, a proposta é um pouco psicodélica, mas foi muito bem recebida por nova-iorquinos e turistas no último verão.

A localização é, no mínimo, incomum. As docas da Marina 59 (marina59.com), debaixo dos aviões que decolam do aeroporto JFK, abrigam este misto de hotel, obra de arte interativa e instalação sonora. Cada artista criou um espaço diferente, com seu toque particular.

O barco Chemical Reaction teve seu interior transformado pela artista Chassy Cleland em uma réplica do laboratório de bordo de Charles Darwin no navio Beagle. Com várias espécies em vidrinhos de formol, inclusive. Para casais em clima mais picante, há uma suíte completamente forrada com ilustrações do Kama Sutra. Já os 26 pés do Wantagh foram transformados em um barco que canta. As diárias custam a partir de US$ 130 (R$ 264) para duas pessoas.

O Boatel fica na área atingida pela tempestade Sandy, mas não é por isso que está atualmente fechado. O projeto foi pensado para funcionar nos meses quentes. A previsão é que volte a receber hóspedes de maio a outubro.

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