Pedro Sibahi
Nascer do sol na Ponta de Corumbau Pedro Sibahi

Sul da Bahia: história, falésias e mar azul

De Porto Seguro a Prado, roteiro no sul do Estado reúne vilas, casario e muito verde, com descobertas a cada praia

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Porto Seguro

28 de fevereiro de 2020 | 06h05

A história sobre a chegada dos portugueses ao Brasil sempre exerceu certo fascínio sobre mim, não pela narrativa do descobrimento, mas pela vontade de entender o que foi esse encontro de povos tão diferentes como o europeu e os indígenas do século 15. Além disso, não posso negar uma admiração pelo esforço de cruzar o Oceano Atlântico em um barco de madeira movido apenas pela força dos ventos, sem GPS. Foi nesse espírito que me aventurei na região sul da Bahia, munido de uma bicicleta, equipamentos de camping e muita disposição. Começando em Porto Seguro, na Costa do Descobrimento, pedalei até Caravelas, na Costa das Baleias, percorrendo cerca de 200 km.

Embora meu roteiro tenha sido bem aventureiro, a verdade é que a região permite que você faça o mesmo trajeto da maneira que lhe for mais confortável, seja de carro alugado ou pacote de viagem, parando em várias das cidades do caminho ou apenas desfrutando de sua praia favorita. E, mesmo com a popularidade turística da região, especialmente de Porto Seguro, ainda dá para vivenciar experiências, digamos, mais autênticas. 

Ao longo do caminho, o mar azul é uma constante, com muitos morros e falésias até a região de Prado, onde o relevo fica mais plano. Construções centenárias estão presentes em todo o trajeto, uma vez que ali, como o nome sugere, foi onde Pedro Álvares Cabral primeiro aportou na Terra Brasilis (ao menos segundo a história oficial). Também há aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, além de parques nacionais que preservam belos exemplares da Mata Atlântica. Mais ao sul, a estrela é Abrolhos, local de mergulho durante boa parte do ano e avistamento de baleias entre agosto e novembro. E as manchas de óleo que surgiram no ano passado já se foram. Ainda bem. 

Saiba mais

Como chegar: há voos diários entre São Paulo e Porto Seguro. A passagem ida e volta custa a partir de R$ 606,45 na Azul (voeazul.com.br); R$ 692,53 na Gol (voegol.com.br); e R$ 1.052,17 pela Latam (latam.com/ pt_br). Valores pesquisados para o mês de março.

Como se deslocar: para aluguel de carro no Aeroporto de Porto Seguro, há lojas da Unidas (unidas.com.br), da Localiza Hertz (localizahertz.com) e da Avis (avis.com.br). Há diárias a partir de R$ 40, mas fique atento com taxas extras e seguro. É recomendável usar um modelo mais alto e, se possível, com tração 4X4, especialmente se for percorrer as estradas de terra na temporada de chuva, de abril a junho. A viação Águia Azul (viacaoaguiaazul.com.br) tem ônibus da balsa de Arraial d’Ajuda até Trancoso e Caraíva.

Condição das praias: contatada pela reportagem, a Secretaria de Turismo da Bahia informou que não havia mais manchas de óleo nas praias do Estado. Para se informar antes da viagem, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) tem o aplicativo de celular Vai dar Praia, com informações atualizadas da balneabilidade em 119 praias baianas.

Sites: bahia.com.br; cabralia.ba.gov.br; portosegurotur.com.

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Porto Seguro

Além dos locais de festas, centro histórico da cidade lembra muito do passado do Brasil; veja lugares para visitar e onde comer

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Porto Seguro

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Desde os anos 1990, Porto Seguro se tornou destino favorito de jovens que estão para se formar no ensino médio, especialmente nos meses de julho e outubro. Contudo, não é apenas de festas e da famosa Passarela do Álcool (oficialmente chamada de Passarela do Descobrimento) que vive a cidade baiana.

Um dos destaques é o centro histórico, localizado no alto de um aclive, com casinhas coloridas que datam do início da colonização. No local há um marco do descobrimento, feito em pedra talhada, que veio de Portugal no início do século 16. Entre as igrejas, chama atenção a de Nossa Senhora da Pena, de 1551, que abriga imagens religiosas dos séculos 16 e 17. Bem ao lado fica o farol, de onde é possível ter uma bela vista do mar, rememorando os perigos das navegações em tempos passados. A poucas quadras encontra-se a Igreja de São Benedito, de arquitetura mais simples, que serviu de local para a primeira escola jesuíta do Brasil.

