Testamos a nova montanha-russa do Busch Gardens - e outras novidades de Orlando

Tigris simula o movimento dos tigres e chega a 100 km/h; outra atração recém-inaugurada é a área dedicada à Vila Sésamo no SeaWorld

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 05h00

Olhando de longe, ela é imponente e se destaca no horizonte. Toda alaranjada, quanto mais a gente se aproxima, mais o medo cresce. Debaixo dela, o aço retorcido que vai do chão até perto do céu causa pânico. O suor começa a escorrer pelo corpo e a respiração fica ofegante. “Eu não vou subir nisso aí”, pensei. Quem em sã consciência entra em um vagão que sobe 45 metros de forma impulsionada, passa pelas nuvens em looping e depois desce duas vezes em quedas verticais a quase 100 quilômetros por hora?

Bem, a verdade é que quase todo mundo que esteve presente na inauguração da Tigris, a nova montanha-russa do Busch Gardens, em Tampa, nos Estados Unidos, estava se divertindo muito. Ao lado de outros jornalistas da América do Sul, fui encarar o desafio de percorrer os trilhos da montanha-russa de lançamento mais alta da Flórida. Ou ao menos tentar.

Não se trata da única novidade desta temporada entre os parques do Grupo SeaWorld, formado pelo Busch Gardens, SeaWorld e Discovery Cove, além dos aquáticos Adventure Island, em Tampa, e Aquatica, em Orlando – nele, o tobogã KareKare Curl é mais uma ferramenta para ajudar os turistas a se refrescarem, com boas doses de adrenalina, no sempre quente verão de Orlando.

Vila Sésamo

No Sea World, a Sesame Street é uma área temática e imersiva, com atrações e experiências interativas projetadas para toda a família. Ali estão os personagens da Vila Sésamo – Garibaldo, Elmo, Come-Come, Grover, Beto, Ênio, Bel, Zoe... 

O local conta com áreas de lazer secas e com água – em dias de sol, as crianças se divertem (e se molham bastante) em um playground com esguichos de água. Todo o espaço foi construído para ser a representação da vizinhança da turma no seriado, com o Jardim da Abby Cadabby e o ninho do Garibaldo (lá chamado por seu nome original em inglês, Big Bird).

Junto com dançarinos, eles participam de uma animada parada com carros alegóricos, na qual os personagens da turma interagem com as crianças. Há ainda uma minimontanha-russa, a Super Grover’s Box Car Derby’s, e o Trem do Elmo, que leva a garotada a dar uma volta em toda a Sesame Street. 

A turma da Vila Sésamo também está no Busch Gardens, no Safari of Fun. Lá, é possível dar uma volta na Air Grover, outra montanha-russa infantil, com curvas e pequenas quedas. As crianças também podem escalar uma árvore até chegar na casa do Elmo e se refrescar em um espaço com jatos de água do Ênio (Ernie) e do Beto (Bert).   

Agilidade felina

Só que a missão não era curtir a paz da Vila Sésamo, mas sim testar minha capacidade cardíaca ao embarcar em um dos vagões da Tigris, com seus 550 metros de trilhos. A montanha-russa foi projetada para simular a agilidade – adivinhe – dos tigres. Um brinquedo desse tipo (de lançamento) é aquele em que primeiro o vagão vai para trás, sobe em marcha à ré para pegar impulso, depois desce e sai acelerado de forma insana até cumprir seu percurso. Não sei se estava preparado para isso tudo, mas eu fui.

As sensações causadas pelas montanhas-russas nunca foram tão atrativas para mim, mas eu estava “treinado”. Antes de subir na Tigris, as expedições pelos parques do grupo SeaWorld me levaram até a Manta, em Orlando, que simula o nado das arraias no mar (mas a 90 km/h), com o corpo segurado pelos ombros e sempre olhando para baixo. 

Na inauguração da Tigris, os convidados podiam brincar quantas vezes quisessem. Precisei de um tempo para mim. Respirei. Esperei umas 2h30 para tomar coragem de sentar no carrinho e encarar os pouco mais de 40 segundos pelos trilhos. O que a princípio parece ser só aço retorcido se transforma em um caminho seguro de adrenalina. Algo terrivelmente divertido.

Para 2020, ano em que o Busch Gardens completa 60 anos, está prometida a inauguração da montanha-russa híbrida (aço e madeira) mais alta da América do Norte e a mais rápida e íngreme do planeta, atingindo 70 metros de altura. Outra novidade prevista para o próximo ano ficará no SeaWorld – uma montanha-russa da qual ainda pouco se sabe, mas cuja temática será baseada em paisagens geladas. Será que terei coragem de encarar?

