Mônica Manir/Estadão
Mônica Manir/Estadão

Table Mountain

1085 metros acima do nível do mar, a montanha pode ser acessada de teleférico - e tem vista de tirar o fôlego

Mônica Manir / Cidade do Cabo, O Estado de S. Paulo

06 Dezembro 2016 | 04h30

“Abriu o tempo, vá!” Foi a ordem mais ouvida quando cogitei subir a Table Mountain, que se eleva a 1.085 metros acima do nível do mar. Venta bastante na Cidade do Cabo, e a tecnologia não conseguiu estabelecer exatamente quando uma nuvem vai se encastelar em cima da montanha de granito. Se puder esperar, vá o mais tarde possível, à beira do pôr do sol. É a hora mais dourada.

Para acessar o pico, você pode pegar o Cableway, teleférico que opera desde 1929 e que transporta 65 pessoas por viagem, o que dá cerca de 800 pessoas por hora. É gente pra dedéu, e ele não é subutilizado. Daí se deduz que a procura é grande. Por isso vale comprar o ingresso antes pelo tablemountain.net, o que o livra de pelo menos uma das filas, a da bilheteria. Adultos pagam 240 rands (R$ 59), ida e volta. 

 A subida dura 5 minutos. O piso do teleférico roda 360 graus e, num certo momento, uma das janelas se descortina à sua frente, o que permite tirar fotos sem aquela névoa de vidro embaçado. No caminho, dá para ver gente subindo a montanha a pé, uma opção interessante para quem tem panturrilhas em dia. O trajeto, de cerca de 3 horas a partir da base da montanha, permite observar os fynbos, vegetação muito cultuada por sua diversidade. Mas folhetos indicam que se faça a caminhada com alguém que já conheça o esquema, que se leve um kit de primeiros socorros e víveres e que se volte antes de escurecer. 

 Já no platô, a sugestão é fazer uma das três visitas guiadas, gratuitas: a Dassie Walk, de 15 minutos; a Ágama Walk, de 30 minutos; e a Klipspringer Walk, de 45 minutos. Se quiser ir por conta, acione o GPS do celular e baixe o aplicativo Table Mountain Cableway áudio tour, que funciona offline.

Contemple. A vista é uma coisa de louco. Pena que a febre da selfie e seu respectivo pau tenha contaminado todos os continentes. Quase ninguém para apenas para contemplar... Dali dá para ver, por exemplo, o prédio do Parlamento, já que a cidade abriga o poder Legislativo. E o Cape Town Stadium, um dos elefantes brancos da Copa, casa do Ajax Cape Town, mas que hoje também recebe shows e outros eventos para diminuir os custos monumentais da manutenção. Ninguém, no entanto, parece fazer vodu da Fifa. Pelo contrário: os moradores enfatizam que a Copa abriu os olhos do mundo para o país.

 O Café, no platô, oferece opções de lanches, pratos e vinhos. No dia da minha visita, flagrei um grupo de amigos que comemorava o aniversário de 25 anos das loiras Dominique e Elnette. Levavam um bolo de cobertura amarela e uma cesta de piquenique a tiracolo. Passariam a tarde ali, rindo, bebendo, comendo frutas e bolo. Estes sabem contemplar, pensei. 

 Também flagrei Kelly, de 30 anos, e sua mãe. Kelly ajustava os cabos que a desceriam 112 metros penhasco abaixo. O instrutor do rapel dava dicas do que aconteceria, mostrava que poucos metros adiante havia outros instrutores à sua espera e que, se ela se assustasse com um lagartinho na escalada (o instrutor simulava um berro), estaria segura por este e aquele gancho. Kelly pratica rapel, mas não se exige experiência prévia para fazer isso na Table Mountain. Como diz o folder da Abseil Africa, basta pesar mais de 40 kg e ter certo grau de insanidade.

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