Marina Della Valle
Marina Della Valle

Teerã e Beirute: duas capitais, dois retratos

Maiores e mais modernas cidades de seus países, Beirute e Teerã são duas prévias do que o turista pode esperar de sua viagem pelo Líbano e pelo Irã

Marina Della Valle, Especial para o Estado

23 de abril de 2019 | 03h50

Teerã

Em Teerã, a imagem política mais conhecida no Ocidente talvez seja o mural da Estátua da Liberdade com um crânio no lugar do rosto. A pintura está no muro da antiga embaixada dos Estados Unidos, hoje um museu da espionagem, com antigos escritórios e corredores repletos de imagens contra os EUA e Israel.

A cidade, aliás, é coberta por painéis – celebrando os mortos na guerra Irã-Iraque, considerados mártires, outros de cunho religioso, outros somente inspiradores. O rosto severo do aiatolá Khomeini e o semblante um pouco mais suave do atual líder supremo do Irã, Ali Khamenei, são onipresentes. 

Também testemunha da revolução que mudou o rumo do Irã, o palácio do último xá, Reza Pahlavi, é um dos pontos turísticos da cidade, um prédio de estilo ocidental que preserva as roupas do casal real e adesivos de desenhos animados nos banheiros dos filhos, dentro de um complexo de palácios e jardins, o Niavaran.

Mais exótico é o antigo palácio usado pela dinastia Qajar, o Golestan. Suas várias estruturas mostram o refinamento da arte abstrata dos azulejos e o uso extensivo de espelhos que marca outros monumentos e mesquitas.

O mausoléu de Khomeini, monumento em escala gigantesca, impressiona pelo tamanho. O mausoléu de Emamzadeh Saleh e o mercado coberto de Tajrish, lado a lado, rendem um passeio interessante, assim como o sempre lotado Grande Bazar e a mesquita do Xá, também vizinhos – mas deixe para comprar em Esfahan, onde há mais variedade e preços menores.

As torres Azadi, em forma de Y invertido, e Milad, com 435 metros, guardam belas vistas da cidade. Mas é a Ponte Tabiat, espécie de jardim suspenso cheio de esculturas, que mostra o lado verde da capital iraniana. Grátis.

Beirute

Arranha-céus de arquitetura arrojada dividem o horizonte com edifícios esburacados por balas e bombas, e um monumento na avenida à beira-mar marca o local do assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, em um atentado à bomba que deixou outros 21 mortos em 2005.

A beleza cenográfica de Beirute se descortina em um passeio à igreja de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa, Grande Beirute, onde uma estátua da santa de 8,5 metros abre os braços para o mar. Dali, é possível descer de teleférico para a baía de Jounieh. 

Beirute se presta a caminhadas, e a praça Nijmeh, no centro histórico, é um bom lugar para isso – a partir do relógio, um dos marcos da cidade, um passeio leva à mesquita Al Omari (mulheres precisam vestir chador para entrar), a ruínas de banhos romanos e à Catedral Ortodoxa Grega, em ruas ladeadas por grandes prédios do governo.

Andando um pouco mais chega-se à estátua dos mártires e à mesquita Mohamad al Amin (ou Mesquita Azul). Mais perto da Al Omari fica o mercado. Ao lado do hipódromo fica o Museu Nacional, imperdível para quem se interessa pela história do Líbano.

Mas o melhor local para caminhar é pela costa. Descendo da praça Nijmeh, é possível chegar ao monumento em homenagem a Hariri, um dos pedaços mais charmosos e agitados da via – aproveite para esticar em algum café ou restaurante. Na área de Raouche, as formações rochosas no mar que são um dos cartões-postais da cidade convidam a um momento de contemplação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.