Já as ruas do centro novo de Porto Seguro, na parte sul da cidade, abrigam as mais diversas opções de restaurantes, especialmente na Rua Portugal, ou no ponto conhecido como O Beco. Um jantar de comida italiana pode ser encontrado na Casa da Esquina, onde o talharim ao funghi com medalhão sai por R$ 62. Já o Adega Restô serve comida brasileira de qualidade, como o carré de porco (R$ 54) ou o badejo com majericão (R$ 59).

Se quiser saborear um típico acarajé de rua, com massa aerada, batida à mão, busque a barraca da Nilza. Ela costuma ficar na esquina da Rua Itagibá com a Avenida Getúlio Vargas, normalmente no fim da tarde. 

Após um dia de passeios, escolha uma mesa em frente ao Rio Buranhém, onde ficam aportados muitos dos barqueiros locais. O pôr do sol reflete belos tons de laranja sobre suas águas que balançam com mansidão. Ali, o restaurante Gallo oferece cerveja gelada (R$ 11) e pratos como moqueca de camarão (R$ 130) e o guaiamum cozido (R$ 14).

Os amantes da natureza não podem deixar de visitar o Parque Nacional do Pau Brasil, a cerca de 40 km da cidade pela Rodovia BA-367 – o parque também é acessível a partir de Arraial D’Ajuda. Na reserva, a Mata Atlântica nativa está preservada em uma diversidade que se compara a poucos lugares do país. Além de espécies raras de plantas, como bromélias gigantes e o famoso pau-brasil, eventualmente é possível avistar antas, preguiças e tamanduás.

Com uma área de quase 20 mil hectares, o parque só pode ser visitado a pé ou de bicicleta. Possui dois caminhos principais: um leva à Cachoeira do Jacuba; o outro, a diversas trilhas temáticas. 

Fui pedalando desde Trancoso, o que me rendeu um total de 100 km entre ida e volta. Entretanto, é possível contratar em Porto Seguro o serviço de agências que fazem o traslado até a entrada do lugar e disponibilizam bicicletas, como a Bahia Active (73-3288-2095 ou 73-99985-9840). 

Quem vai por conta própria e de carro até lá precisa agendar a visita pelo email parnadopaubrasil@gmail.com. O parque (2ª a 6ª, 8h30/16h) está em processo de implementação de uma administração privada e passará a cobrar entrada.

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Santa Cruz de Cabrália e Região

Lugar em que foi realizada a primeira missa no Brasil é uma boa opção para quem busca um espaço com infraestrutura, em ambiente tranquilo e cercado de natureza

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Porto Seguro

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Mais tranquila que Porto Seguro (20 km ao norte no litoral), Santa Cruz Cabrália também possui um centro histórico importante. Ali estão a primeira cadeia pública do Brasil e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, do século 18, com uma torre de formato cônico – uma raridade no período. Também há ruínas não identificadas pelos historiadores.

Pouco antes de se chegar a cidade, mas já dentro do município, passamos pela Praia de Coroa Vermelha. Fala-se por ali que, na verdade, o “porto seguro” das cartas de Pero Vaz de Caminha foi a enseada desta praia, naturalmente abrigada por um enorme recife. Um marco aponta onde teria sido realizada a primeira missa na terra recém-descoberta. Em seu entorno, há lojas de artesanato e um museu dedicado à memória da etnia pataxó, ainda presente na região. Lá, é possível ver fotos, pinturas, ferramentas e adornos corporais.

No norte de Cabrália, atravessando o Rio João de Tiba, outro vilarejo encanta os visitantes. É Santo André, um povoado de pescadores, no qual a tranquilidade impera. A travessia para a vila com menos de mil habitantes é feita de balsa (R$ 14), que comporta carros.

No local, há poucas lojas, pousadas e restaurantes. Se o apetite for pela típica comida local, vá ao Restaurante Gaivota e peça uma moqueca de lagosta (R$ 210) ou um grelhado de frutos do mar (R$ 280) – ambos para duas pessoas. Mas, para dar um tempo na cozinha baiana, siga para o Sant’Ana, que serve calzone (R$ 35) de vários sabores.

