Lucineia Nunes/Estadão
Lucineia Nunes/Estadão

Taha'a e o ouro local

Favas de baunilha e pérolas negras

Lucineia Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 04h00

O encanto de Taha’a começa na viagem de barco até a ilha. Em meio às águas verdes e azuis cristalinas, tubarões cinzas cruzam o caminho. Pequenina, com apenas 5,3 mil habitantes, está situada na mesma lagoa que Raiatea, duas vezes maior. Dividida em oito aldeias, Taha’a tem o formato de uma flor e está cercada de motus, ilhotas com areias claras que servem a passeios e piqueniques. Outras atrações são plantações de baunilha e fazendas marinhas de pérola negra.

Taha’a pede um passeio de barco com mergulho nos jardins de corais que, ao redor da ilha, formam grandes lagoas. O tour do meu grupo foi organizado pela nossa pousada, com saída logo cedo. Em poucos minutos, o barco chega ao primeiro destino para o mergulho com snorkel em um lindo jardim de corais. A sensação é indescritível, um misto de euforia e paz entre peixes coloridos naquela imensidão, inclusive o peixe-palhaço, eternizado em Procurando Nemo. É como voltar a ser criança dentro de um aquário gigante.

O almoço foi em um motu, com comida preparada pela chef da pousada e servida pelo nosso “capitão” e guia: arroz, atum levemente cozido, salada e bebidas. O guia ensinou um truque de sobrevivência: como abrir um coco seco para beber a água, descascar, ralar e fazer leite de coco usando o material encontrado ali mesmo na natureza. O passeio pode custar de US$ 50 a US$ 350 por pessoa. Sempre confira a opção da sua hospedagem. 

Taha’a também é famosa pelo cultivo da baunilha. Em uma das fazendas com entrada gratuita, a La Vallée de la Vanille, fomos recebidos com suco de abacaxi, banana e fatias de coco. Em seguida, Moetha, a dona do lugar, conduziu uma breve explicação sobre a plantação da baunilha.

Especiaria cara, a baunilha é cultivada em pouquíssimos lugares do mundo, sendo uma das mais populares a de Madagascar. A do Taiti (Vanilla tahitensis) tem aroma mais suave e sabor delicado, com alta concentração de óleo e água. “Por ser uma flor hermafrodita e sem cheiro, elas não atraem as abelhas e têm de ser polinizadas manualmente, uma a uma”, conta Moetha.

O trabalho é feito por ela e outros funcionários diariamente às 5 horas da manhã. Com o tempo, cada flor vira uma fava, que será seca ao sol.

As favas são então separadas por características e tamanho – as maiores são embaladas a vácuo e vendidas a preço de ouro. A fazenda de Moetha produz cerca de 550 quilos. Além de vender favas inteiras, ela as processa e usa em produtos como açúcar, essência, café e chá, vendidos no local.

Na entrada da fazenda havia um pé de limão taiti, tão popular no Brasil. Aqui, as folhas aromáticas da árvore, que lembram manjericão, também são usadas para temperar pratos, molhos e saladas.

 

Outra cultura interessante da ilha é a produção de pérolas negras em fazendas marinhas. Algumas são abertas à visitação, como a Love Here Pearl Farm, que chega a tirar do mar até 10 mil pérolas por mês. No local, além de conhecer o processo de cultivo, há uma loja de joias.

Para a formação induzida das pérolas, as ostras de lábio negro são retiradas do mar e um cordão, na verdade um fragmento de tecido com a genética de uma pérola de qualidade, é introduzido em seu interior para ser encapsulado. Em seguida, as ostras voltam para o fundo do mar em cestos. Somente depois de semanas ou meses elas são retiradas e passam por um controle rigoroso de qualidade que avalia tamanho, formato e cor, que pode variar do tom de berinjela a rosado e champanhe. Uma única bolinha pode custar até 200 euros. A maior pérola em exibição na loja, com 2 centímetros, não sai de lá por menos de US$ 25 mil.

-> Há várias empresas que operam barcos de Raiatea a Taha’a, como a Terainui Tours.

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