Sucessão de cartões-postais em San Cristóbal

Haja diversidade de paisagens num mesmo lugar. San Cristóbal, a última parada do meu roteiro em Galápagos, foi surpreendente. A ilha conquistou os visitantes em três etapas. A primeira começou às 6 horas da manhã, com o sistema de som das cabines interrompendo o sono de todos. No bote que levaria o grupo do navio à ilha, uma profusão de rostos cansados e braços se espreguiçando. Logo saberíamos que foi por uma ótima causa. Ou melhor, causas, centenas delas.

SAN CRISTÓBAL, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h11

No extremo leste da ilha, Punta Pitt tem em sua enseada recortada uma praia delicada e pequenina. Em não mais de 50 metros, uma dezena de leões-marinhos dormem tranquilos, sem se importar com a gente.

Começamos a trilha mais pesada da viagem, de cerca de 2 horas, em ritmo puxado e morro acima - inadequada para pessoas sem preparo mínimo ou um bom calçado. Tanta subida tem sua recompensa. De um lado, a vista cinematográfica da praia. Do outro, montanhas alaranjadas de formação vulcânica, que lembram uma superfície marciana.

Pássaros e mais pássaros surgem pelas encostas. Punta Pitt é o único lugar em Galápagos onde se pode encontrar juntos os três tipos de piqueros: de pata azul, vermelha e de nazca (cinza). Em seus ninhos ou voando, o espetáculo é garantido. Hora de subir a bordo para o almoço.

Depois de breve descanso, os botes voltam à água diante de Cerro Brujo. As câmeras começaram a trabalhar quando nos aproximamos de imensos e escuros paredões verticais. Ao longo dos anos, a força das marés foi esculpindo imensas fendas de até 100 metros de altura - é possível atravessar algumas delas com os botes.

A principal ganhou o nome de Catedral em razão da altura de seu salão alagado. Pelo barulho das máquinas fotográficas - que lembra o dos turistas de Notre Dame, em Paris -, o apelido é merecido. No lugar de pombas, um pelicano cruza o cenário.

Difícil definir o que é mais belo no arquipélago. A uns 15 minutos de bote das fendas, dezenas de pedras pintavam a areia da praia de Cerro Brujo, cercada pelo calmo mar turquesa. Ao se aproximar, a surpresa: as "pedras" eram, na verdade, uma numerosa colônia de leões-marinhos.

Pode estender a canga que eles nem se mexem. O mar é bom para um refresco, mas também para praticar snorkeling. A regra é a mesma para qualquer ponto de mergulho: quanto mais perto das pedras, mais vida. Foi o que pude comprovar ao nadar por longos minutos ao lado de uma enorme tartaruga do Pacífico. Na volta à areia, cuidado para não tropeçar nas pedras, digo, nos leões-marinhos.

Protagonistas. Nenhum outro animal é tão associado a Galápagos quanto as tartarugas terrestres gigantes. Em julho, com a morte do último exemplar da subespécie Chelonoidis abingdoni - o Solitário George, com idade estimada de 100 anos -, restaram 10 das 14 subespécies. Mas boas notícias vêm da reserva Cerro Colorado Tortoise (também chamada de Galapaguera), a 40 minutos de Puerto Baquerizo Moreno, a capital do arquipélago, com 8 mil habitantes.

Nesse belo trecho de floresta preservada vivem cerca de 300 tartarugas. A novidade é que, apesar das tentativas frustradas de se conceber um 'Georginho', a reprodução em cativeiro de outras subespécies no arquipélago tem números animadores. Em 1978, eram 17 mil animais - hoje são quase 30 mil. O passeio na reserva dura cerca de 2 horas, e caminha-se por uma trilha de madeira suspensa. O berçário de tartarugas é um show à parte.

De volta a Puerto Baquerizo Moreno, tire meia hora para garimpar souvenires nas poucas lojas no calçadão à beira-mar. Camisetas de George e de Darwin são fáceis de encontrar, bem como canetas com animais. Cruze a pacata rua para a última espiada: os leões-marinhos dormem sob a gangorra da pracinha./F.M.

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