Um dos hotéis de Santo André, o Campo Bahia ficou famoso por ter recebido a seleção da Alemanha durante a copa de 2014. A vila é a opção perfeita para quem quer estar próximo de uma cidade com infraestrutura, mas cercado de natureza, acordando com o cantar dos pássaros.

Onde ficar

Campo Bahia: R$ 1.000 diária para casal. Site: campobahia.com/pt

Vila Araticum Praia: R$ 250 diária para casal. Site: vilaaraticum.com.br

Pousada Corsário: R$ 230 diária para casal. Site: santoandre.pousadacorsario.com

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Bahia [estado]

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Arraial D'Ajuda e Trancoso

Vilarejos no sul da Bahia possuem belas praias e atraem muitos turistas. Além de pousadas, há resorts e hotéis de luxo

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Porto Seguro

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Embora ambos sejam distritos de Porto Seguro, Arraial D’Ajuda e Trancoso têm atmosferas bem distintas. Arraial apresenta um clima mais família, com ótima infraestrutura. Dizem que Trancoso foi redescoberta por hippies nos anos 1970, mas o fato é que virou destino de famosos brasileiros e de viajantes estrangeiros. As praias do entorno são de um azul cinematográfico. As mais visitadas são as do Apaga Fogo, do Mucugê e dos Pescadores, próximas ao centro. Há ainda a Praia da Pitinga, de grande beleza. 

Porém, para desfrutar de mar azul sem tanto movimento, em uma praia protegida por morros e falésias, banhada por mar e rio, a melhor pedida é a Praia do Taípe. Localizada 13 km ao sul do centro de Arraial, ela conta com apenas dois quiosques, onde é possível almoçar por R$ 40, em média, e tomar uma cerveja por R$ 15.

Além de opções de hotéis variados e até um parque aquático, não faltam lojinhas charmosas e restaurantes convidativos que se espalham principalmente ao longo da Rua do Mucugê. É na rua que se concentra o movimento no fim do dia. As lojas seguem o fluxo da vida praiana e abrem do fim da tarde até a noitinha. À noite, aliás, o caminho fica iluminado com lâmpadas amarelas que lembram lampiões, criando uma atmosfera aconchegante.

Trancoso, mais ao sul, pode ser visitada em um bate-volta a partir de Arraial. Mas, para ser curtida como se deve, com a calmaria inerente ao lugar, é preciso ficar uns dias a mais. Povoada por turistas, tem resorts e hotéis de luxo.

O centro da vila, conhecido como Quadrado – na verdade, está mais para um retângulo gramado –, é cercado de casinhas históricas, com simpáticas fachadas coloridas. Algumas funcionam como hotéis; em outras, há restaurantes. Em um do lados, a igreja centenária do século 17 abriga festas religiosas, das quais se destacam as de São Sebastião, de São Brás e do Divino Espírito Santo. Ao atravessar o Quadrado, encontrei uma das melhores vistas do pôr do sol, no cemitério de Trancoso. Dali, do alto do morro onde está o centro, a vista é de tirar o fôlego.

No Quadrado, há duas opções para provar pratos da cozinha brasileira. Especializado em frutos do mar, o Silvana & Cia prepara camarão na crosta de tapioca (R$ 78) e peixe na folha de bananeira com camarão para dois (R$ 220). O Rabanete funciona em sistema de bufê (R$ 64 o quilo).

Descendo no mapa loca, fica a Praia dos Coqueiros, a mais próxima da vila. Para alcançá-la, é preciso caminhar cerca de 20 minutos a partir do Quadrado, por uma ladeira de terra, ou dar a volta de carro, em um percurso de apenas 1 km, mas que seguramente terá algum trânsito e dificuldades para estacionar.

Mais ao sul, ficam as praias do Rio Verde e de Itapororoca. A faixa de areia é a mesma, sempre branca e com vegetação de restinga, além de algumas castanheiras. Atenção, pois o caminho para as praias mais distantes é feito por estradas de terra, que no período de chuva podem ser de difícil acesso. Por isso, é sempre recomendável dirigir com cuidado e devagar. Também há opção de contratar traslados para visitar os lugares próximos a Trancoso.