OUTROS PARQUES

Universal

É do mundo de Harry Potter que vem a principal novidade da temporada, a partir de 13 de junho. O guarda-caça de Hogwarts, Hagrid, é o “dono” de uma montanha-russa nada trivial. Nela, o público subirá em motocicletas mágicas, sobrevoará as 1.200 árvores da Floresta Proibida e percorrerá um percurso de 1.540 metros com sete lançamentos, queda livre, mudança brusca de sentido e outras surpresas. Se sua praia é terror, programe-se para o Halloween Horror Nights, de 6 de setembro a 2 de novembro; universalorlando.com.

Walt Disney World

Fãs de Star Wars, uni-vos: o Disney's Hollywood Studios terá uma área inteira dedicada à saga a partir de 29 de agosto - na Disneyland da Califórnia, o espaço temático  foi inaugurado na última semana. Batizado de Galaxy's Edge, inclui uma experiência em que o visitante pode pilotar a Millenium Falcon, a icônica nave de Han Solo. Em outra atração, é possível participar de uma batalha entre a Primeira Ordem e a Resistência. Outra novidade é o teleférico que conecta o Epcot e o próprio Hollywood Studios a quatro resorts do complexo - algumas gôndolas trazem personagens de filmes como Frozen e Moana; disneyworld.disney.go.com.

ANTES DE IR

Aéreo

O trecho ida e volta entre São Paulo e Orlando, em agosto, custa a partir de R$ 3.998,28 na Latam e R$ 4.590 na American Airlines, em voos diretos. Com escala, sai desde R$ 2.627,42 na Azul, R$ 2.686,03 na Aeromexico e R$ 3.141,01 na Gol.

 

Ingressos

Comprar o ingresso combinado para vários parques é sempre mais vantajoso. Para quatro parques do grupo (SeaWorld, Busch Gardens e os dois aquáticos) custa US$ 189,99. Outra opção inclui Discovery Cove, SeaWorld, Busch Gardens e Aquatica e custa US$ 245. Vale consultar um agente de viagens.

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Parques aquáticos: diversão com molhadeira e um pouco de adrenalina

Vale reservar um ou dois dias para se refrescar do calorão de Orlando e relaxar

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 04h55

A busca por diversão na Flórida na primavera e no verão tem um rival à altura das atrações: o calor. Com o sol brilhando forte nessa época do ano, andar o dia inteiro entre montanhas-russas e outras atrações pode se tornar um grande incômodo.

Para amenizar o calorão e relaxar, nada melhor do que reservar um ou dois dias da viagem para uma imersão em parques aquáticos, se refrescar em piscinas de ondas e receber novas doses de adrenalina em modernos tobogãs.

O Aquatica é inspirado nas praias da Nova Zelândia, Austrália e Nova Guiné. No total, são 42 atrações, entre toboáguas, rios e lagoas artificiais, quase 1.000 toneladas de areia branquinha, espalhadas em 8 mil metros quadrados de praias, além de um paisagismo composto por 100 espécies de árvores e 250 de arbustos, que totalizam mais de 60 mil plantas. O local é o primeiro parque aquático do mundo com certificado para receber crianças e adultos portadores de autismo.

A maior novidade da temporada é a radical KareKare Curl. Na atração, uma boia leva dois visitantes por vez, que precisam ter no mínimo 1,21 m de altura e no máximo 113 quilos – há uma balança antes da saída e a dupla não pode ultrapassar os 182 quilos. Após subir na boia, há uma descida íngreme, rápida e veloz que desemboca no paredão. Um imenso frio na barriga de dois segundos depois, os visitantes descem em alta velocidade antes de desembarcar da atração. 

Outra opção para quem gosta de adrenalina é a Ray Rush. O toboágua possui três níveis diferentes. Primeiro, os visitantes descem em boias por tubos fechados a 36 km/h. Depois, eles caem em um redemoinho gigante e transparente para seguir viagem em um novo tobogã, em formato de arraia, e deslizar até a piscina.

Entre corredeiras e escorregadores

Quem curte corredeiras vai se divertir no Roa’s Rapids, rio de correnteza forte com quase 500 metros, cheio de jatos d’água. Nessa atração, as crianças precisam ir com boias – indicadas mesmo para adultos que não nadam tão bem. O rio percorre todo parque e passa por um aquário com centenas de peixes, que dão ao local uma beleza ímpar. 

