Marcelo Lima/Estadão
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Tarde de primavera em vinícolas de Grave in Chianti, na Toscana

Situada entre Siena, Arezzo e Pisa, região é uma das áreas produtoras de vinho mais nobres da Itália; confira onde degustar os melhores vinhos

Marcelo Lima, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2019 | 08h50

Com um almoço substancial, composto por uma tábua de salames (16 euros) e outra de queijos pecorino (9 euros), acompanhadas, naturalmente, de pão e vinho tinto da casa (4 euros a taça), a Antica Macelleria Falorni (Piazza Giacomo Matteotti, 66), na pequenina, mas acolhedora, Greve in Chianti, a 45 minutos de Florença, foi nossa porta de entrada para a zona do chianti clássico: uma das áreas produtoras de vinho mais nobres da Itália, situada entre as cidades de Florença, Siena, Arezzo e Pisa, que produz vinhos desde a época dos etruscos, mas que foi oficialmente demarcada apenas em 1716. 

Autóctone da Toscana, a sangiovese é a uva que predomina nos vinhos da região. Inclusive, é a partir de sua concentração em relação a outras cepas, sobretudo a merlot e a cabernet, que os vinhos se dividem, grosso modo, em chianti, aqueles com no mínimo 70% da uva, e chianti clássicos, com ao menos 80%. Mas existem outras subdivisões em função do tempo de envelhecimento. De qualquer forma, o jeito mais simples e fácil de reconhecer se um vinho é de fato um chianti clássico é procurar na garrafa o selo do gallo nero (galo negro). Segundo os locais, a escolha da ave-símbolo tem a ver com uma antiga lenda sobre animais usados para resolver conflitos em divisões de terra.

Os chianti definitivamente parecem ter nascido para acompanhar comida italiana. Encorpados e elegantes, eles se harmonizam bem com queijos, salames, carnes e massas acompanhadas por molhos à base de tomate. Não por acaso, alguns dos ingredientes típicos da culinária toscana. 

Situada a cerca de 20 minutos de Greve in Chianti, nossa primeira parada, a vinícola Tenuta del Palagio (Via Campoli, 104, em Mercatale Val di Pesa) produz vinhos há mais de 200 anos. Acompanhada de queijo pecorino, bolachas e azeite de oliva produzido no local, nossa degustação por lá (14 euros por pessoa) envolveu 5 tipos diferentes de vinho dos 15 rótulos em produção, 12 deles chianti clássicos. Com 95% de sangiovese e envelhecido 12 anos em barril de carvalho, a versão reserva da casa se impôs pela robustez. Muito embora um despretensioso Pinot Grigio 2017, servido na entrada, não tenha decepcionado, sobretudo pelo seu frescor em uma tarde quente. 

Com um passeio pela propriedade, que reluzia ao sol, e uma breve passagem pela cave, demos por encerrada nossa visita e, mapa em punho, partimos rumo à Tenuta Riseccoli (Via Convertoie, Greve in Chianti). Trata-se de uma típica cantina italiana, repleta de flores, onde fomos muito bem recebidos e degustamos três vinhos. O melhor deles um chianti clássico, obtido pela mistura de Sangiovese (85%) com merlot e cabernet sauvignon (15%). Além de provarmos o azeite extravirgem que é feito no local, aproveitamos a ocasião para abastecer nossa adega particular, adquirindo três garrafas do nosso vinho favorito, por 13 euros cada. 

De volta para o hotel, nosso trajeto durou quase duas horas. Poderia ter sido feito em uma, mas foi o tempo necessário para nos proporcionar o pôr do sol que tanto imaginávamos, além de uma parada não programada: o Cemitério e Memorial Americano de Florença (Via Cassia, 50023 Tavarnuzze, Impruneta). Uma ampla área de sepultamento, outrora campo de batalha, onde milhares de soldados norte-americanos perderam suas vidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Logo à entrada, um painel informa que nada menos que 4.402 lápides estão dispostas ali, em curvas simétricas ao longo da colina. Uma visão um tanto quanto desconcertante, sobretudo em face da serenidade da paisagem, mas que, assim como os momentos de glória, não pode ser dissociada da história recente da Toscana. 

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