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Caraíva

Possivelmente a praia mais charmosa do sul da Bahia; lá é possível ver o encontro do rio com o mar

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Porto Seguro

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Caraíva é possivelmente a praia mais charmosa do sul da Bahia. Chega-se ao destino, que ainda faz parte do município de Porto Seguro, pela parte nova. De lá, toma-se uma canoa para atravessar o rio de mesmo nome do lugar.

Ao desembarcar, encontrei uma vila com ruas de areia, sem tráfego de veículos motorizados, apenas charretes puxadas por mulas. As casinhas antigas possuem estilos variados. Algumas ainda pertencem ao povo ribeirinho natural dali, descendentes de pataxós, mas muitas já foram compradas por investidores de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Há diversas opções de pousadas e restaurantes. De noite, a trilha sonora é composta por música brasileira, em especial forró. Os lugares de festa ficam todos na rua principal, em frente ao rio, onde também estão os principais restaurantes.

Na Barra de Caraíva, onde o rio encontra o mar, um espetáculo à parte deleita os visitantes. De um lado, água salgada; do outro, água doce. As ondas batem gentilmente, e o atardecer preenche o céu com mais tons do que se pode nomear. No dia em que visitei esse trecho de areia, tive o prazer de avistar uma tempestade ao longe, em alto-mar. Conforme as nuvens espessas se desfaziam em aguaceiro, formavam um arco-íris, que flutuava no horizonte.

A passagem por Caraíva para muitos visitantes consiste em aproveitar as belas paisagens, dançar forró e consumir Netuno, bebida regional à base de gengibre. Para ir além e conhecer um pouco da cultura dos povos locais, é possível visitar aldeias indígenas nas proximidades, todas da etnia pataxó. A mais próxima é a aldeia Xandó, mais urbanizada, que conta com camping e uma pousada simples. Muitos moradores também oferecem passeio de buggy para as praias e outras aldeias mais afastadas.

Cerca de 7 km ao sul, fica a aldeia de Barra Velha, a principal da região. Recebe visitantes para uma cerimônia de agradecimento nas noites de lua cheia. No meio do caminho fica a aldeia Porto do Boi, com melhor infraestrutura para o público – o passeio de buggy de Caraíva até lá sai a R$ 60 por pessoa com Daniel (73-9825-8962). No lugar, há palestra sobre a cultura pataxó, pinturas corporais e comidas típicas, como o peixe na folha de patioba.

Onde ficar

Hostel Aruanda: R$ 50 a diária por pessoa quarto compartilhado. Tel. 73-99937-1801.

Pousada Estrela do Mar: R$ 250 a diária casal. Site: estreladomarcaraiva.com.br

Villa Fulô: R$ 700 a diária casal. Site: villafulo.com

 

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Ponta do Corumbau

A reserva é de difícil acesso, mas não deixa de oferecer infraestrutura a quem visita

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Prado

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Para se visitar a Ponta do Corumbau, em uma reserva extrativista que pertence ao município de Prado, há duas opções. De Caraíva, pode-se ir a pé, de bicicleta ou de buggy, em um percurso de aproximadamente 13 km, e depois cruzar um rio de canoa. A outra opção, desde Caraíva, é tomar a estrada BA-283, aí a BR-101 até Itamaraju e, de lá, seguir a BA-489 em direção a Prado por cerca de 14,5 km. Nesse ponto fica a rota por Guarani e mais 55 km de subidas e descidas em estradas de terra, totalizando 150 km.

A vantagem de fazer essa caminho de carro é que se pode passar pelo Parque Nacional do Monte Pascoal, onde está a primeira elevação da costa brasileira avistada pela esquadra de Pedro Álvares Cabral. A estrada para a montanha fica na aldeia pataxó Pé do Monte. O acesso principal é pela BR-498, onde se localiza a portaria principal. No local há condutores indígenas capacitados, além da venda de artesanato e apresentações culturais.

Por seu difícil acesso, a Ponta do Corumbau é muito preservada. Na baixa temporada é até difícil encontrar outros turistas, mas o lugar não deixa de oferecer infraestrutura, com pousadas e quiosques. No restaurante Cantinho Nativo, abra a refeição com um pastel de arraia (R$ 20) e complete com arroz de polvo (R$ 80). 

A ponta que dá nome ao lugar é uma faixa de areia que some na maré alta e retorna a surgir na maré baixa, com quase 1 km de extensão para dentro do mar. Recomenda-se cuidado ao banhar-se nessa área pois há correnteza. Em toda a região de Corumbau, são mais de 10 km de praias com mar tranquilo.