Vale dar uma passada também no Taumata Racer, vários escorregadores paralelos com quase 100 metros de cumprimento, e no Dolphin Plunge, onde os visitantes escorregam por um tubo de 76 metros de extensão que passa por dentro do tanque de golfinhos de Commerson.

Já o Ihu’s Breakaway Falls é um multitobogã com vários percursos. Os visitantes ficam em pé nas cabines e esperam o chão abrir para despencar de quase 25 metros de altura. Nesse eu fui, sem medo: o antes é pior que a queda em si.

Para as crianças, o Walkabout Waters é um playground interativo aquático com quase 1.400 metros quadrados. Ali estão espalhados escorregadores, toboáguas, duchas, quedas d’água, jatos, metralhadoras aquáticas, pontes, passagens de níveis e caminhos – é um brinquedão dos bufês de festas infantis com muita, muita água.

Os pequenininhos têm à disposição uma área exclusiva, o Kata’s Kookaburra Cove, com minitobogãs e escorregadores nos quais os pais também podem ir, além de esguichos d’água para uma divertida molhadeira sem-fim. 

Adventure Island

Além do Busch Gardens, Tampa também é casa para outro parque aquático do grupo SeaWorld, o Adventure Island, que conta com tobogãs, cachoeiras, rios, lagos, piscinas de ondas, playgrouds aquáticos e outras atrações. 

Entre as mais populares, a Wahoo Run é para ir em grupo: até cinco pessoas descem o toboágua em uma boia, que desliza entre ambientes fechados e abertos.

Já o Vanish Point é uma torre de 21 metros de altura que desafia os visitantes a percorrer dois caminhos – você pode optar por entrar numa cabine e esperar o chão desaparecer ou escorregar na horizontal, em alta velocidade, em um tobogã com quase 140 metros de comprimento.

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Polêmicas com animais fizeram SeaWorld focar em ações de preservação

Embora show com orcas continue a atrair visitantes, empresa passou a investir em ações de conscientização e conservação da fauna marinha

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 04h50

O mundo dos animais sempre foi o tema principal dos parques do grupo SeaWorld. Mas os tempos mudaram, e os shows de orcas que fizeram sucesso no passado passaram a ser questionados por grupos de defesas dos animais. Assim, a empresa também mudou o foco e passou a investir mais na divulgação de seus trabalhos de preservação da fauna marinha. As apresentações também se transformaram: hoje, o tom é o da conservação ambiental. 

“O compromisso na preservação da natureza e da vida selvagem faz parte do nosso DNA”, explica Rob Yordi, diretor executivo do SeaWorld. “Em um determinado momento, percebemos que, se trouxéssemos pessoas para brincarem em nossas montanhas-russas, elas poderiam ver também nosso trabalho com animais.” 

Segundo o executivo, a empresa contribui com várias ONGs de preservação no mundo. Inclusive no Brasil: o programa Curtir & Preservar doa US$ 2 para cada compra feita por turistas brasileiros de produtos opcionais aos ingressos, como planos de refeição, fast-passes e tours. O primeiro projeto brasileiro a fazer parte, em 2017 e 2018, foi o Tamar. Para este ano, as instituições selecionadas e aprovadas ainda não foram divulgadas. 

Embora controversos, os espetáculos com orcas no Sea World continuam muito procurados pelos visitantes. No show, um telão exibe um filme sobre a conservação das baleias na natureza e os animais participam de exercícios com treinadores – que há alguns anos não entram na piscina com os animais. Em 2016, a empresa anunciou que a atual geração dessas baleias seria a última que seria mantida sob seus cuidados. 

No mesmo parque, os turistas também podem visitar o Antarctica: Empire of the Penguin, uma colônia de 250 animais em um hábitat que simula seu mundo gelado, sendo possível observá-los tanto dentro d’água como fora. Ainda é possível ver golfinhos, leões-marinhos, tartarugas, belugas, focas e uma série de espécies de peixes. “Acreditamos que é muito importante este contato entre animais e pessoas. Aqui, ensinamos a cuidar dos animais”, diz Yordi.

Nado com golfinhos

No Discovery Cove, o ponto alto é a oportunidade de nadar e brincar com golfinhos da espécie nariz de garrafa, em uma interação que dura cerca de 30 minutos. No raso, os visitantes interagem com os mamíferos por meio de sinais – dá até para fazer carinho neles.

Depois, em uma parte mais funda, quem quiser pode fazer um nado de volta à margem da lagoa pegando carona com o novo amigo. A interação é permitida apenas a crianças acima de 6 anos. O ingresso com nado custa a partir de US$ 220.

