Cristiano Dias/AE
Cristiano Dias/AE

Tentações mediterrâneas e árabes com toque berbere

Entre dunas e oásis, recomenda-se ao menos um pernoite no Saara. Regras da boa educação proíbem arroubos de timidez: aproveite a variedade culinária e prove de tudo

Cristiano Dias, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2012 | 21h52

Para Oscar Wilde, a única maneira de se livrar de uma tentação é sucumbir a ela. A Tunísia é o paraíso do gourmet e o estatuto da boa mesa proíbe arroubos de timidez. A culinária tunisiana é uma enorme mistura de influências. Os berberes tomaram a semolina cartaginesa e inventaram o couscous, a encarnação da identidade nacional. As azeitonas e o azeite foram trazidos pelos romanos. Os árabes introduziram as especiarias: açafrão, canela, cravo, cominho, noz-moscada. A sobremesa ganhou a mesa após o domínio otomano, que popularizou doces e pães.

Na gastronomia tunisiana, a entrada mais comum é o briq, parente distante da samosa indiana e do pastelzinho brasileiro. Iguaria de massa fina e frita, pode vir recheada com praticamente qualquer coisa: ovo, atum, camarão, frango, batata, tomate, salsa ou cebola. Outra excelente opção é a salade tunisienne, cuja receita pode variar de acordo com o chef. Uma das mais saborosas é a servida no restaurante Dar el-Jeld, na medina de Túnis. O lugar, aliás, é uma atração em si. O salão é um refinado pátio do século 18, muito bem iluminado.

Desde os tempos de Cartago, o mar influencia os hábitos da região. Mesmo em pequenos mercados de cidades do interior da Tunísia, o peixe é fresco. À beira-mar, come-se de tudo: vôngole, marisco, ovas de lula, lagosta, polvo, camarão. Um prato usual é o kabkabou - normalmente, peixe refogado com tomate. É uma das especialidades do restaurante Dar Zarrouk, em Sidi Bou Said, um dos mais festejados do país - além da comida, a vista é de tirar o fôlego.

Quanto à carne, a mais consumida é a de carneiro, que cai bem de qualquer jeito: assada, cozida, grelhada ou, melhor ainda, quando vem em forma de merguez, espécie de linguiça picante e temperada ao estilo do Magreb.

Em razão da influência berbere, o sul da Tunísia tem um sabor diferente. Uma das características mais marcantes são os cozidos feitos em ânforas - vasos de cerâmica que os romanos usavam para armazenar azeites e cereais. Dentro, legumes com carne. A abertura é vedada com gesso e o vaso vai ao forno. Depois de alguns minutos, quebra-se o lacre de gesso ou a própria ânfora e serve-se o prato.

Outra extravagância do sul é a carne de camelo. A excentricidade é reservada para ocasiões especiais e não é habitual encontrá-la nos cardápios. No entanto, é possível encomendá-la em alguns restaurantes.

Mais conteúdo sobre:
Viagem Tunísia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.