Onde ficar

Pousada Villa Segovia: R$ 200 a diária para casal. Tel. 73-99102-0333

Jocotoka Village: R$ 480 a diária casal. Site: jocotoka.com.br 

Vila Naia: R$ 1.150 a diária para casal. Site: vilanaia.com.br

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Cumuruxatiba

As praias desta região baiana são extremamente rasas e com algumas características de mangue. Ao sul, litoral ganha falésias

Pedro Sibahi, especial para o Estado/Porto Seguro, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

O caminho entre a Ponta do Corumbau e Cumuruxativa é relativamente curto, com cerca de 60 km, mas pode-se levar um dia inteiro para percorrê-lo. Não é só por culpa da estrada de terra, que apresenta alguma dificuldade para carros baixos, mas pelas praias do caminho. Logo ao sul da vila existem as praias do Riacho e do Ferreira, as duas com área para camping.

Mais distante, está a Barra do Cahy, com restaurante e impressionantes falésias, e depois a Praia do Calambrião, onde uma antiga casa em ruínas está sendo lentamente destruída pelo mar. Pouco antes de chegar a Cumuruxatiba ainda é possível visitar as praias Imbassuaba e do Moreira, ambas de difícil acesso e sem infraestrutura, mas de beleza ímpar.

Em Cumuruxatiba, o tipo de praia que encontrei foi bem diferente do que vi mais ao norte no litoral. Nesta vila de pescadores, o mar se afasta quilômetros na maré baixa, por ser uma praia extremamente rasa com algumas características de mangue, como árvores de raízes aéreas e areia lamacenta. Não é tão agradável de se caminhar, mas a paisagem é impressionante. O lugar ainda é habitado por muitos pescadores, mas o turismo vem ganhando corpo como principal atividade econômica.

Mais ao sul da vila, começam a aparecer as praias com falésias. A primeira delas, da Areia Preta, é de areia monazítica, que emite pequena quantidade de radiação. Há quem diga que essa areia possui propriedades terapêuticas, mas não há confirmação científica para essa crença.

Na hora da fome, vá ao Samburá do Zé para comida caseira. Peça uma panelinha de carne com batata (R$ 40) ou um espaguete de camarão (R$ 28). Se sua preferência é por frutos do mar, o Binotto’s Gourmet serve pratos como lagosta na moranga (R$ 185) e camarão rosa em cama de banana da terra para dois (R$145).

Onde ficar

Pousada Vila Guaimum: R$ 150 a diária. Tel. 73-99170-0937

Pousada Areia Preta: R$ 350 a diária. Tel. 11-98199-8319 

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Prado

Cidade pode ser usada como ponto de partida para visitar as vilas e as praias ao norte, como Cumuruxatiba e Corumbau

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Prado

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Quem chega ao Prado por Cumuruxatiba passa por belas praias cercadas de falésias, como Japara Mirim e depois Japara Grande, esta última agraciada por um rio de água doce cuja cor varia entre o acobreado e o esverdeado, a depender da maré. Aqui, o tom avermelhado também aparece nos morros erodidos pelo mar e pelo vento, o que pode remeter a algum filme de velho oeste, mas o som das ondas acaba rapidamente com esse devaneio.

A última praia antes da cidade é a do Tororão, também cercada de falésias. Nela, há um único restaurante, que cobra consumação mínima de R$ 100 para que se desfrute de sua infraestrutura e que fecha durante a baixa temporada.

O centro de Prado não oferece muitos atrativos para o visitante, mas a praia local é bastante agradável. Apesar da faixa de areia ser um tanto inclinada o mar costuma estar calmo. A cidade pode ser usada como ponto de partida para quem quer visitar as vilas e as praias ao norte, como Cumuruxatiba e Corumbau, e não quer usar veículo próprio – consulte agências como a Prado Tour (pradotour.com.br) e a Catavento (cataventotour.com.br). Também é possível contratar um passeio de catamarã com duração de um dia até o Arquipélago de Abrolhos, embora Caravelas fique mais perto de lá.

Durante a noite, o Beco das Garrafas é o ponto mais animado do lugar, com bares e restaurantes para todos os gostos. Há opções de culinária baiana, além de hambuguerias, comida japonesa, pastelarias e pizzarias.