No mesmo parque, é possível fazer um mergulho com escafandro para observar espécies de peixes, estrelas-do-mar e tubarões. O turista fica a apenas 5 metros da superfície, em um ambiente controlado, ideal para uma primeira experiência submersa. É preciso ter mais de 10 anos para participar e custa US$ 49. 

O parque tem clima de resort, com comidas e bebidas incluídas ao longo do dia. É um espaço para relaxar: dá para nadar junto com arraias e peixes, curtir o rio de correnteza suave que percorre o parque e as praias de areias brancas. 

Há ainda um espaço dedicado apenas às aves. Protegidas por uma imensa tela, mais de 250 espécies de pássaros exóticos vivem no local. Os visitantes podem alimentar os animais com frutas e sementes dadas na entrada – acostumados, os bichos pousam nos turistas, para alegria das crianças (e fotos infinitas dos pais). 

Girafas, as estrelas do safári

No Busch Gardens, mais de 200 espécies de animais estão espalhadas entre o parque de montanhas-russas e outras atrações. Entre as possibilidades de passeios – algumas com custo extra além da entrada do parque – estão visitas a locais onde vivem gorilas, chimpanzés, pássaros, orangotangos, elefantes, hipopótamos, leões, tigres-de-bengala, lêmures, suricatos, crocodilos e cangurus. 

Um dos passeios mais procurados é o Serengeti Safari (US$ 29), no qual os visitantes embarcam na carroceria de um caminhão para um safári em uma área de 260 mil metros quadrados. Um guia explica (em inglês ou espanhol) as peculiaridades de cada de animal, enquanto o veículo passa perto de animais como rinocerontes, gnus, antílopes, zebras e girafas.

 São elas, aliás, as mais simpáticas. O caminhão para por alguns minutos e os visitantes podem alimentar as girafas com hortaliças. Elas não hesitam em se aproximar para pegar suas guloseimas, em uma oportunidade divertida para interagir com os bichos – e fazer dezenas de selfies.

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Salas de silêncio e equipe treinada para portadores de autismo

Mapas contam com um guia sensorial para que os pais possam saber quais estímulos as crianças receberão em cada atração

Glauco de Pierri, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2019 | 04h45

Invariavelmente, os parques exploram ao máximo os sentidos dos turistas, com uma explosão de cores e sons em vários tipos de brinquedos. Mas o que para alguns é sinônimo de estímulo, para portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode funcionar como gatilho para uma crise. Na rota para serem atrativos para todos os tipos de famílias, Discovery Cove, Aquatica e, mais recentemente, Sea World, se prepararam para receber esse público. 

Os parques foram certificados pelo Conselho Internacional de Padrões de Credenciamento e Educação Continuada (IBCCES, na sigla em inglês), que padroniza e regulamenta áreas da saúde, educação e ambiente corporativo para as necessidades de pessoas com deficiências cognitivas. 

Logo na entrada, os parques exibem um mapa das atrações com um guia sensorial de cada uma, onde pais de crianças autistas, por exemplo, podem conferir quais estímulos seus filhos receberão e se eles serão altos ou baixos – há dicas sobre olfato, visão, audição, paladar e tato. É uma maneira de tentar prever a reação das crianças a determinados brinquedos e, assim, decidir quais atrações elas poderão aproveitar melhor. 

Além disso, todos os funcionários foram treinados para receber famílias com integrantes nessas condições e acomodá-los da melhor maneira possível. Todos deverão passar por reciclagens a cada dois anos para que os três centros de entretenimento do grupo SeaWorld Parks & Entertainment continuem com a certificação do IBCCES. 

“Sempre buscamos tratar de acomodar quem nos visita, dependendo de sua necessidade. Agora, temos todos os recursos e ferramentas para oferecer tranquilidade às famílias com integrantes autistas ou outras necessidades especiais”, diz Kelly Clark, vice-presidente do Discovery Cove.

Parques têm espaços calmos para descanso longe de estímulos

Os três parques também são equipados com quiet spaces, salas silenciosas e com pouco estímulo para um período de descanso ou eventuais crises. Joseph Jansen, diretor do Aquatica, explica que os espaços foram desenhados com iluminação ajustável e assentos confortáveis, para que o visitante descanse da sobrecarga sensorial dos parques temáticos. 

“Acreditamos que o treinamento e os guias sensoriais específicos do parque fornecem informações úteis para garantir que nossos visitantes estejam munidos de todas as informações necessárias para se prepararem, serem informados e aproveitarem seu tempo em nossos parques”, disse Mark Pauls, presidente do SeaWorld Orlando. “Queremos criar memórias duradouras para todos os nossos visitantes.” 

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