Surpresas no reino de Lampião e Maria Bonita

Dupla se escondeu na região até sofrer emboscada

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2007 | 02h34

Lampião e Maria Bonita tiveram motivos de sobra para escolher Canindé de São Francisco, ou simplesmente Xingó, como esconderijo. O casal mais unido e temido da região passou um bom período entre os surpreendentes cânions até ser alvo de uma emboscada fatal - os dois acabaram sendo enterrados lá.Chegar a Xingó não é simples: daí o lugar ter se tornado estratégico para os cangaceiros. Saindo de Aracaju, são quase quatro horas de estrada, terra e buracos até atingir a cidade, na divisa de Sergipe com Alagoas. O clima no percurso é seco e a vegetação, variada, com destaque para a caatinga. Não quer encarar os solavancos? A Blue Air Táxi Aéreo leva até Xingó em um bimotor, por R$ 330.Seja qual for o meio de transporte usado, o passeio compensa - apesar de pequena, a cidade oferece bom leque de atividades. Antes de encarar as trilhas pela região ou mergulhar nos rios, vale a pena visitar o Museu Arqueológico de Xingó (MAX), que reúne mais de 40 mil peças arqueológicas dos antigos sítios de acampamentos dos cangaceiros, hoje tomados pelas águas da Usina Hidrelétrica de Xingó. Considerada a segunda maior do Brasil e a sexta maior do mundo, ela é responsável por 25% da energia consumida no Nordeste.Dá para visitar o local e marcar hora com um guia, capaz de contar, nos mínimos detalhes, como funciona a hidrelétrica. O preço varia de acordo com a quantidade de visitantes.PAZ E ÁGUA MORNACom a construção da barragem da usina, foi criado um reservatório com 65 quilômetros de extensão de água calma e navegável. Esse trecho se transformou em um parque de diversão para os turistas, que se dividem em passeios de catamarã ou de lancha entre os cânions.De catamarã, o trajeto dura cerca de três horas e começa no restaurante Karranca''''s. No percurso, não existem povoados (é possível avistar apenas alguns acampamentos de pescadores). A primeira visão é da Pedra do Gavião, formação rochosa granítica que leva esse nome porque seu topo lembra a cabeça da ave.Após passar a pedra, o catamarã segue para a Gruta do Talhado. Lá fica o cânion batizado de Concha do Rapel, com 80 metros de altura, onde os mais aventureiros podem praticar essa modalidade de esporte radical. No fim da gruta, a embarcação pára. É hora do mergulho para os turistas. Vale a dica: como o rio é muito fundo, pule de colete salva-vidas se não for um bom nadador.ECOLOGICAMENTE CORRETOUma boa opção para fazer trilhas é a Fazenda Mundo Novo, um dos mais belos parques temáticos da caatinga. Trata-se de uma área particular pertencente ao veterinário José Augusto Lima, que pretende transformar o local num ponto de atração turística ecologicamente correto.A fazenda tem sítios arqueológicos na rota da Trilha dos Veados e da Trilha Alto do Céu. A recompensa para quem agüentar a longa caminhada são as águas cristalinas do Rio São Francisco. Blue Air: (0--79) 3223-4001; Fazenda Mundo Novo: (0--79) 8803-1223; MAX: (0--79) 2105-6453; Nozes Tour: (0--79) 3243-7177 e TopTur: (0--79) 3179-3771

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