Telhados e torres no berço de três ganhadores do Nobel

Com suas torres altas, os onipresentes telhados em forma de degraus e as dezenas de pátios ocupados por casas centenárias, fica fácil perceber porque a Unesco colocou uma extensa faixa da cidade alemã de Lübeck em sua lista de patrimônios mundiais. A uma hora de carro ou trem de Hamburgo, a cidade oferece ao visitante a chance de deleitar-se por um universo mágico da história da arquitetura.

OMAR SACIRBEY / LÜBECK , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2011 | 03h07

Cerca de 1.300 edifícios - góticos, barrocos, renascentistas e clássicos -, situam-se no compacto centro, que pode ser percorrido a pé em uma hora. Mas não se apresse, há muito a ser explorado. Das quietas ruas laterais às agitadas avenidas, das praças históricas às igrejas medievais.

Por toda sua história, não há nada enfadonho em Lübeck. A cidade emana um ar independente, herança da sua condição de porto báltico e do status de cidade-estado livre - governada não pela realeza, mas por ricos comerciantes - mantido por séculos. Hoje, a verve igualitária ainda é sustentada por três universidades e uma vibrante comunidade de turcos e outros imigrantes.

Já que a atração principal é a arquitetura, um bom lugar para começar o passeio é o Holsten Gate, a entrada ocidental de Lübeck. Construído no século 15, é o principal símbolo local, com o belo portal em forma de arco, paredes robustas e duas torres. Lá dentro, após apreciar espadas, armaduras e outros artefatos, suba as escadas em espiral para espiar lá das janelinhas a vista dos navios e boa parte da cidade.

Então é hora de partir para as igrejas. Lübeck é conhecida por ter sete torres de igrejas góticas que pontuam o horizonte. As mais famosas são a Igreja de St. Mary, a terceira maior da Alemanha, e a Catedral, com 120 metros de altura.

As dimensões grandiosas impressionam, mas são os detalhes de cada uma que cativam. Na St. Mary, esqueletos esculpidos em pedra espreitam desde paredes e colunas, e dois sinos quebrados estão estirados no chão desde que ali caíram, em 1942, após um ataque dos Aliados na Segunda Guerra. A Catedral não é menos emocionante, com tumbas do século 14 e portões de ferro doados por capitães de barco na esperança de melhorar suas chances de salvação.

Não surpreende que a acústica seja notável em ambos os edifícios. Quase toda semana, recitais e concertos com órgão são realizados ali - a Catedral ainda serve de palco para o anual Schleswig-Holstein Music Festival, evento de sete semanas que costuma começar no mês de julho.

Labirinto. Alguns dos edifícios mais encantadores de Lübeck são encontrados ao acaso, explorando as vielas e pátios da cidade. Um exemplo é o conjunto de casinhas medievais da rua Hartengrube, pertinho da Catedral. Ande até o fim da via e se deslumbre com a vista romântica do Rio Trave.

Já no lado oeste da cidade, deslumbre-se com ruas curvas tão estreitas que impedem a passagem de carros e emanam uma aura de conto de fadas. Uma vez ali, caminhe pelos canais, que revelam as raízes marítimas do destino. Escolha um café à beira d'água e assista a miscelânea de pessoas passando: empresários, mulheres muçulmanas com coloridos lenços e grupos de estudantes vestidos de couro.

Depois , vá ter uma panorâmica sete andares acima, no campanário da Igreja de São Pedro. De lá, há como enxergar o mar atrás dos telhados de telhas vermelhas, alcançar as planícies e maravilhar-se com os gigantes buracos esculpidos nas paredes da Rathaus (prefeitura), que datam do século 13.

Filhos pródigos. Do outro lado da rua da Igreja de St. Mary você vai se deparar com uma simpática casa branca que pertenceu aos avós do romancista Thomas Mann, um dos três filhos da cidade vencedores do Prêmio Nobel. Hoje, o Buddenbrookhaus (cujo nome faz referência a sua obra-prima) é um museu em homenagem ao autor e seu irmão Heinrich, também escritor.

A poucos passos de distância, o Günter Grass Haus é essencialmente dedicado às atividades não literárias deste também ganhador do prêmio Nobel. Há esculturas, pinturas, desenhos, além de artefatos literários, como a primeira máquina de escrever que Günter usou.

Ao virar a esquina, outra atração: a Willy Brandt Haus abriga a coleção de artigos que remete à esta figura central do século 20 - e terceiro prêmio Nobel da cidade. Além da literatura, Brandt foi um proeminente ativista antinazista que, como chanceler de 1969 a 1974, ajudou a Alemanha a recuperar sua posição no cenário internacional. Motivo extra de orgulho para Lübeck.

lParada literária

Casa que foi dos avós de Tomas Mann virou museu em sua homenagem

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