Tesouros em duas cidadelas no coração da Áustria

Em todas as paradas do Amalyra, os passageiros podiam solicitar bicicletas para explorar os destinos. Mas nenhum trecho do roteiro combinava mais com essa ideia do que a travessia do Vale do Wachau, na Áustria. Esse pedaço de 36 quilômetros, entre Krems e Melk, foi a parte mais cênica da minha navegação pelo Danúbio. Natureza e arquitetura se alternam e se completam, em montanhas e vilarejos com ruínas e castelos. Desde 1955, a região é considerada zona protegida e, em 2000, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

DÜRNSTEIN, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h09

O Vale do Wachau é produtor de damascos e vinho, especialmente os brancos Grüner Veltliner e Riesling. As encostas ao longo do rio são tomadas por vinhedos. Por isso, uma das atrações na parada em Dürnstein foi uma degustação de vinho.

Chegamos cedo a Dürnstein. No alto da colina, fica seu ponto mais falado: as ruínas do castelo onde Ricardo Coração de Leão ficou preso no fim do século 12. As 2h30 que passamos ali foram suficientes para passear tranquilamente pelas ruas de pedra, pelas lojinhas (com vinho e produtos feitos de damasco) e pela beira-rio. Partimos rumo a Melk na hora do almoço. Quem encarou o passeio de bicicleta pela margem do Danúbio encontrou o barco na próxima parada - e disse que o trajeto é puxado.

Do Amalyra, mesmo sob a neblina de outono, o Vale do Wachau estava lindo. Nos dois lados, as montanhas eram entrecortadas pela sinuosidade do rio. O lounge envidraçado na frente do barco ficou lotado de passageiros. Ainda me arrisquei a olhar tudo da varanda externa, pelo tempo que consegui suportar o frio.

No meio da tarde, atracamos na cidadezinha austríaca para visitar sua abadia em estilo barroco. A Abadia de Melk, como se vê na foto, é reluzente. No exterior, branca e amarela, no contorno de suas linhas arquitetônicas. Por dentro, dourada, na decoração das salas e na igreja de maravilhosos afrescos. Os 450 mil visitantes anuais veem objetos que narram a história da construção, doada em 1089 por Leopoldo II da Áustria aos monges beneditinos.

A biblioteca é um dos ambientes mais interessantes e bonitos da visita. Ali Umberto Eco pesquisou e se inspirou para escrever O Nome da Rosa. Dá para sair de lá se sentindo no clima do jovem monge Adso de Melk, personagem batizado pelo escritor em homenagem à abadia. E, depois, terminar a noite como um nobre, num farto e animado jantar a bordo. Levando em conta a gula, teria sido indicado gastar aquelas calorias pedalando de Dürnstein a Melk. /N.M.

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