MSC Cruzeiros
MSC Cruzeiros

Temporada cruzeiros 2020/2021 é cancelada no Brasil

Depois de adiamentos, MSC Cruzeiros desiste da ideia de oferecer roteiros neste verão. Empresa alega que não teria tempo suficiente para preparar a operação, considerando logística e treinamento de protocolos de saúde

Nathalia Molina, Especial para o Estado

23 de dezembro de 2020 | 11h19

Depois de adiada algumas vezes, a temporada de cruzeiros 2020/2021 no Brasil foi cancelada hoje. Inicialmente marcada para 15 de novembro com sete embarcações, quatro da MSC e três da Costa, havia sido remarcada novamente neste mês, para começo em 16 de janeiro. No entanto, a MSC Cruzeiros, única companhia que ainda mantinha a expectativa de fazer roteiros no litoral brasileiro neste verão, anunciou que desistiu da ideia, devido à demora na aprovação para a operação no País.

A Cruise Lines International Association (Clia) no Brasil soltou um comunicado lamentando que a temporada de cruzeiros não será mais realizada. “Estavam programados nove navios com uma oferta próxima dos 620 mil leitos, um aumento de 17% em relação à temporada passada. Vínhamos de três anos consecutivos de crescimento e esta seria a quarta temporada com números positivos, mostrando uma tendência importante para o desenvolvimento do setor no Brasil”, diz o texto da Clia Brasil.

Neste verão, originalmente os nove navios dedicados ao País fariam paradas em 20 escalas, que não receberão também os 33 navios em volta ao mundo. De acordo com a Clia Brasil, o Brasil deixa de gerar mais de US$ 2,62 bilhões em impacto econômico e 39,5 mil empregos, com base em estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a temporada 2019/2020. Globalmente, a perda chega a US$ 77 bilhões para a economia e 518 mil empregos. A associação conta com 57 companhias de cruzeiros com 270 navios.

No comunicado em que divulga sua decisão, a MSC Cruzeiros informa que vinha trabalhando desde julho com as autoridades brasileiras, “realizando reuniões e esclarecimentos periodicamente para a análise de sua proposta de operação e do seu protocolo abrangente de saúde e segurança que se mostrou eficaz na Europa quando a empresa retomou suas viagens com segurança em agosto”.

A companhia italiana afirma ainda no texto: “Considerando esta postergação e o tempo mínimo necessário para a companhia preparar toda a sua operação, como logística, mobilização, testes e embarque da tripulação, abastecimento de provisões e a implementação de seu protocolo de saúde e segurança líder do setor, a empresa não conseguiria iniciar as operações até meados de fevereiro, no mínimo, sendo que a temporada está prevista para terminar em março.”

Crédito para passageiros afetados

A MSC Cruzeiros informa que os passageiros afetados pelo cancelamento receberão uma carta de crédito no valor total da reserva originalmente paga, válido até 31 de dezembro de 2021 para um cruzeiro futuro com a companhia, realizado até 30 de abril de 2022. Os viajantes terão direito também a um crédito para ser usado a bordo desse próximo cruzeiro: €/US$ 100 por cabine, para cruzeiros com até seis noites (€/US$ 50 no caso de cabine single) ou €/US$ 200 por cabine, para cruzeiros de sete ou mais noites (€/US$ 100 em cabine single).

O protocolo para a temporada 2020/2021 estava havia meses sob avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Grupo Executivo Interministerial (Gei). Entre as medidas propostas estão testes para covid-19 em todos os passageiros pelo menos duas vezes por viagem (de antígeno e PCR, se necessário) e para a tripulação no mínimo três vezes antes do embarque e semanalmente a bordo.

Em setembro, a Costa Cruzeiros anunciou o cancelamento da temporada brasileira. A companhia teria os navios Fascinosa, Luminosa e Pacífica. A MSC inicialmente traria quatro para a América do Sul, um deles dedicado a embarques na Argentina: Seaview, Preziosa, Musica e Sinfonia. Depois, manteve apenas os dois primeiros.

Retomada dos cruzeiros no mundo

Médicos, cientistas e órgãos de saúde mundiais e locais foram consultados pela associação para estabelecer protocolos mundiais e o retorno das operações na Europa, na Ásia e no sul do Pacífico. Segundo a Clia Brasil, a retomada mundial já teve cerca de 200 saídas em todo o mundo desde julho e foi possível em decorrência dos protocolos adotados, que incluem o seguinte:

Embarque: Teste pré-embarque em todos os hóspedes com triagem rigorosa. Tripulantes com três testes antes do embarque e a cada semana a bordo.

Procedimentos a bordo: Uso de máscaras, distanciamento, menor ocupação, ar fresco sem recirculação, desinfecção e higienização constantes.

Saúde a bordo: Plano de contingência, corpo médico especialmente treinado para avaliações constantes, estrutura com todos os modernos recursos para atendimento dos hóspedes e tripulantes.

Excursões: Protocolos especiais, coordenação com os municípios, cancelamento do reembarque para hóspedes que não cumprem as regras.

A associação informa ainda que levantamento de dezembro de 2020 apontou que 74% dos cruzeiristas querem realizar uma nova viagem nos próximos anos e que dois em cada três desejam fazer isso já em 2021. Os dados são da Pesquisa Clia-Qualtrics, feita com 4 mil viajantes em oito países – o Brasil não está entre eles.

Tudo o que sabemos sobre:
turismocruzeiro marítimocoronavírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.