Adriana Moreira/Estadão
Adriana Moreira/Estadão

Taça na mão para explorar os vinhedos

Se a preocupação culinária se mostra constante em Melbourne, não é de se estranhar que os vinhos sigam o mesmo padrão. Será muito raro num jantar com um australiano que ele peça um vinho de outro país. Não se trata apenas de bairrismo: os vinhos locais há muito se consolidaram no quesito qualidade.

RED HILL , O Estado de S.Paulo

05 Março 2013 | 02h34

O Estado de Victoria conta com 850 vinícolas, boa parte aberta à visitação - e com restaurantes magníficos. Próximo a Melbourne, as penínsulas de Mornington (onde concentrei minhas visitas) e Bellarine, além de Yarra Valley, são as que mais recebem turistas.

Há várias maneiras de conhecê-las. Alugar um carro ou comprar uma das inúmeras opções de passeios das agências locais são as mais comuns. Mas em Red Hill, Mornington, fiz um tour a cavalo com a Horseback Winery Tours. O esquema é muito profissional: você chega, descreve qual foi sua experiência equestre e, a partir dela, define-se qual será seu cavalo pelas próximas três horas. O meu, Oscar, se mostrou calmo e bonzinho, ideal para a minha pouca familiaridade no assunto.

Visitamos duas vinícolas. A primeira, T'Gallant, tinha clima de fazenda. Ali, as uvas pinot noir e pinot gris são as estrelas, mas nossa degustação foi além, com um frisante, um moscato e um shiraz.

A seguinte, Green Olive, se mostrou moderna, com esculturas próximas aos vinhedos e uma área ao ar livre, onde famílias almoçavam. Alguns liam na grama, crianças saltavam numa cama elástica. Além de vinhos, há azeites, patês e geleias, tudo produção local .

Gostei do passeio, mas esperava mais. Os cavalos não cruzam áreas de vinhedos, mas estradinhas locais, o que tira um pouco a graça da coisa. Mas não deixa de ser divertido. Custa AUD 140 (R$ 283) por pessoa.

O almoço não estava incluído, por isso paramos no Salix, meu favorito. Além da vista incrível, os pratos vêm com um capricho exemplar. O cordeiro (AUD 32 ou R$ 65) com skordaliá e berinjela veio supertenro. Peixes e frutos do mar tampouco decepcionam.

À noite, o jantar foi no The Long Table, restaurante à beira da estrada de clima informal e cozinha exemplar. Se você é daqueles que têm dificuldades para decidir o pedido, não se preocupe: pelo preço fixo de AUD 85 (R$ 171), eles criam um menu degustação com cinco pratos. Dá até para harmonizar os vinhos para cada um deles, pagando mais AUD 30 (R$ 60).

Cruzamos a balsa no dia seguinte de Sorrento a Queenscliff, já em Bellarine, para almoçar na vinícola Jack Rabbit. Os vinhedos ali têm vista para o mar - é possível optar por uma refeição mais formal no restaurante ou pela degustação e pratos rápidos na adega (taças a AUD 8 ou R$ 16). Vários tipos de uvas são cultivados ali, como pinot noir, merlot, shiraz e chardonnay.

De barriga cheia, caímos na estrada. Os vinhedos iam ficar para trás: era hora de se encantar com o litoral do extremo sul do país cruzando a Great Ocean Road.  / ADRIANA MOREIRA

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