Para comer frutos do mar, o Banana da Terra prepara lagosta com filé de budião (R$190). Já o Armazém Restaurante serve comida brasileira – picanha na manteiga para três pessoas custa R$135.

Onde ficar

Hotel da Paixão: R$ 200 para casal. Site: praiadapaixao.com.br

Pousada Casa de Maria: R$ 190 para casal. Site: pousadacasademariaprado.com.br

Hotel Amendoeiras: R$ 190 para casal. Site: hotelamendoeiras.com.br

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Caravelas

Arquipélago, que chegou a ser visitado por Charles Darwin, serve de berçário para as baleias-jubarte; há passeios também para mergulho

Pedro Sibahi, especial para o Estado / Caravelas

28 de fevereiro de 2020 | 06h00

Uma das últimas cidades no sul da Bahia, Caravelas também é das mais antigas. Américo Vespúcio chegou à localidade em 1503, deixando uma benfeitoria que mais tarde foi destruída. A cidade em si foi fundada em 1581 por um missionário, mas novamente acabou abandonada, e só voltou a apresentar algum tipo de urbanização a partir de 1694.

Já em 1700 foi elevada à categoria de vila, e alguns dos casarões que hoje existem no centro datam desta época, portanto, têm mais de 300 anos. Em muitas fachadas, nota-se a arquitetura portuguesa centenária, com suas janelas e portas largas, além dos balaústres e azulejos, ou o que restou deles. A cidade guarda um charme histórico mesclado com uma modernização que caminha a passos lentos.

Para curtir uma praia, a melhor pedida é a Barra de Caravelas, onde deságua o rio de mesmo nome. Seguindo pela mesma rota, ainda existe a Praia do Graucá, com alguns quiosques e uma pousada. A próxima praia, a de Iemanjá, fica a cerca de 20 km de estrada de terra, ou 5 km seguindo pela costa desde a barra.

O grande espetáculo de Caravelas, no entanto, está fora da cidade. É o Arquipélago de Abrolhos, protegido como Parque Nacional Marinho desde 1983. A região é considerada a de maior biodiversidade marinha em todo o Oceano Atlântico Sul. Não por acaso o cientista Charles Darwin fez questão de visitá-lo em 1832. O lugar também é importante pois serve de berçário para as baleias-jubarte, que migram até Abrolhos entre agosto e novembro, para ter seus filhotes.

É possível visitar o arquipélago de diferentes maneiras. O passeio padrão, que pode ser feito de junho a fevereiro, inclui uma volta de barco pelo arquipélago e caminhada pela Ilha de Siriba, a única aberta ao público, onde é possível avistar de perto os ninhos de aves marinhas como atobás e grazinas. Esse passeio em geral inclui mergulho de snorkel próximo aos paredões submersos, onde vivem cerca de 1,3 mil espécies, 45 delas ameaçadas de extinção. O coral cérebro (Mussismilia braziliensis), que recebe esse nome devido à sua textura esponjosa, é encontrado apenas nesta região.

Durante a temporada de visita das jubarte, é possível fazer um passeio apenas para avistamento dos animais. Outra opção, voltada para os praticantes de mergulho, é o live aboard, com duração entre uma e três noites no mar. Os iniciantes também têm a opção de aproveitar o passeio de visita ao arquipélago para fazer o batismo de mergulho autônomo. Consulte as agências locais, como Abrolhos Dive Inn (abrolhos.com.br) e Abrolhos Embarcações (abrolhosembarcacoes.com.br).

De volta à terra firme, vale a pena fazer uma visita à sede do Instituto Baleia Jubarte (Rua Barão do Rio Branco, 125). Apesar do lugar servir mais como sede administrativa, há uma sala de exposição com informações sobre a reprodução das baleias e sobre o trabalho de preservação no arquipélago, além de ossadas de jubarte, de golfinhos e de uma baleia orca.

Para comer em Caravelas, experimente o bobó de caranguejo do restaurante Tio Berlindoo; serve duas pessoas e custa R$ 85. Ou escolha a moqueca de budião para três, por R$100.

Onde ficar

Hotel Marina Porto de Abrolhos: R$ 390 para casal. Site: marinaportoabrolhos.com.br

Pousada das Sereias: R$ 150 para casal. Tel. 73-3674-1006

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